terça-feira, 30 de outubro de 2012

Mídia derrotada mais uma vez pelo PT de Lula



 Do Blog do Kotscho - Publicado em 29/10/12 às 12h25

Ricardo Kotscho



Perderam para Lula em 2002.

Perderam para Lula em 2006.

Perderam para Lula e Dilma em 2010.

Perderam para Lula e Haddad em 2012.

 

A aliança contra Lula e o PT montada pelos barões da mídia reunidos no Instituto Millenium sofreu no domingo mais uma severa derrota.

Eles simplesmente não aceitam até hoje que tenham perdido o poder em 2002, quando assumiu um presidente da República fora do seu controle, que não os consultava mais sobre a nomeação do ministro da Fazenda, nem os convidava para saraus no Alvorada.

Pouco importa que nestes dez anos tenha melhorado a vida da grande maioria dos brasileiros de todos os níveis sociais, inclusive a dos empresários da mídia, resgatando milhões de brasileiros da pobreza e da miséria, e dando início a um processo de distribuição de renda que mudou a cara do País.

Lula e o PT continuam representando para eles o inimigo a ser abatido. Pensaram que o grande momento tinha chegado este ano quando o julgamento do mensalão foi marcado, como eles queriam, para coincidir com o processo eleitoral.

Uma enxurada de capas de jornais e revistas com quilômetros de textos criminalizando o PT e latifúndios de espaço sobre o julgamento nos principais telejornais nos últimos três meses, todas as armas foram colocadas à disposição da oposição para o cerco final ao ex-presidente, mas a bala de prata deu chabu.

Na noite de domingo, quando foram anunciados os resultados, a decepção deve ter sido grande nos salões da confraria do Millenium, como dava para notar na indisfarçada expressão de derrota dos seus principais porta-vozes, buscando explicações para o que aconteceu.

Passada a régua nos números, apesar de todos os ataques da grande aliança formada pela mídia com os setores mais conservadores da sociedade brasileira, o PT de Lula e Dilma saiu das urnas maior do que entrou, como o grande vencedor desta eleição.

"PT — O maior vencedor" é o título do quadro publicado pela Folha ao lado dos mapas das Eleições em todo o País. Segundo o jornal, o PT "foi o campeão em dois dos mais importantes critérios. Além de ter sido o mais votado no 1º turno (17,3 milhões), é o que irá governar para o maior número de eleitores".

De fato, com os resultados do segundo turno, o PT irá governar cidades com 37,1 milhões de habitantes, onde vive 20% do eleitorado do País. Com cidades habitadas por 30,6 milhões, o segundo colocado foi o PMDB, principal partido da base aliada.

"Em relação aos resultados das eleições de 2008, o total de eleitores governados por prefeitos petistas crescerá 29% em 2013, quando os eleitos ontem e no primeiro turno deverão assumir", contabiliza Ricardo Mendonça no mesmo jornal.

Do outro lado, aconteceu exatamente o contrário: "Já os partidos que fazem oposição ao governo Dilma Rousseff saem da eleição menores do que entraram. Na comparação com 2008, PSDB, DEM e PPS, os três principais oposicionistas, terão 309 prefeituras a menos. Puxados  para baixo principalmente pelo DEM, irão governar para 10,5 milhões de eleitores a menos".

Curiosa foi a manchete encontrada pelo jornal "O Globo" para esconder a vitória do PT: "Partidos ficam sem hegemonia nas capitais". E daí? Quando, em tempos recentes, algum partido teve hegemonia nas capitais? Só me lembro da Arena, nos tempos da ditadura militar, que o jornal apoiou e defendeu, quando não havia eleições diretas.

O que eles estarão preparando agora para 2014? Sem José Serra, que perdeu de novo para um candidato do PT que nunca havia disputado uma eleição, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad, eleito com 55,57% dos votos, terão que encontrar primeiro um novo candidato.

Ao bater de frente pela segunda vez seguida num "poste do Lula", o tucano preferido da mídia corre agora o risco de perder também a carteira de motorista.

 .

PT conquista 7 das 10 maiores cidades da Grande São Paulo


O PT conquistou sete das 10 cidades com maior eleitorado da região metropolitana de São Paulo e aumentou seu domínio na mesma região em comparação à última eleição, quando elegeu seis prefeitos nesses municípios.
Com a vitória do petista Fernando Haddad em São Paulo, e de Carlos Grana em Santo André, o partido conquista duas prefeituras que estavam sob domínio de outras legendas, o PSD, em São Paulo e o PTB, em Santo André e passa a comandar agora a maior cidade do Brasil e uma das maiores do Estado.
Em outras cinco cidades sobre seu domínio, o partido conseguiu manter-se no governo. Em Guarulhos, segundo maior colégio eleitoral do Estado, Sebastião Almeida se reelegeu com 60% dos votos, e derrotou, no segundo turno, Carlos Roberto (PSDB).
Em São Bernardo do Campo, casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e terceiro maior colégio eleitoral do Estado, Luiz Marinho se reelegeu logo no primeiro turno. Ligado a Lula, o petista é um dos cotados a disputar o governo de São Paulo, em 2014 e fortalece seu nome com o desempenho desta eleição.
Em Osasco, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manter a cassação da candidatura de Celso Giglio (PSDB), que foi o mais votado no primeiro turno, o petista Jorge Lapas, venceu a eleição e mantém a cidade sob o comando da legenda, assumindo o posto no lugar de Emídio de Souza (PT).
Em Mauá, Donisete Braga assume o executivo da cidade no lugar de Oswaldo Dias (PT), que venceu a eleição de 2008 e reassumiu o comando do PT na cidade. Em Carapicuíba, Sergio Ribeiro (PT) conseguiu sua reeleição já no primeiro turno, com 67,68% dos votos, e também mantém a cidade sob o controle petista.
Além dessas sete cidades, o PT também passará a administrar outros dois municípios da Grande São Paulo, região que abrange um total de 39 cidades. O partido também controlará, a partir de janeiro de 2013, as cidades de Embu, com Chico Brito, e Franco da Rocha, com Kiko.
No Esquerdopata

O Partido dos trabalhadores e as Eleições 2012

O SARAIVA

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Eleições 2012: PT conquista 635 prefeituras em todo o País


Partido aumentou 14% o número de cidades governadas em relação à eleição de 2008
A Secretaria Nacional de Organização divulgou o balanço dos resultados do PT nas eleições municipais de 2012.
O PT conquistou 635 prefeituras nos dois turnos da votação e manteve o seu crescimento constante. De acordo com o levantamento, em comparação às eleições de 2008 o Partido ampliou em 14% o número de prefeituras.
(gráfico 1)








O PT recebeu 17.264.643 votos para prefeito, que é a maior votação de um partido nas eleições deste ano.
Entre as cidades com mais de 150 mil eleitores, o PT venceu em 21 cidades, sendo quatro capitais (São Paulo, Goiânia, João Pessoa e Rio Branco). Nestas 21 cidades estão hoje 16,1 milhões de eleitores.
De acordo com a SORG, o Partido manteve a sua força nos grandes centros e aumenta a sua capacidade ao eleger mais prefeitos e prefeitas nos pequenos e médios municípios. Foram eleitos 264 prefeituras em cidades de 10 a 50 mil eleitores e 298 em cidades de até 10 mil eleitores.
(gráfico 2)







*Via Portal do PT/RS  http://portal.ptrs.org.br

PSDB é assim: para os amigos, tudo; para os adversários políticos, a força da lei


Enquanto em São Paulo o candidato derrotado à prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), faz discurso sobre a ética de seu partido e usa “mensalão” em seus discursos para atacar a oposição, em Goiás, seu colega e correligionário tenta escapar de  mais uma investigação.
Na segunda feira (29), o site do STF informou que o governador de Goiás, Marconi Perillo, impetrou Mandado de Segurança (MS 31689), junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), com pedido de liminar para que ele não seja convocado ou obrigado a comparecer perante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as atividades de Carlos Augusto Ramos, o bicheiro conhecido por Carlinhos Cachoeira. Leia a matéria completa aqui

Haddad começou bem, arregaçando as mangas

 
O prefeito eleito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), nem bem comemorou a vitória no dia da eleição e no dia seguinte já estava trabalhando.

De manhã cedo na segunda-feira voou para Brasília e encontrou-se com a presidenta Dilma para agradecer o apoio e estabelecer uma rotina de trabalho, com uma equipe de interlocução com o governo federal para trazer investimentos federais que existem e estão à espera de projetos. Haddad disse também que outro tema acertado com a Presidenta foi tratar da renegociação dos termos da dívida municipal, mas foi discreto ao não aprofundar sobre o assunto que, aparentemente, já estava em estudos no governo federal, diante da nova conjuntura da queda dos juros.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, já declarou ser favorável em alterar o indexador da dívida dos estados e municípios do IGP-DI para a Selic, que tem taxas menores. "As negociações com São Paulo são complexas porque a dívida lá é maior", afirmou.

As medidas em estudo beneficiarão todos os municípios brasileiros em situação semelhante.

Ainda na segunda-feira, Haddad visitou o presidente Lula em seu instituto, para agradecer o apoio. Lula disse que saiu de cena no dia da vitória, porque a estrela da festa era o Haddad. Ao discursar para militantes na festa da vitória na Avenida Paulista na noite de domingo, Haddad brincou dizendo que era "um poste do Lula".

Na manhã de terça-feira, Haddad encontrou-se com o governador Geraldo Alckmin (PSDB).


Haddad disse querer ir além de manter as parcerias existentes entre a prefeitura e o estado. Pretende explorar novas oportunidades. "Depois da eleição é hora de somar esforços para realizar os desejos expressos durante o período eleitoral. Colocaremos o interesse público sempre acima de qualquer outro interesse", afirmou.

Um dos primeiros assuntos tratados foi reunir esforços municipais, estaduais e federais para zerar o déficit de creches em São Paulo. O governo federal tem recursos para 170 creches, o governo estadual tem um programa e tem terrenos, e a prefeitura precisa fazer a sua parte reunindo todos estes recursos.

Alckmin recebeu o prefeito eleito com um largo sorriso, parecendo até aliviado com a vitória de Haddad em vez de Serra, e disse: "Há uma importante sinergia entre estado e município e quem ganha é a população. Sugeri para quando tivemos as equipes prontas, detalharmos as propostas de saúde, educação, transporte, segurança, saneamento, macro drenagem e os outros temas. Desejei um ótimo trabalho e vamos estar juntos em beneficio da população", afirmou o governador.

Sete segredos e uma pergunta que a grande imprensa esconde


É possível colher informações úteis na grande imprensa e aproveitar ideias esclarecedoras que são apresentadas por alguns analistas. Mas, são exceções. Além de não praticarem o jornalismo objetivo e investigativo, no geral, a grande imprensa e os “grandes especialistas” fazem das tripas coração para ocultar do público fatos e ideias que não lhes convém divulgar.
1. Numa conversa de “alto nível” nas emissoras de TV, ninguém quer ser um desmancha prazer. Afirmar que a eleição presidencial de 2014 está decidida seria o mesmo que falar um palavrão na frente da garotada. No entanto, é óbvio que a presidenta Dilma Roussef, que já era franca favorita, saiu da campanha eleitoral mais favorita ainda, posto que os três principais partidos da base governista – PT, PMDB e PSB – governam agora, nos municípios, 65 milhões de eleitores, contra minguados 25 milhões dos dois principais partidos de oposição (PSDB e DEM).
2. Silêncio! Falar ou escrever que a oposição se escondeu como um bichinho acuado seria o mesmo que soltar o diabo no meio da procissão. No entanto, é óbvio que a oposição não pôde se apresentar como tal. Nenhum candidato ou partido oposicionista (?) ousou falar contra o governo Dilma. Esconderam-se, ao contrário dos candidatos e partidos da situação que faziam questão de ostentar sua posição política pró-governo. Não queriam cair em desgraça. Falaram, quando muito, contra o partido da presidenta, agitando com o Mensalão, num tipo de discurso que explora o que há de mais atrasado na cultura política nacional que é a posição antipartido em geral. José Serra repetiu o tempo todo, como se fosse um achado literário, a vulgar expressão “a turma do PT” para se referir ao partido do governo. Ora, em 2014, será a própria chefia do executivo federal que estará em disputa. O que é que a oposição dirá ao eleitorado? Vai remendar a bandeira rota do mensalão? Vai se apresentar como continuadora do Governo Dilma? Nesse caso, apenas reforçarão a tendência da grande maioria do eleitorado em votar na reeleição da presidenta.
3. Falar que a agitação em torno do Mensalão e a exploração da homofobia evidenciam a inviabilidade eleitoral do programa político real da oposição, nem pensar! Seria atrapalhar a democracia que exige a “alternância no poder” – sempre que o poder não agrada a grande imprensa, claro. No entanto, se o PSDB confinou-se no discurso moralista contra a corrupção e na exploração do preconceito homofóbico é porque o seu programa real, que é um programa neoliberal ortodoxo, está em crise em toda América Latina e cada vez mais desmoralizado na Europa. Onde encontrar o programa real, e não o programa retórico, do PSDB?
Nas manifestações dos seus cardeais, deputados, economistas e intelectuais no dia-a-dia da luta política e, no mais das vezes, voltadas para um público restrito. Os tucanos vituperam contra a recuperação do salário mínimo – ameaçaria a previdência e a estabilidade da moeda, contra os programas de transferência de renda – o Bolsa Família não teria “porta de saída”…, contra as quotas sociais e raciais – ameaçariam o justo critério meritocrático e a unidade nacional…, contra o “protecionismo” para a produção industrial local – criaria cartórios…, contra a redução dos juros – esse desatino que nos afasta do famigerado centro da meta de inflação, a política de investimentos do BNDES etc. etc. Convenhamos que essas belas ideias, se reunidas num só pacote e apresentadas ao grande público, são a senha certa para o fiasco eleitoral. Melhor mesmo ficar na agitação contra a corrupção – dos outros partidos, é claro…
4. E Aécio Neves, a estrela ascendente do estagnado PSDB? Pegaria mal chamar atenção para o fato de que as “suas grandes vitórias” nas eleições municipais consistiram em eleger candidatos a prefeito pertencentes a um partido da base governista – o PSB – e não candidatos oposicionistas do próprio PSDB? Aécio foi a Campinas fazer comício para o candidato vitorioso Jonas Donizette, mas a propaganda desse último fazia questão de ostentar sua condição de apoiador da presidenta Dilma e de manter distância do partido de Aécio. Donizete entoava nas rádios campineiras jingles enaltecendo o governo e a figura da presidenta Dilma, nada de elogio ao tucanato. Essa foi uma das “vitórias” que Aécio organizou para a “oposição”!
5. Falar que a maioria definiu o voto politicamente seria cometer o pecado mortal de valorizar a vitória dos candidatos odiados pela grande imprensa e pelos “grandes especialistas”. No entanto, se a população votou em nomes desconhecidos, como o de Fernando Haddad em São Paulo, não seria, justamente, porque usou como critério para definir o voto o campo político que esse nome, até então desconhecido, representava? Carisma de Lula? Mas, além de ninguém saber ao certo o que poderia significar “carisma”, a grande imprensa e os “grandes especialistas” sempre disseram que carisma não se transfere… E o “conceito” de “poste”? Vale lembrar que a expressão foi muito usada na época da ditadura militar para indicar o seguinte: a maioria sufraga os nomes, conhecidos ou não, que se declarem contra a ditadura, isto é, o voto em “poste”, como foi dito da candidatura senatorial vitoriosa de Orestes Quércia em 1974, era – corretamente – avaliado como um voto politizado, e não como voto personalista. Mudaram-se os tempos, mudaram-se os interesses, mudaram-se, sem pejo, os conceitos.
6. Seria falta de modos perguntar, numa mesa redonda de um canal qualquer de TV, quantas vezes a antiga UDN, à qual o PSDB se parece cada vez mais, derrotou o varguismo agitando a bandeira da luta contra a corrupção? José Serra, depois de obter 78% dos votos nos Jardins, o bairro onde reside a alta burguesia paulistana, e míseros 16% no proletário bairro de Parelheiros, terá, a exemplo do candidato presidencial udenista, o Brigadeiro Eduardo Gomes, a franqueza e a resignação para desdenhar os votos dos “marmiteiros”?
 7. Nas mesas redondas, quadradas e retangulares montadas pelas emissoras de TV, não se diz nada que extrapole a alternativa PT/PSDB; mas, esperar uma discussão sobre a possibilidade de acumulação de forças de um programa político popular, alternativo ao programa do governo atual, seria iludir-se quanto à natureza de classe da grande imprensa e dos “grandes especialistas”.
8. Onde se pode ler, ver e ouvir mais bobagens, abobrinhas e ideias repletas de segundas intenções? Nos jornalismo político, no jornalismo econômico, no cultural ou na imprensa esportiva?
Armando Boito Júnior é professor do Departamento de Ciência Política – Unicamp
No Escrevinhador

Um balanço das eleições municipais

Emir Sader

As eleições municipais foram sobre determinadas pelas eleições de São Paulo. Em primeiro lugar porque é o centro dos dois partidos mais importantes do Brasil nas últimas duas décadas. Em segundo, pelo peso que a cidade tem no conjunto do país – pelo seu peso econômico, por ser sede de dois dos 3 maiores jornais da velha mídia. Esse caráter emblemático foi reforçado porque o candidato opositor ao governo federal foi o mesmo candidato à presidência derrotado há dos anos, enquanto o candidato do bloco do governo federal foi indicado pelo Lula, que se empenhou prioritariamente na sua eleição. E pelo fato de que São Paulo era o epicentro do bloco da direita, que se estendia ao Paraná, Santa Catarina e aos estados do roteiro da soja, no centro oeste do Brasil
As eleições municipais tiveram claros vencedores e derrotados. O maior vencedor foi o governo federal, que ampliou o numero de prefeituras conquistadas pelos partidos que o apoiam, mas principalmente conquistou cidades importantes como São Paulo e Curitiba, arrebatadas ao eixo central da oposição. Ao mesmo tempo que a oposição seguiu sua tendência a se enfraquecer a cada eleição, ao longo de toda a ultima década, perdendo desta vez especialmente a capital paulista, mas também a paranaense e em toda a região Sul, Sudeste e Centro Oeste, em que os tucanos não conseguiram eleger nenhum prefeito nas capitais.
No plano nacional, avança claramente a base aliada, com dois dos seus partidos fortalecendo-se: PT e PSB e enfraquecendo-se relativamente o PMDB. Houve uma certa fragmentação no interior da base aliada e mesmo no bloco opositor, mas nada que mude a tendência, que se consolida ao longo da década, da hegemonia do bloco governamental, apontando a que nas eleições de 2014 Dilma apareça como a franca favorita,
A eleição de São Paulo se dá na contramão da tendência que se havia consolidado nas eleições presidenciais de 2006 e 2010, em que o Nordeste, de bastião da direita, se havia tornado bastião da esquerda, pelo voto popular dos maiores beneficiários das politicas sociais que caracterizam o governo federal desde 2003. Por outro lado, se havia deslocado o bastião da direita para os estados mais ricos do sul, do sudeste e do centro-oeste, com São Paulo – onde os tucanos tinham a prefeitura e o governo do Estado – como eixo fundamental desse bloco opositor.
A derrota em São Paulo, a nova derrota do seu ex-candidato duas vezes à presidência e a incapacidade de eleger sequer um prefeito em toda essa região, demonstra como a direita se enfraquece também onde concentrava seu maior apoio.
Por outro lado, somando erros do PT e campanhas com forte apoio de governos estaduais que detem, aliados do governo derrotaram o PT em várias cidades importantes entre elas Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza, como as mais significativas. Somente em um caso – Salvador – essa derrota se deu para a direita. Revela erros – em alguns casos gravíssimos do PT, como Salvador e Recife – do PT e limitações da ação de Lula e de Dilma para compensar esses erros. Um grande chamado de atenção sobre fraquezas do PT, sem que afete em nada a projeção eleitoral presidencial para 2014.
A derrota em São Paulo é um golpe duro para os tucanos, que sempre contavam com um caudal grande de votos paulistas para ter chances de compensar os votos do nordeste dos candidatos do PT e agora se veem enfraquecidos em toda a região onde antes triunfavam. Eventuais candidatos presidenciais como Aécio – quase obrigado a se candidatar, embora com chances muito pequenas de um protagonismo importantes, quanto mais ainda de vencer – ou Eduardo Campos – sem possibilidades de se projetar como líder nacional foram dos marcos do bloco do governo, que já tem Dilma como candidata para 2014 -, são objeto de especulações jornalísticas, à falta de outro tema, mas tem reduzidas possibilidades eleitorais.
O julgamento do processo no STF contra o PT foi um dos temas centrais de Serra e revelou sua escassa influência eleitoral diante da imensidade dos problemas das cidades brasileiras e do interesse restrito da população, apesar da velha mídia tentar fazer dele o tema central do Brasil. Nas urnas, o povo demonstrou que sua transcendência é muito restrita a setores opositores e à opinião publica fabricada pelos setores monopolistas da velha mídia. Os implicados no julgamento ao basicamente dirigentes paulistas do PT, mas a eleição em São Paulo demonstrou como o julgamento e a influência da velha mídia continuam a ser decrescentes.
Outros temas podem ser analisados a partir do resultado eleitoral, mas eles não alteram em nada fundamental o transcurso da politica brasileira, que segue centrada em torno da resistência do governo aos efeitos recessivos da crise capitalista internacional, para elevar os índices de crescimento da econômica e seguir expandindo as políticas sociais.

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Do Blog O Esquerdopata.

Outra vez a Opinião Pública derrota a opinião publicada

Um balanço das eleições municipais

Emir Sader

As eleições municipais foram sobre determinadas pelas eleições de São Paulo. Em primeiro lugar porque é o centro dos dois partidos mais importantes do Brasil nas últimas duas décadas. Em segundo, pelo peso que a cidade tem no conjunto do país – pelo seu peso econômico, por ser sede de dois dos 3 maiores jornais da velha mídia. Esse caráter emblemático foi reforçado porque o candidato opositor ao governo federal foi o mesmo candidato à presidência derrotado há dos anos, enquanto o candidato do bloco do governo federal foi indicado pelo Lula, que se empenhou prioritariamente na sua eleição. E pelo fato de que São Paulo era o epicentro do bloco da direita, que se estendia ao Paraná, Santa Catarina e aos estados do roteiro da soja, no centro oeste do Brasil
As eleições municipais tiveram claros vencedores e derrotados. O maior vencedor foi o governo federal, que ampliou o numero de prefeituras conquistadas pelos partidos que o apoiam, mas principalmente conquistou cidades importantes como São Paulo e Curitiba, arrebatadas ao eixo central da oposição. Ao mesmo tempo que a oposição seguiu sua tendência a se enfraquecer a cada eleição, ao longo de toda a ultima década, perdendo desta vez especialmente a capital paulista, mas também a paranaense e em toda a região Sul, Sudeste e Centro Oeste, em que os tucanos não conseguiram eleger nenhum prefeito nas capitais.
No plano nacional, avança claramente a base aliada, com dois dos seus partidos fortalecendo-se: PT e PSB e enfraquecendo-se relativamente o PMDB. Houve uma certa fragmentação no interior da base aliada e mesmo no bloco opositor, mas nada que mude a tendência, que se consolida ao longo da década, da hegemonia do bloco governamental, apontando a que nas eleições de 2014 Dilma apareça como a franca favorita,
A eleição de São Paulo se dá na contramão da tendência que se havia consolidado nas eleições presidenciais de 2006 e 2010, em que o Nordeste, de bastião da direita, se havia tornado bastião da esquerda, pelo voto popular dos maiores beneficiários das politicas sociais que caracterizam o governo federal desde 2003. Por outro lado, se havia deslocado o bastião da direita para os estados mais ricos do sul, do sudeste e do centro-oeste, com São Paulo – onde os tucanos tinham a prefeitura e o governo do Estado – como eixo fundamental desse bloco opositor.
A derrota em São Paulo, a nova derrota do seu ex-candidato duas vezes à presidência e a incapacidade de eleger sequer um prefeito em toda essa região, demonstra como a direita se enfraquece também onde concentrava seu maior apoio.
Por outro lado, somando erros do PT e campanhas com forte apoio de governos estaduais que detem, aliados do governo derrotaram o PT em várias cidades importantes entre elas Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza, como as mais significativas. Somente em um caso – Salvador – essa derrota se deu para a direita. Revela erros – em alguns casos gravíssimos do PT, como Salvador e Recife – do PT e limitações da ação de Lula e de Dilma para compensar esses erros. Um grande chamado de atenção sobre fraquezas do PT, sem que afete em nada a projeção eleitoral presidencial para 2014.
A derrota em São Paulo é um golpe duro para os tucanos, que sempre contavam com um caudal grande de votos paulistas para ter chances de compensar os votos do nordeste dos candidatos do PT e agora se veem enfraquecidos em toda a região onde antes triunfavam. Eventuais candidatos presidenciais como Aécio – quase obrigado a se candidatar, embora com chances muito pequenas de um protagonismo importantes, quanto mais ainda de vencer – ou Eduardo Campos – sem possibilidades de se projetar como líder nacional foram dos marcos do bloco do governo, que já tem Dilma como candidata para 2014 -, são objeto de especulações jornalísticas, à falta de outro tema, mas tem reduzidas possibilidades eleitorais.
O julgamento do processo no STF contra o PT foi um dos temas centrais de Serra e revelou sua escassa influência eleitoral diante da imensidade dos problemas das cidades brasileiras e do interesse restrito da população, apesar da velha mídia tentar fazer dele o tema central do Brasil. Nas urnas, o povo demonstrou que sua transcendência é muito restrita a setores opositores e à opinião publica fabricada pelos setores monopolistas da velha mídia. Os implicados no julgamento ao basicamente dirigentes paulistas do PT, mas a eleição em São Paulo demonstrou como o julgamento e a influência da velha mídia continuam a ser decrescentes.
Outros temas podem ser analisados a partir do resultado eleitoral, mas eles não alteram em nada fundamental o transcurso da politica brasileira, que segue centrada em torno da resistência do governo aos efeitos recessivos da crise capitalista internacional, para elevar os índices de crescimento da econômica e seguir expandindo as políticas sociais.

Sete segredos e uma pergunta que a grande imprensa esconde


É possível colher informações úteis na grande imprensa e aproveitar ideias esclarecedoras que são apresentadas por alguns analistas. Mas, são exceções. Além de não praticarem o jornalismo objetivo e investigativo, no geral, a grande imprensa e os “grandes especialistas” fazem das tripas coração para ocultar do público fatos e ideias que não lhes convém divulgar.
1. Numa conversa de “alto nível” nas emissoras de TV, ninguém quer ser um desmancha prazer. Afirmar que a eleição presidencial de 2014 está decidida seria o mesmo que falar um palavrão na frente da garotada. No entanto, é óbvio que a presidenta Dilma Roussef, que já era franca favorita, saiu da campanha eleitoral mais favorita ainda, posto que os três principais partidos da base governista – PT, PMDB e PSB – governam agora, nos municípios, 65 milhões de eleitores, contra minguados 25 milhões dos dois principais partidos de oposição (PSDB e DEM).
2. Silêncio! Falar ou escrever que a oposição se escondeu como um bichinho acuado seria o mesmo que soltar o diabo no meio da procissão. No entanto, é óbvio que a oposição não pôde se apresentar como tal. Nenhum candidato ou partido oposicionista (?) ousou falar contra o governo Dilma. Esconderam-se, ao contrário dos candidatos e partidos da situação que faziam questão de ostentar sua posição política pró-governo. Não queriam cair em desgraça. Falaram, quando muito, contra o partido da presidenta, agitando com o Mensalão, num tipo de discurso que explora o que há de mais atrasado na cultura política nacional que é a posição antipartido em geral. José Serra repetiu o tempo todo, como se fosse um achado literário, a vulgar expressão “a turma do PT” para se referir ao partido do governo. Ora, em 2014, será a própria chefia do executivo federal que estará em disputa. O que é que a oposição dirá ao eleitorado? Vai remendar a bandeira rota do mensalão? Vai se apresentar como continuadora do Governo Dilma? Nesse caso, apenas reforçarão a tendência da grande maioria do eleitorado em votar na reeleição da presidenta.
3. Falar que a agitação em torno do Mensalão e a exploração da homofobia evidenciam a inviabilidade eleitoral do programa político real da oposição, nem pensar! Seria atrapalhar a democracia que exige a “alternância no poder” – sempre que o poder não agrada a grande imprensa, claro. No entanto, se o PSDB confinou-se no discurso moralista contra a corrupção e na exploração do preconceito homofóbico é porque o seu programa real, que é um programa neoliberal ortodoxo, está em crise em toda América Latina e cada vez mais desmoralizado na Europa. Onde encontrar o programa real, e não o programa retórico, do PSDB?
Nas manifestações dos seus cardeais, deputados, economistas e intelectuais no dia-a-dia da luta política e, no mais das vezes, voltadas para um público restrito. Os tucanos vituperam contra a recuperação do salário mínimo – ameaçaria a previdência e a estabilidade da moeda, contra os programas de transferência de renda – o Bolsa Família não teria “porta de saída”…, contra as quotas sociais e raciais – ameaçariam o justo critério meritocrático e a unidade nacional…, contra o “protecionismo” para a produção industrial local – criaria cartórios…, contra a redução dos juros – esse desatino que nos afasta do famigerado centro da meta de inflação, a política de investimentos do BNDES etc. etc. Convenhamos que essas belas ideias, se reunidas num só pacote e apresentadas ao grande público, são a senha certa para o fiasco eleitoral. Melhor mesmo ficar na agitação contra a corrupção – dos outros partidos, é claro…
4. E Aécio Neves, a estrela ascendente do estagnado PSDB? Pegaria mal chamar atenção para o fato de que as “suas grandes vitórias” nas eleições municipais consistiram em eleger candidatos a prefeito pertencentes a um partido da base governista – o PSB – e não candidatos oposicionistas do próprio PSDB? Aécio foi a Campinas fazer comício para o candidato vitorioso Jonas Donizette, mas a propaganda desse último fazia questão de ostentar sua condição de apoiador da presidenta Dilma e de manter distância do partido de Aécio. Donizete entoava nas rádios campineiras jingles enaltecendo o governo e a figura da presidenta Dilma, nada de elogio ao tucanato. Essa foi uma das “vitórias” que Aécio organizou para a “oposição”!
5. Falar que a maioria definiu o voto politicamente seria cometer o pecado mortal de valorizar a vitória dos candidatos odiados pela grande imprensa e pelos “grandes especialistas”. No entanto, se a população votou em nomes desconhecidos, como o de Fernando Haddad em São Paulo, não seria, justamente, porque usou como critério para definir o voto o campo político que esse nome, até então desconhecido, representava? Carisma de Lula? Mas, além de ninguém saber ao certo o que poderia significar “carisma”, a grande imprensa e os “grandes especialistas” sempre disseram que carisma não se transfere… E o “conceito” de “poste”? Vale lembrar que a expressão foi muito usada na época da ditadura militar para indicar o seguinte: a maioria sufraga os nomes, conhecidos ou não, que se declarem contra a ditadura, isto é, o voto em “poste”, como foi dito da candidatura senatorial vitoriosa de Orestes Quércia em 1974, era – corretamente – avaliado como um voto politizado, e não como voto personalista. Mudaram-se os tempos, mudaram-se os interesses, mudaram-se, sem pejo, os conceitos.
6. Seria falta de modos perguntar, numa mesa redonda de um canal qualquer de TV, quantas vezes a antiga UDN, à qual o PSDB se parece cada vez mais, derrotou o varguismo agitando a bandeira da luta contra a corrupção? José Serra, depois de obter 78% dos votos nos Jardins, o bairro onde reside a alta burguesia paulistana, e míseros 16% no proletário bairro de Parelheiros, terá, a exemplo do candidato presidencial udenista, o Brigadeiro Eduardo Gomes, a franqueza e a resignação para desdenhar os votos dos “marmiteiros”?
 7. Nas mesas redondas, quadradas e retangulares montadas pelas emissoras de TV, não se diz nada que extrapole a alternativa PT/PSDB; mas, esperar uma discussão sobre a possibilidade de acumulação de forças de um programa político popular, alternativo ao programa do governo atual, seria iludir-se quanto à natureza de classe da grande imprensa e dos “grandes especialistas”.
8. Onde se pode ler, ver e ouvir mais bobagens, abobrinhas e ideias repletas de segundas intenções? Nos jornalismo político, no jornalismo econômico, no cultural ou na imprensa esportiva?
Armando Boito Júnior é professor do Departamento de Ciência Política – Unicamp
No Escrevinhador

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A nota falsa da Veja sobre Lewandowski

´Enviado por luisnassif, seg, 29/10/2012 - 14:14
Por Marco St.
Comentário ao post "Nosso comentarista viu: não houve agressão a Lewandowski"
E não foi a primeira vez. Essa aqui foi a Veja
Do Brasil 247
Além de nociva à Justiça, nota de Veja era falsa

Tratando o julgamento da Ação Penal 470 como um concurso de beleza entre juízes, para premiar o ministro do Supremo Tribunal Federal que sai melhor na foto, a coluna Radar, de Lauro Jardim, noticiou ontem que o “herói” Joaquim Barbosa era tietado por alunos, enquanto o “vilão” Ricardo Lewandowski vinha sendo ignorado. Era mentira
247 – Fosse verdadeira, a nota publicada ontem na coluna Radar, de Lauro Jardim, contaria mais pontos a favor de Ricardo Lewandowski do que de Joaquim Barbosa. Dizia o texto que, enquanto o primeiro era ignorado por estudantes de direito, o segundo posava para fotos e distribuía autógrafos. Como o papel de um juiz não é exatamente o de granjear popularidade, a nota em si era prejudicial ao próprio conceito de Justiça.
Ocorre que a nota era também falsa. Os mesmos estudantes de Direito que pediram para tirar fotos com o relator Joaquim Barbosa fizeram o mesmo em relação ao revisor Ricardo Lewandowski. Ou seja: prestaram homenagens aos dois ministros. Mas o roteiro que se constrói nos meios de comunicação é diferente. Só os bons (os “nossos”) merecem aplausos. Os que ousam divergir, devem ser tratados com desprezo.
Ocorre que, ontem, o “herói” Joaquim Barbosa passou pelo constrangimento de aplicar penas não previstas no Código Penal, tendo de ser corrigido, no plenário, pelos próprios colegas.
Leia, abaixo, notícia anterior do 247 sobre a nota falsa da coluna Radar:
QUANDO A IMPRENSA AJUDA A DESTRUIR A JUSTIÇA 
Nota de Lauro Jardim, de Veja, insinua que a qualidade de um juiz está relacionada à quantidade de autógrafos que distribui ou de tietes que pedem fotos ao seu lado; incensando pelos meios de comunicação, Joaquim Barbosa é popular; atacado, Ricardo Lewandowski não venceu o concurso de popularidade; e o que isso importa?
247 – O julgamento da Ação Penal 470, que acaba de merecer dois blocos do Jornal Nacional, a cinco dias de uma eleição, ainda haverá de seu julgado. E será, talvez, lembrado como o exemplo de como um circo montado por meios de comunicação pode corroer o próprio conceito de Justiça.
Nesta tarde, o colunista Lauro Jardim, da revista Veja, publicou uma nota sintomática. Disse que, nesta terça, no plenário, enquanto Joaquim Barbosa era tietado, Ricardo Lewandowski era ignorado. Se é esse o parâmetro para avaliar a conduta de um juiz, o Brasil caminha para o abismo jurídico.
Abaixo, a nota de Lauro Jardim:
A popularidade de Barbosa e de Lewandowski
Ao final da sessão de hoje do julgamento do mensalão, um grupo de estudantes pediu para tirar uma fotografia com Joaquim Barbosa.
Enquanto esperavam para entrar no salão branco, onde circulam os ministros após a sessão, Ricardo Lewandowski passou pelo grupo.
Muito educado, identificou e cumprimentou a professora da turma. Sorriu, conversou um pouco com os alunos e seguiu rumo a seu gabinete.
Com ele, ninguém quis tirar foto.

Jorge Viana: Prioridade do PT passa de inclusão a qualidade dos serviços públicos

publicado em 29 de outubro de 2012 às 18:32
Vitória em SP amplia coesão e cacife de Lula no PT
Valor Econômico em 29/10/12
Por Caio Junqueira | De São Paulo
O prefeito eleito ontem por São Paulo, Fernando Haddad, subscreveu em 2005 uma espécie de manifesto intitulado Mensagem ao Partido. A elaboração do texto foi liderada pelo então presidente do PT, Tarso Genro, e propunha a refundação da legenda na sequência da crise do mensalão. Uma clara oposição ao grupo que ficou conhecido como Campo Majoritário, cujos principais protagonistas -José Dirceu à frente- estampavam à época as páginas dos jornais em meio às denúncias do mensalão. O manifesto também inaugurou uma nova corrente partidária considerada mais à esquerda na sigla.
Desde então, Haddad passou a ser considerado como integrante da “Mensagem” e nunca questionou essa avaliação.
Até que no início deste ano, em uma reunião da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), o novo nome do antigo Campo Majoritário, ele passou por uma espécie de sabatina. O ponto alto ocorreu quando o deputado federal Ricardo Berzoini (SP) disse que era importante ele se posicionar sobre sua tendência interna e garantir que em caso de vitória não iria favorecer nenhuma das muitas correntes que compõem e disputam o poder interno da sigla. “Minha tendência é o PT”, respondeu.
Ali, foram selados dois rumos para o partido que o resultado de ontem nas urnas em São Paulo irá reforçar. A diminuição dos embates internos petistas que tanto caracterizaram o PT ao longo dos seus 32 anos de história e a condução do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma posição de influência como nunca antes exerceu sobre a legenda. Tanto que, relatam petistas, o que mais se ouve hoje nas conversas sobre tudo referente ao partido e ao governo é: “Já falou com o Lula?”.
Por essa razão, o debate das eleições internas no segundo semestre de 2013 se coloca hoje com ares de consenso: será eleito quem Lula indicar. Afinal, ele elegeu dois técnicos desconhecidos — Dilma Rousseff e Haddad — para os cargos mais importantes em disputa, respectivamente, em 2010 e em 2012.
Assim, é certo que o PT se curvará a ele em 2013. “É o Lula que vai decidir a próxima eleição interna. O fato de ele ter ganho a presidência duas vezes, eleito a Dilma e depois o Haddad enfraqueceu todas as tendências. Esse palco de tendências vai ficar diluído”, disse o deputado Cândido Vaccarezza (PT), da CNB.
“As correntes ficaram muito parecidas. A definição dos postos estratégicos no partido passa por um acordo com o Lula”, disse o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), e integrante da PT de Lutas e de Massas. “Há um cenário de unidade. Lula tem faro político”, disse o deputado Paulo Teixeira (SP), da “Mensagem”.
A questão controversa é que, a despeito da idolatria a Lula, ninguém no partido concorda com a tese de que o PT, enquanto Lula existir, será partido de um homem só, moldado no caciquismo político. Os petistas prontamente rebatem a ideia, sob o argumento de que o que ali ocorre é que Lula, por ser quem é, consegue arregimentar um maior número de apoiadores para suas ideias que precisam estar em conexão com o pensamento médio da legenda.
No caso da eleição interna de 2013, a dúvida é se haverá uma consistente maioria do partido para avalizar a tese central de Lula já referendada por Dilma de que a aliança preferencial da campanha de 2014 é ao centro, com o PMDB, e não à esquerda, com o PSB. Ou, sob outra ótica, se os descontentes com a opção já feita pelos dois principais nomes do PT terão coragem e força suficiente para levar adiante a polêmica e a insatisfação com essa opção.
Tendo por base essa dicotomia, nomes começam a circular no partido. O atual presidente do PT, Rui Falcão (SP), é apontado como o que saiu na frente. “Rui é favorito. Dirigiu a eleição pensando o país, foi o presidente que mais percorreu os municípios neste ano, tratou a todos de maneira igual, independentemente de correntes internas, fez o jogo todo combinado com Lula e, na maioria dos Estados, tem quem articula para ele”, afirmou o vice-líder do governo e vice-presidente do PT, deputado José Guimarães (CE).
Em outra frente, circula o nome do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (RS), que deixa o cargo em fevereiro. Ele garante que isso não está em debate ainda, mas que a lembrança de seu nome é “natural”. “Deixo o cargo em fevereiro, serei um quadro “solto”, não há disputa eleitoral em 2013 e o fato de ter passado pela presidência da Câmara me dá uma condição nacional. Mas, ao mesmo tempo, não gostaria de participar de uma disputa, preferiria trabalhar por um acordo”, declarou.
A lógica pensada por seu grupo na bancada é reproduzir no partido as mesmas condições que o levaram a ser eleito presidente da Câmara: o apoio de integrantes de todos os Estados e de todas as correntes políticas internas do PT — o que também mostra como elas perderam a força de outrora — como forma de contestar o poderio do grupo paulista da CNB mais ligado às antigas lideranças partidárias que saem combalidas do julgamento do mensalão.
Além disso, há uma diferença crucial deste grupo em relação ao que se articula em torno de Rui: o sentimento de que a aliança de 2014 deve ser feita à esquerda. Em outras palavras: deve privilegiar o PSB e não o PMDB.
Mesmo pensamento do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, de quem Maia se aproximou nos últimos meses. “Alianças devem caminhar da esquerda para o centro. Não se trata de preferência a um ou outro partido, mas como fazer uma aliança mais equilibrada com o PMDB fortalecendo os nossos princípios. Se não fica mais difícil implementá-los no futuro”, afirmou Genro.
Para ele, essa ideia se baseia no fato de que a oposição, hoje enfraquecida, em algum momento vai se rearticular e propor uma alternativa à direita. E se o PT rumar por esse caminho em 2014, em um futuro próximo não terá mais condições de se diferenciar da oposição.
Ocorre que a preferência pelo PMDB, além de ser efetivada em Brasília, em fevereiro, com o apoio do Palácio do Planalto às candidaturas de Renan Calheiros (AL) a presidente do Senado e a Henrique Eduardo Alves (RN) a presidente da Câmara, também a partir de janeiro começará a ser configurada no governo Haddad.
Embora ninguém acredite que ele vá jogar o prestígio obtido nas urnas para entrar no jogo partidário — ao contrário de Marta Suplicy, que constituiu um grupo político no seu entorno –, é certo que o molde político que seu governo tomar, orientado por Lula, apontará tendências futuras no PT. São Paulo será o principal laboratório petista de políticas públicas para a nova classe média constituída no país nos últimos anos, egressa da pobreza e que anseia por serviços públicos de qualidade.
Durante a campanha, esse setor foi seduzido pelo candidato Celso Russomano (PRB) a ponto de quase tirar o petista do segundo turno. O governo federal tenta, mas ainda patina no olhar específico para esse eleitorado.
“A vitória do Haddad deve inaugurar um novo modelo petista de governar. Antes a prioridade era a inclusão, agora é a qualidade do serviço público”, disse o senador Jorge Viana (PT-AC).
Além disso, trata-se de um nome formado não na primeira geração petista, que fundou o PT. “A eleição do Haddad repercute nas ideias do PT. Vai haver um debate sobre as ideias do partido a partir de um novo patamar que são essas mudanças na economia e na sociedade”, disse o secretário-geral do PT, Elói Pietá.
PS do Viomundo: Políticas públicas sem higienismo, com a ajuda da USP, foi o que escrevi aqui. Vladimir Safatle observou, aqui, que os limites do lulismo haviam sido atingidos; que só a oferta de serviços públicos gratuitos de qualidade, especialmente na saúde e educação, permitiriam um avanço da chamada nova classe média para um novo patamar.