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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Obsessão produtiva já faz Haddad prefeito de fato

 
Encontro com Dilma vira reunião de trabalho, visita a Alckmin será para buscar acesso para a capital a convênios estaduais, ida a Kassab visa montar transição e benção a Lula foi para iniciar montagem de governo: imediatamente após vitória eleitoral, Fernando Haddad ocupa todos espaços como administrador objetivo, frio e calculista; 247 traça retrato, a partir de dezenas de entrevistas, de que como será esse prefeito
Nas últimas 72 horas, 247 ouviu mais de duas dezenas de personagens que participaram diretamente da formulação, aplicação e ajustes da estratégia eleitoral de Fernando Haddad – a começar pelo próprio prefeito eleito.
Ministros de Estado, parlamentares, intelectuais que ajudaram a escrever o programa de governo, jornalistas que andaram atrás, à frente e ao lado do candidato pelo bairros de São Paulo, assessores diretos e, também, adversários. Dessas audições, emergiram informações inéditas, detalhes de relevância e impressões que, cada qual ao seu modo, contribuem para adiantar que tipo de prefeito terá a maior cidade da América Latina a partir de 1º de janeiro de 2013.
A primeira conclusão é: Haddad será um prefeito operoso. A tal ponto que, em quatro movimentos sucessivos e rápidos, ele imediatamente ocupou o espaço político que lhe foi concedido pelas urnas e, na prática, já vai ultrapassando a condições de prefeito eleito para ser o prefeito de fato.
Nos dois primeiros dias após a vitória, ele esteve com a presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira 29, pela manhã, no Palácio do Planalto, visitou o ex-presidente Lula e tem em sua agenda, para a terça 30, uma ida ao Palácio dos Bandeirantes, onde estará com o governador Geraldo Alckmin, e à Prefeitura, para dialogar com Gilberto Kassab.
O que poderiam ser, apenas, reuniões protocolares obrigatórias se transformaram em encontros de trabalho. Com Dilma, Haddad economizou tempo nos salamaleques e partiu, graças ao seu alinhamento direto com ela, para discutir a formação de grupos de trabalho que, na prática, irão levar para São Paulo pacotes federais de bilhões de reais para as áreas de Saúde, Educação, Transportes e Social.
Diante de Alckmin, a conversa iria girar, de acordo com os planos do futuro prefeito, em torno de parcerias concretas que poderão ser firmadas entre a municipalidade e o governo estadual.
"Queremos participar de todos os convênios abertos pelo governo estadual em benefício dos municípios paulistas", disse Haddad que, em meio as reuniões fechadas, concedeu uma longa entrevista coletiva da qual participaram mais de uma centena de profissionais da mídia. Ali, abriu uma idéia que será apresentada a Alckmin já no primeiro encontro: a que encampa uma das propostas de governo do adversário eleitoral José Serra, a de construir creches em terrenos estaduais próximos a estações de metrô.
"Se esses terrenos existem, vou saber do governador quais são e como podemos fazer uma parceria tripartite. O governo do Estado cede as áreas, o governo federal libera recursos para a construção das creches e a Prefeitura se encarrega de mantê-las em funcionamento", resumiu Haddad. Tão simples assim.
Sobressaiu, na resposta, um traço forte do perfil do futuro prefeito. "Ele deve ser visto por três ângulos: o administrador, porque é formado na matéria, o advogado, outro título acadêmico que ele tem, e o filósofo, porque Haddad é mestre nessa matéria", lembra um de seus colaboradores mais próximos durante a campanha.
Diante de Dilma, Alckmin e Kassab, com quem irá tratar sobre a fase de transição de informações de governo, de fato Haddad já pareceu agir muito mais como administrador do que como político. Em lugar de um discurso partidário, ele preferiu sublinhar, diante dos três executivos públicos, aspectos que tendem a fazer diferença no dia a dia de sua ação na Prefeitura.
O administrador Haddad igualmente mostrou sua marca durante a campanha, ao exigir de sua equipe de técnicos a conta precisa de gastos no orçamento municipal, a título de subsídios, para sustentar o valor para o público do bilhete único com validade de seis horas para o sistema de transporte coletivo na capital.
"Até que a conta fechasse, ele, pessoalmente, barrou a divulgação da proposta no programa de televisão", contou ao 247 um integrante da campanha. "Essa análise levou uma semana para ficar pronta. Havia quem quisesse lançá-la o quanto antes, porque precisávamos de fatos novos, mas ele não deixou. Só colocou a proposta no ar depois que teve a certeza que poderia cumprir a promessa em caso de ser eleito".
Na torturante marcha da campanha eleitoral, na qual ele, primeiro empacou abaixo dos 3% das intenções de voto, em seguida ficou parado na casa dos 8% para, só então, e até mesmo por um golpe de sorte (aqui), avançar paulatinamente até os 29% que o levaram ao segundo turno, Haddad exerceu mais de uma vez sua face de advogado. Ele pediu rigor no acompanhamento dos programas eleitorais do adversário José Serra, o que lhe valeu a conquista, ao longo do segundo turno, de quase vinte minutos na exposição tucana.
Filósofo, relatou um de seus parceiros, Haddad procurava ser nos momentos de corpo a corpo com a população. "Ele assumiu, discretamente, diante das pessoas mais humildes, um papel de mestre com sabedoria suficiente para ouvir mais do que falar. Quando gostava de uma idéia vinda de quem quer que fosse entre o público, telefonava em seguida para o João Santana (responsavél pelos programas de tevê do PT) e pedia o aproveitamento daquilo de alguma forma".
Metódico, Haddad reservou diversas terças-feiras, ao longo de toda a campanha, para ir à sede do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo. Ali, a cada semana coordenava debates que iam à exaustão em torno de diferentes pontos de seu programa de governo. Firmados os consensos, o próprio Haddad orientava os técnicos de sua equipe sobre como incluí-los em seu programa de governo. É certo, aliás, que o livro com as propostas do candidato para a cidade será bem mais que uma peça de propaganda. Será a sua bíblia. "Nosso programa foi discutido, compreendido e muito bem aceito. Tudo o que iremos fazer está ali", anuncia o próprio Haddad.
Outra de suas promessas é o que chama de transparência da informação. "Vai ser tudo online", crava, em relação à divulgação de informações sobre a Prefeitura. "Iremos estabelecer datas para a divulgação de dados do município. A data combinada a informação vai estar acessível pela internet. Vai acontecer, muitas vezes, de você (quem acessar) ter a informação antes que eu, se acessou antes. E isso não será problema nenhum. O governo municipal será transparente. Não iremos brigar contra fatos e números".
Das conversas de 247 com os mais próximos a Haddad, a palavra "político", para defini-lo, quase não apareceu. Certamente porque, agora, ele pretende ser cada vez menos político, mas, no fundo, sê-lo mais. Explica-se: com sua missão impossível cumprida, Haddad sabe que não precisa ocupar manchetes com o que se conhece como 'factóides' – a expressão usada pelo hoje vereador eleito no Rio de Janeiro Cesar Maia para justificar a necessidade permanente de os políticos ocuparem manchetes com juras que eles mesmos sabem que não irão cumprir.
Dá para enxergar, ainda, Haddad como um prefeito que será obsessivo pela produtidade. Reduzir o atual número de 27 secretarias municipais deverá ser a primeira medida que ele irá anunciar oficialmente. Ao mesmo tempo, um novo organograma para a máquina municipal já vai sendo desenhado, com mais poderes para os subprefeitos. Funções intermediárias na máquina administrativa igualmente serão prestigiadas, como forma de fortelecer elos de cadeias de comando. Para enfrentar, com agilidade, a endêmica corrupção na máquina municipal, Haddad já disse que irá criar a Controladoria Geral do Município, órgão anterior ao Tribunal de Contas. Deverá funcionar como um juizado de causas de todos os tamanhos, apontando falcatruas administrativas onde quer que elas aconteçam. Pode-se esperar, assim, uma grande cascata de denúncias sobre o mau funcionamento da máquina administrativa.
Esse modelo de trabalhar como prefeito, abrindo o leque de cargos com responsabilidade maior, e que pode ser visto como descentralizador -- bem ao contrário do modismo de décadas, pelo qual pegava bem um político deixar correr sobre si mesmo a fama de ser "centralizador" -- foi apresentado por Haddad ao presidente Lula, numa distante conversa, travada em 2005, quando o futuro prefeito acabara de assumir o Ministério da Educação. Presente estava a primeira-dama Marisa Letícia. Haddad disse a Lula que, diante da crise política que o cercava, com a eclosão dos primeiros estrondos do mensalão, o governo só teria uma saída. A de aumentar a produtividade da gestão. Não só Lula, mas também d. Marisa gostou daquele papo do novo colaborador presidencial. Ele começou, ali, a ganhar a confiança de ambos -- e parte do resultado dessa conexão se vê agora.
"Haddad tem claro que foi eleito prefeito para 'prefeitar' e não para politizar", conta um dos quadros de sua área política. "Não se concebe outro projeto para ele que não seja o de cumprir integralmente o mandato e se candidatar, com naturalidade, à própria reeleição", completa. "Isso quer dizer que ele sabe exatamente o que tem fazer pelos próximos quatro anos para ter outros quatro anos para fazer mais do mesmo. Só depois disso será vida que segue", filosofa o amigo do prefeito.
São Paulo, após ter em Gilberto Kassab um prefeito que dedicou todo o seu tempo livre e grande parte do horário de expediente para criar um partido político, o PSD; lembrar do anterior José Serra como aquele que ficou apenas um ano e sete meses para se trampolinar para o governo do Estado; recordar de Marta Suplicy, antes de ambos, pela gestão marcada pela emotividade; ter eleito o anódino Celso Pitta; consagrado, à época, o neoaliado petista e indefectível Paulo Maluf; surpreendido ao dar o voto à classista Luíza Erundina; e ter dado uma importantíssima contribuição ao folclores político com o histriônico (e, em muitos setores, competente) Jânio Quadros; essa São Paulo agora elegeu um prefeito que não quer ir além das sandálias que lhe foram oferecidas pelo povo. O negócio dele vai ser, como disse a boa fonte de 247, prefeitar.

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Haddad lança campanha: "Não temos medo do povo"

6 DE JULHO DE 2012 - 19H12 

O candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, deu o pontapé inicial de sua campanha nesta sexta (6), com uma caminhada pelas ruas do centro, acompanhada por cerca de 5 mil pessoas. Ao lado de sua vice, Nádia Campeão (PCdoB), do vereador Netinho de Paula (PCdoB), do Senador Eduardo Suplicy (PT) e de dirigentes dos partidos de sua coligação, Haddad  concluiu seu primeiro evento eleitoral com um ato político repleto de críticas ao adversário, o tucano José Serra.


 haddad
Haddad discurso para povo / Foto: Terra
No discurso, Haddad condenou a atitude de Serra, que decidiu iniciar a campanha em um "recinto fechado", segundo ele para evitar o contato com a população. "Nós não vamos para recinto fechado. Nós vamos para a rua falar com o povo para ganhar essa eleição. Nós não temos medo do povo. Nós queremos o povo conosco", discursou o candidato. Haddad referiu-se ao fato de Serra optar por fazer uma reunião na sede do PSDB paulistano.

De um carro de som, Haddad falou ao povo e aproveitou para pedir a presença permanente de Netinho ao seu lado. "Quero você junto da gente o tempo todo", disse. O candidato citou as administrações petistas de Luiza Erundina e Marta Suplicy e disse que, além do apoio delas, contará com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato convocou a militância às ruas. "Não vamos deixar a rua até a vitória", encerrou.

Depois de falar para a população, Haddad conversou com os jornalistas. O candidato comentou o balanço de metas da prefeitura de São Paulo, que divulgou a quantidade de promessas cumpridas pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP). De acordo com ele, Kassab merece nota 3,6.

"Na minha opinião, ele já se atribui nota 3,6 porque, no balanço de cumprimento de metas, ele disse que cumpriu 36% das promessas que fez. A cidade já fez um balanço dessa administração agora é olhar pra frente. Penso que quatro em cinco paulistanos querem uma mudança de rumo", disse.

Serra
Já o lançamento da campanha de Serra – um evento na sede do PSDB para a própria militância tucana - durou pouco mais de uma hora e não contou com a presença do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Gilberto Kassab, seus principais aliados. Em seu discurso, o candidato teve que fazer um chamado à unidade dentro do próprio ninho tucano e afirmou que fará “uma campanha limpa, de propostas”. 

Dando continuidade à sua estratégia de nacionalizar a disputa, ele afirmou que a disputa paulistana será determinante para o "futuro do Brasil". “Temos que fazer uma campanha unidos. Vocês sabem que políticos disputam até rolo de barbante usado. É normal. Fui oito anos deputado, oito anos senador, sempre lidei com o parlamento e é sempre assim. Agora, na hora da eleição, temos que estar unidos, saber quem é aliado e quem é adversário”, apelou.

Serra enfrenta resistências de apoio dentro do próprio PSDB. Setores do partido ligados ao secretário de Energia, José Aníbal, que disputou as prévias partidárias com Serra neste ano, permanecem distantes da campanha. No ato desta sexta, Aníbal não estava presente, assim como Bruno Covas e Ricardo Trípoli, também pré-candidatos da prévia tucana.

Acompanhe na Rádio Vermelho discurso emocionado do pré-candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad e da pré-candidata a vice-prefeita Nádia Campeão.

Rádio Vermelho - Campanha de Fernando Haddad e Nádia Campeão

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Com Erundina fica mais fácil

Crônicas do Motta
 
Se Luíza Erundina realmente for a vice de Fernando Haddad, a esquerda sairá com uma chapa fortíssima para a eleição paulistana. Haddad seria a cara nova, Erundina entraria com a experiência de já ter governado a metrópole, de conhecer as dificuldades administrativas e, principalmente, de saber responder positivamente aos pleitos da população mais necessitada.
 
Além disso, os dois se completam também no item honestidade, que hoje pesa tanto na avaliação do homem público. Até hoje não se conhece nenhum ato que desabone Haddad no longo período em que foi ministro da Educação. Podem até contestar algumas de suas realizações, mas ninguém apontou um indício sequer de qualquer tipo de irregularidade em sua gestão.
 
Quanto a Erundina, ela é um dos casos únicos de políticos que empobreceram na carreira.
 
Outro dia os jornais revelaram que o presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, tem como bens um Fusca e uma chácara e doa 90% de seu salário a instituições filantrópicas. Erundina deve ter menos ainda. Não faz tempo, os amigos tiveram de organizar um jantar para arrecadar dinheiro suficiente para que ela ficasse quite com a Justiça (sic) que a condenou por ter feito propaganda irregular (sic) em sua administração - só no Brasil, com os juízes que temos, acontece algo assim...
 
Para fechar de vez o caixão de José Serra falta convencer o PCdoB a entrar na coligação. Não que o partido tenha tantos votos assim na capital, mas seria interessante ver novamente os três partidos - PT, PSB e ele - juntos.
 
Em poucos dias a campanha vai começar para valer. Com Erundina e Lula a avalizar o candidato Fernando Haddad - o melhor ministro de Educação das última décadas - ficará mais fácil afastar de vez o perigo que representa para São Paulo e o Brasil a vitória de Serra.
 
Se a deputada federal, dona de uma extensa biografia de luta em prol da democracia se dispuser a integrar a chapa, estará, aos 77 anos, prestando mais um serviço inestimável ao seu país.

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domingo, 18 de março de 2012

Intelectuais reforçam campanha de Haddad: Prof. Mario Sérgio Cortella na Educação



Da Agência Estado                       


A campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo vai resgatar intelectuais afastados da política. O programa de governo do ex-ministro da Educação terá participações especiais de renomados pesquisadores e professores universitários, que se distribuirão em comissões temáticas para discutir os principais problemas da capital paulista.

O diagnóstico será somado a pesquisas encomendadas ao publicitário João Santana, responsável pela propaganda de TV do candidato, com o objetivo de verificar as prioridades da população. "O que se observa, hoje, é um divórcio entre a sociedade e a administração. A ideia é que a campanha de Haddad crie um movimento suprapartidário para um processo de reflexão sobre a cidade", resumiu o cientista político Aldo Fornazieri, coordenador técnico do programa de governo.

Há uma semana, cerca de 100 intelectuais - entre pesquisadores e professores da USP, Unicamp, Unifesp e Fundação-Escola de Sociologia e Política - reuniram-se com Haddad. Muitos afastados da política partidária, decidiram colaborar com a campanha e se reaproximar do PT. Na lista constam nomes como Olgária Matos, Ruy Fausto, Leda Paulani, Ricardo Carneiro e Walquíria Leão Rego. O primeiro seminário temático da plataforma de governo, sobre educação, está marcado para hoje e será coordenado pelo professor Mário Sérgio Cortella

"Ponho minha mão no fogo pelo Fernando, mas, se ele estivesse com Kassab e Meirelles no palanque, ia votar quietinha, mas não participaria", disse Leda Paulani, professora titular do Departamento de Economia da USP, numa referência ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e ao ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "Seria contraditório com tudo o que escrevi."

Integrante do PSD de Kassab, Meirelles chegou a ser cotado para vice de Haddad, mas a aliança com o PT naufragou depois que o ex-governador José Serra (PSDB) entrou no páreo. Paulani respirou aliviada e promete ajudar no programa. Ela se desfiliou do PT depois da crise do mensalão e diz estar feliz por voltar a "lutar de novo" na política.

"Sabemos como o Fernando pensa e ele tem a capacidade de aglutinar as pessoas. Se fosse outro candidato do PT, seguramente não teria", afirmou a economista. Para a professora Walquíria Leão Rego, titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp, os intelectuais de esquerda estão dispostos a resgatar a militância política.

"Chegou o momento crucial e há o sentimento de que temos de fazer alguma coisa, mesmo sem tribuna. Não podemos deixar que o Serra faça com o Haddad o que fez com a Dilma em 2010", argumentou Walquíria, numa alusão ao confronto religioso que marcou a campanha entre o ex-governador e a petista Dilma Rousseff, eleita presidente. "Para os tucanos, o combate em São Paulo é de vida ou morte", disse a socióloga, que tem vários estudos sobre o programa Bolsa Família.

As comissões temáticas encarregadas de apresentar propostas para o programa de governo terão dois coordenadores: um será indicado pelo PT e outro, pelo grupo de intelectuais. O comitê de Haddad promoverá, ainda, seminários sobre vocação econômica de São Paulo, desenvolvimento e inovação, meio ambiente e economia verde, saúde, transportes e mobilidade urbana.

domingo, 11 de março de 2012

Eduardo Campos não quer PSB aliado de Serra


Por Adamastor
Do Uol
PSB não se aliará a Serra, diz Eduardo Campos 
Josias de Souza
Governador de Pernambuco e presidente do PSB federal, Eduardo Campos decidiu não permitir que o diretório paulistano do seu partido se alie ao tucano José Serra, hoje o principal antagonista do petista Fernando Haddad, candidato de Lula.
Eduardo alega que a campanha de São Paulo ganhou contornos nacionais. E afirma que seria um “despropósito político” ceder o tempo de tevê do PSB para que Serra ataque o governo Dilma Rousseff e, sobretudo, seu amigo Lula.
A deliberação já foi comunicada ao prefeito Gilberto Kassab, principal aliado de Serra e parceiro político de Eduardo. Não será formalizada, porém, antes de junho, prazo limite para realização das convenções municipais.
Tenta-se ganhar tempo para dissolver um impasse. Eduardo pende para o apoio a Haddad. Menos pelo candidato, mais por Lula. E o PSB-SP, hoje majoritariamente pró-Serra, gostaria pelo menos de construir uma alternativa “neutra”.
Busca-se uma opção que permita à legenda fugir da polarização PT versus PSDB. Como? Constituindo na capital paulista um bloco de três partidos: PDT, PCdoB e PSB. Aproxima-os a aversão ao PT. Distancia-os o excesso de nomes.
O PDT já desfila a candidatura do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical. O PCdoB corre em raia própria com o vereador-pagodeiro Netinho de Paula e negocia com Gabriel Chalita, do PMDB.
Agora, o PSB leva à mesa o seu nome: a deputada federal e ex-prefeita Luíza Erundina. O dilema está em obter um consenso capaz de unificar as três forças em torno de um único nome.
De concreto, por ora, apenas uma certeza: com Serra, o PSB não vai fechar. Mandachuva do diretório nacional do partido, Eduardo decidiu evitar. Tenta fazê-lo com maciez. Seus correligionários de São Paulo dispõem de três meses para tentar tirá-lo da canoa de Haddad.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

São Paulo para todos

(texto publicado na Carta Maior

O significado da eleição em São Paulo

O campo político brasileiro está constituído e polarizado entre o PT e o PSDB, desde o governo FHC, como pólos que agrupam a esquerda e a direita realmente existentes. Essa configuração foi a segunda, desde o fim da ditadura, quando havia um mapa mais difuso, com o PMDB ocupando o centro do campo político, com sua aliança com o PFL, que havia comandado a transição conservadora que tivemos, tendo o PDS mais à direita e o PT, o PDT, o PC do B, mais à esquerda.

Essa configuração foi sobre determinada pelo governo Sarney, surgido da aliança PMDB-PFL, passando pelo Colégio Eleitoral – que trocou Ulysses Guimarães por Tancredo Neves – e pela contingência da morte deste. Esse campo político foi sendo esvaziado pela impotência do PMDB e seu desgaste por pagar o preço de um governo em que não era hegemônico.
O novo campo político passou por uma transição, marcada pela chegada da onda neoliberal através da candidatura e do governo Collor. Ao final desse projeto, prematuramente cortado pelo impeachment, se desenhou a configuração atual do campo político, com o deslocamento do PMDB e a assunção da aliança PSDB-PFL como novo eixo da direita, assumindo a continuidade reformulada do projeto neoliberal. Desde a passagem ao segundo turno do Lula e a disputa acirrada com o Collor em 1989, o PT passou a polarizar pela esquerda o campo político.

Neoliberalismo e resistência ao neoliberalismo marcaram ideologicamente o novo campo político – e o definem até hoje. Ao encarnar o neoliberalismo aqui – depois que estava prestes a embarcar no governo Collor, quando do seu impeachment -, o PSDB assumiu o lugar de eixo político da direita brasileira, renovada, com o governo FHC e sua aliança com o então PFL. Como se viu pelas campanhas eleitorais posteriores, essa pecha nunca mais saiu dele – com as privatizações como sua marca essencial, mas acompanhada do Estado mínimo, da abertura acelerada do mercado interno, da precarização das relações de trabalho.

O PT, aliado à CUT, ao MST e ao conjunto dos partidos do campo da esquerda e aos movimentos sociais, esteve na resistência ao neoliberalismo, conseguindo frear a privatização já programada pelos tucanos da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica.

O triunfo do Lula fez com que seu governo aparecesse como o contraponto do modelo neoliberal encarnado pelos tucanos: prioridade das políticas sociais, fim da ALCA e prioridade da integração regional e dos intercâmbios Sul-Sul, Estado indutor do crescimento econômico e garantia das políticas sociais e não Estado mínimo que entregava a centralidade ao mercado.

Os PSDB se refugiou em São Paulo onde conseguiu manter sua hegemonia, controlando o governo do Estado e da cidade de São Paulo, por um conjunto de fatores, entre os quais não estão isentos erros do PT e da esquerda. O Estado foi guindado à posição de bastião da direita e do conservadorismo em escala nacional, pela associação com órgãos de imprensa – FSP, Estado, Editora Abril, Radio Jovem Pan, entre outros. Em mais de duas décadas, as únicas exceções foram os governos de Luiza Erundina e de Marta Suplicy, que não conseguiram reeleger-se.

A nova derrota tucana para a presidência da República não impediu que Alckmin se elegesse no primeiro turno para o governo do Estado. Porém a manobra serrista da aliança do Kassab contra Alckmin nas eleições anteriores para a prefeitura, terminaram trazendo problemas para as hostes tucanas, pelo mau governo do Kassab e pela ausência de nomes para disputar sua sucessão.

Depois da farsa da consulta interna – em um universo de filiados que foi se revelando totalmente fictício, até chegar ao numero irrisório de 8 mil, sem a certeza de quantos votariam –, os tucanos apelaram para o Serra como candidato (não importando como vão resolver a farsa da consulta interna). O que recoloca fortemente a polarização nacional no coração do núcleo de resistência tucana, agora com Lula diretamente envolvido – pelo candidato escolhido por ele e pela sua participação sem os limites da presidência da República.

O significado desse embate eleitoral é o de trazer para a cidade os grandes debates nacionais. A cidade e o Estado foram transformados profundamente conforme os critérios mercantis do neoliberalismo pelos governos tucanos. A esfera pública e, com ela, os direitos sociais, foram enfraquecida, em favor da esfera mercantil. O Estado e a cidade mais ricos do país – o segundo e o terceiro orçamentos do Brasil – não são, nem de longe, referência para o país em nenhum dos quesitos essenciais – condições de trabalho, educação, saúde, transporte, segurança, políticas culturais, habitação, políticas para a juventude, pra as mulheres, para as diversidades étnica, sexuais e culturais, para a democratização dos meios de comunicação.

Ao contrário, a cidade de São Paulo, com toda a riqueza não apenas econômica, mas social, cultural, tornou-se uma cidade cruel, pelas condições péssimas em que vive a maioria da população. As elites paulistanas, que lograram impor seus interesses através dos tucanos e da mídia, oprimem, exploram e discriminam a grande maioria da população, que não encontrou até aqui formas eficientes no plano político para reverter essa situação.

A cidade de São Paulo tornou-se o epicentro do racismo e da discriminação no país, contra os pobres, contra os nordestinos, contra os homosexuais, contra os jovens pobres, contra todos os oprimidos, os humilhados, os marginalizados. Mais do que qualquer cidade do país São Paulo precisa de um governo que priorize as políticas sociais e culturais, que a humanize, que difunda os sentimentos e as políticas de solidariedade. Que troque o atual sentimento de exclusão que prioriza as políticas tucanas pela ideia de que precisamos de uma SÃO PAULO PARA TODOS.Emir Sader.



 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Senador promete reunir religiosos contra Haddad

Poder

Divulgação

Irritado com críticas do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a conservadores "controlados por pastores de televisão", Magno Malta (à esq.) planeja descontar no PT durante as eleições municipais e diz que "nós (evangélicos) e os católicos vamos derrotar Haddad em São Paulo"

sábado, 21 de janeiro de 2012

Haddad: 'Adversários vão tentar macular o Enem'

Ministro da Educação diz que disputa pela Prefeitura de São Paulo não será agressiva como a eleição de 2010 e afirma que prioridade de Gilberto Kassab é se unir ao PSDB de José Serra
BRASÍLIA - Às vésperas de deixar o Ministério da Educação, o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que fará uma campanha sem ataques, mas não deixou de dar estocadas nos tucanos. "Eu não vou oferecer a São Paulo o espetáculo de difamação promovido em 2010 pelo PSDB", disse, numa referência à disputa presidencial entre Dilma Rousseff e o ex-governador José Serra, marcada por insultos. "A campanha de 2010 deve nos servir de lição para afastar a deselegância e o mau gosto."
‘Por mais ataques pessoais que eu tenha
recebido, não devolverei’, diz Haddad
Andre Dusek/AE
Dilma preparou uma solenidade de despedida para Haddad na segunda-feira, no Palácio no Planalto, quando será anunciada a concessão da milionésima bolsa do ProUni. Pesquisa interna em poder do PT indica que uma chapa formada por Haddad e o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PSD), seria imbatível, mas o ministro não parece empolgado com a aliança proposta pelo prefeito Gilberto Kassab.
Na quinta-feira, Haddad teve longa conversa com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que lançou a candidatura do deputado Gabriel Chalita. "Ele expressou a vontade de manter o PT e o PMDB unidos em torno de um projeto nacional", disse. O ministro desconversou sobre a decisão de Serra de não entrar no páreo e, ao abordar os problemas do Enem, insinuou que o PSDB tem como calcanhar de Aquiles as privatizações de empresas estatais.
O sr. nunca disputou uma eleição, é pouco conhecido entre eleitores de SP e tem só 4% das intenções de voto nas pesquisas. A fórmula da "cara nova" na política, que elegeu Dilma Rousseff, pode beneficiá-lo?
Reconheço a importância das pesquisas, mas quase um ano antes é preciso relativizar os números. A política tem de ser convidativa para as pessoas comuns, fugir dos estereótipos. Talvez essa eleição em São Paulo contribua para isso, porque todos os partidos planejam lançar candidatos novos.
O que o sr. fará para não parecer teleguiado pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma?
Essa mesma acusação se fez à presidenta Dilma. É mais um dogma que precisa ser quebrado. A colaboração que podemos dar é mostrar que as pessoas não devem se impressionar com esses rótulos. É um discurso conservador.
O secretário de Cultura, Andrea Matarazzo (PSDB), considerou "apavorante" sua ideia de reinventar São Paulo e foi irônico ao afirmar que nem pode imaginar o sr. usando na cidade a mesma técnica aplicada no Enem. Como o sr. responde a isso?
Graças ao Enem, nós vamos conceder, na segunda-feira, a milionésima bolsa a alunos da escola pública pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Estamos promovendo a maior inclusão na educação superior da história do País. Eu não pretendo responder a agressões pessoais. A campanha de 2010 deve nos servir de lição para afastar a deselegância e o mau gosto.
O ex-governador José Serra, que protagonizou duros embates com a então candidata Dilma em 2010, anunciou estar fora da disputa. Isso é bom para o PT?
Essa é uma questão do PSDB. Não nos afeta.
Mas ele é considerado um candidato forte...
E tem uma dose forte de rejeição. De qualquer forma, não faço esse tipo de cálculo.
O sr. não teme ser conhecido como o candidato dos erros do Enem?
Pode ser que seja essa a linha dos nossos adversários. Há uma tentativa de desgastar um projeto que tem 80%, 90% de aprovação, como o Enem. Da mesma maneira que tentaram macular o Bolsa Família, o PAC, o ProUni, vão tentar macular o Enem. Agora, não há no mundo um exame nacional do ensino médio que não passe pelos problemas que enfrentamos aqui. As tentativas de fraude foram abortadas pela Polícia Federal. Na China houve problemas, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França.
O novo Enem está no 3º ano e em todos eles houve problemas. Não era possível prever falhas?
Mas nós vamos ficar falando só de Enem? Há quantos anos existe o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que tem 2% do tamanho do Enem? A Polícia Federal apurou fraude em cinco edições.
O sr. não conseguiu conquistar aliados de peso até agora. O PMDB apresentou o deputado Gabriel Chalita como candidato, o PDT e o PC do B também têm concorrentes... Como reverter esse quadro de divisão na base?
Mas quem conseguiu apoio a essa altura? Está tudo muito no começo. Não vi nenhuma aliança ser fechada. Estão todos buscando entendimentos.
O sr. ainda gostaria de ter Gabriel Chalita como vice?
Eu não quero ser desrespeitoso com pretensões legítimas. São pessoas que têm projetos convergentes com os nossos. Se das conversas resultar uma aliança no primeiro turno, bem. Caso contrário, vamos buscar entendimento no segundo turno. Ontem (quinta-feira), por exemplo, tive uma conversa com o presidente Michel Temer sobre o quadro de São Paulo. Ele me disse que tem muito respeito por minha candidatura. É um homem sereno, maduro e expressou a vontade de manter o PT e o PMDB unidos em torno de um projeto nacional.
Sua ideia é fazer um pacto de não agressão com os partidos aliados do governo Dilma?
Não preciso fazer pacto com ninguém. Eu não vou oferecer a São Paulo o espetáculo de difamação promovido em 2010 pelo PSDB. Destruir a reputação das pessoas não é minha prática, nunca foi. Por mais ataques pessoais que eu tenha recebido, não devolverei.
Por que o sr. não se entusiasma com a proposta do prefeito Gilberto Kassab de apresentar um nome do PSD para seu vice, já que Lula defende a aliança?
O prefeito foi claro em sua estratégia de curto prazo, que é buscar uma aliança com Serra. Embora ele tenha sinalizado simpatia por outra alternativa e elogiado o PT, deixou claro que a perspectiva era outra. Penso que o prefeito está estudando cenários. Devemos receber com naturalidade um gesto de generosidade e simpatia. Você ganha a eleição assim, angariando apoio, independentemente de aliança eleitoral.
Não é contraditório o PT se aliar ao PSD em São Paulo, já que faz oposição a Kassab ?
O PT, nesse momento, está buscando entendimento com partidos da base aliada da presidenta Dilma.
Mas o PSD, hoje, é quase como se fosse da base de Dilma...
(Risos). Ele tem feito gestos importantes de aproximação, embora se declare independente.
O julgamento dos réus do mensalão, previsto para este ano, pode atrapalhar sua campanha?
Não acredito nisso. Hoje, as instituições funcionam livremente para apurar responsabilidades e dosar a pena de acordo com o erro cometido. Há denúncias para todo lado. Não gosto da expressão mensalão, mas tem o julgamento do mensalão do PSDB em Minas, do DEM no Distrito Federal. Não sei se haverá apuração dessas recentes denúncias sobre o processo de privatização, se o Ministério Público se envolverá nisso...
O sr vai atacar as privatizações do PSDB na campanha?
Não da forma como você está falando. A questão central é a da saúde. Existe essa proposta do governo do Estado de privatizar leitos do SUS para planos de saúde. Eu sou contrário a isso. Há também um aspecto importante, na cidade de São Paulo, que é o das concessões urbanísticas. Precisamos cuidar para não deixar sair dos trilhos. Temos de repensar o planejamento urbano.
A senadora Marta Suplicy foi obrigada a retirar a pré-candidatura para apoiá-lo, mas até agora não demonstra entusiasmo de entrar em sua campanha. É possível curar essas feridas?
A ideia de que no PT alguém foi obrigado a retirar a candidatura não tem como prosperar.
Ela foi pressionada e disse que ficou frustrada...
Até o presidente Lula já participou de prévia no PT. Tem um pouco de fantasia e dramaticidade nisso. Na conversa que tive com a senadora, a quem respeito muito - acho que foi uma grande prefeita -, ela demonstrou total disposição de colaborar com a campanha.
O sr. está contando com isso?
Conto com o partido todo, com os partidos aliados, com o presidente Lula, com a presidenta Dilma... A pior coisa do mundo é você esconder quem o apoia. Isso é o feio na política...
O sr está falando de quem? O PT diz que o ex-governador Serra escondeu o ex-presidente Fernando Henrique em 2010.
Você acha isso? Estou falando em tese (risos).
E o sr. não vai se esconder atrás do ex-presidente Lula e da presidente Dilma?
Não existe eleição de quem não se apresenta. Nem o candidato pode se esconder nem os seus apoiadores. Se não, tem uma coisa errada com a campanha.
Vera Rosa e Lisandra Paraguassu
No O Estado de S.Paulo