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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Haddad lança campanha: "Não temos medo do povo"

6 DE JULHO DE 2012 - 19H12 

O candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, deu o pontapé inicial de sua campanha nesta sexta (6), com uma caminhada pelas ruas do centro, acompanhada por cerca de 5 mil pessoas. Ao lado de sua vice, Nádia Campeão (PCdoB), do vereador Netinho de Paula (PCdoB), do Senador Eduardo Suplicy (PT) e de dirigentes dos partidos de sua coligação, Haddad  concluiu seu primeiro evento eleitoral com um ato político repleto de críticas ao adversário, o tucano José Serra.


 haddad
Haddad discurso para povo / Foto: Terra
No discurso, Haddad condenou a atitude de Serra, que decidiu iniciar a campanha em um "recinto fechado", segundo ele para evitar o contato com a população. "Nós não vamos para recinto fechado. Nós vamos para a rua falar com o povo para ganhar essa eleição. Nós não temos medo do povo. Nós queremos o povo conosco", discursou o candidato. Haddad referiu-se ao fato de Serra optar por fazer uma reunião na sede do PSDB paulistano.

De um carro de som, Haddad falou ao povo e aproveitou para pedir a presença permanente de Netinho ao seu lado. "Quero você junto da gente o tempo todo", disse. O candidato citou as administrações petistas de Luiza Erundina e Marta Suplicy e disse que, além do apoio delas, contará com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato convocou a militância às ruas. "Não vamos deixar a rua até a vitória", encerrou.

Depois de falar para a população, Haddad conversou com os jornalistas. O candidato comentou o balanço de metas da prefeitura de São Paulo, que divulgou a quantidade de promessas cumpridas pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP). De acordo com ele, Kassab merece nota 3,6.

"Na minha opinião, ele já se atribui nota 3,6 porque, no balanço de cumprimento de metas, ele disse que cumpriu 36% das promessas que fez. A cidade já fez um balanço dessa administração agora é olhar pra frente. Penso que quatro em cinco paulistanos querem uma mudança de rumo", disse.

Serra
Já o lançamento da campanha de Serra – um evento na sede do PSDB para a própria militância tucana - durou pouco mais de uma hora e não contou com a presença do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Gilberto Kassab, seus principais aliados. Em seu discurso, o candidato teve que fazer um chamado à unidade dentro do próprio ninho tucano e afirmou que fará “uma campanha limpa, de propostas”. 

Dando continuidade à sua estratégia de nacionalizar a disputa, ele afirmou que a disputa paulistana será determinante para o "futuro do Brasil". “Temos que fazer uma campanha unidos. Vocês sabem que políticos disputam até rolo de barbante usado. É normal. Fui oito anos deputado, oito anos senador, sempre lidei com o parlamento e é sempre assim. Agora, na hora da eleição, temos que estar unidos, saber quem é aliado e quem é adversário”, apelou.

Serra enfrenta resistências de apoio dentro do próprio PSDB. Setores do partido ligados ao secretário de Energia, José Aníbal, que disputou as prévias partidárias com Serra neste ano, permanecem distantes da campanha. No ato desta sexta, Aníbal não estava presente, assim como Bruno Covas e Ricardo Trípoli, também pré-candidatos da prévia tucana.

Acompanhe na Rádio Vermelho discurso emocionado do pré-candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad e da pré-candidata a vice-prefeita Nádia Campeão.

Rádio Vermelho - Campanha de Fernando Haddad e Nádia Campeão

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Com Erundina fica mais fácil

Crônicas do Motta
 
Se Luíza Erundina realmente for a vice de Fernando Haddad, a esquerda sairá com uma chapa fortíssima para a eleição paulistana. Haddad seria a cara nova, Erundina entraria com a experiência de já ter governado a metrópole, de conhecer as dificuldades administrativas e, principalmente, de saber responder positivamente aos pleitos da população mais necessitada.
 
Além disso, os dois se completam também no item honestidade, que hoje pesa tanto na avaliação do homem público. Até hoje não se conhece nenhum ato que desabone Haddad no longo período em que foi ministro da Educação. Podem até contestar algumas de suas realizações, mas ninguém apontou um indício sequer de qualquer tipo de irregularidade em sua gestão.
 
Quanto a Erundina, ela é um dos casos únicos de políticos que empobreceram na carreira.
 
Outro dia os jornais revelaram que o presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, tem como bens um Fusca e uma chácara e doa 90% de seu salário a instituições filantrópicas. Erundina deve ter menos ainda. Não faz tempo, os amigos tiveram de organizar um jantar para arrecadar dinheiro suficiente para que ela ficasse quite com a Justiça (sic) que a condenou por ter feito propaganda irregular (sic) em sua administração - só no Brasil, com os juízes que temos, acontece algo assim...
 
Para fechar de vez o caixão de José Serra falta convencer o PCdoB a entrar na coligação. Não que o partido tenha tantos votos assim na capital, mas seria interessante ver novamente os três partidos - PT, PSB e ele - juntos.
 
Em poucos dias a campanha vai começar para valer. Com Erundina e Lula a avalizar o candidato Fernando Haddad - o melhor ministro de Educação das última décadas - ficará mais fácil afastar de vez o perigo que representa para São Paulo e o Brasil a vitória de Serra.
 
Se a deputada federal, dona de uma extensa biografia de luta em prol da democracia se dispuser a integrar a chapa, estará, aos 77 anos, prestando mais um serviço inestimável ao seu país.

Leia mais em: O Esquerdopata
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domingo, 18 de março de 2012

Intelectuais reforçam campanha de Haddad: Prof. Mario Sérgio Cortella na Educação



Da Agência Estado                       


A campanha de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo vai resgatar intelectuais afastados da política. O programa de governo do ex-ministro da Educação terá participações especiais de renomados pesquisadores e professores universitários, que se distribuirão em comissões temáticas para discutir os principais problemas da capital paulista.

O diagnóstico será somado a pesquisas encomendadas ao publicitário João Santana, responsável pela propaganda de TV do candidato, com o objetivo de verificar as prioridades da população. "O que se observa, hoje, é um divórcio entre a sociedade e a administração. A ideia é que a campanha de Haddad crie um movimento suprapartidário para um processo de reflexão sobre a cidade", resumiu o cientista político Aldo Fornazieri, coordenador técnico do programa de governo.

Há uma semana, cerca de 100 intelectuais - entre pesquisadores e professores da USP, Unicamp, Unifesp e Fundação-Escola de Sociologia e Política - reuniram-se com Haddad. Muitos afastados da política partidária, decidiram colaborar com a campanha e se reaproximar do PT. Na lista constam nomes como Olgária Matos, Ruy Fausto, Leda Paulani, Ricardo Carneiro e Walquíria Leão Rego. O primeiro seminário temático da plataforma de governo, sobre educação, está marcado para hoje e será coordenado pelo professor Mário Sérgio Cortella

"Ponho minha mão no fogo pelo Fernando, mas, se ele estivesse com Kassab e Meirelles no palanque, ia votar quietinha, mas não participaria", disse Leda Paulani, professora titular do Departamento de Economia da USP, numa referência ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e ao ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "Seria contraditório com tudo o que escrevi."

Integrante do PSD de Kassab, Meirelles chegou a ser cotado para vice de Haddad, mas a aliança com o PT naufragou depois que o ex-governador José Serra (PSDB) entrou no páreo. Paulani respirou aliviada e promete ajudar no programa. Ela se desfiliou do PT depois da crise do mensalão e diz estar feliz por voltar a "lutar de novo" na política.

"Sabemos como o Fernando pensa e ele tem a capacidade de aglutinar as pessoas. Se fosse outro candidato do PT, seguramente não teria", afirmou a economista. Para a professora Walquíria Leão Rego, titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp, os intelectuais de esquerda estão dispostos a resgatar a militância política.

"Chegou o momento crucial e há o sentimento de que temos de fazer alguma coisa, mesmo sem tribuna. Não podemos deixar que o Serra faça com o Haddad o que fez com a Dilma em 2010", argumentou Walquíria, numa alusão ao confronto religioso que marcou a campanha entre o ex-governador e a petista Dilma Rousseff, eleita presidente. "Para os tucanos, o combate em São Paulo é de vida ou morte", disse a socióloga, que tem vários estudos sobre o programa Bolsa Família.

As comissões temáticas encarregadas de apresentar propostas para o programa de governo terão dois coordenadores: um será indicado pelo PT e outro, pelo grupo de intelectuais. O comitê de Haddad promoverá, ainda, seminários sobre vocação econômica de São Paulo, desenvolvimento e inovação, meio ambiente e economia verde, saúde, transportes e mobilidade urbana.

sábado, 3 de março de 2012

Qualquer semelhança ...........

O segredo do poder de José Serra

Por Maria Inês Nassif, no sítio Carta Maior:

José Serra chegou tarde na disputa pela legenda do PSDB à prefeitura paulistana: antes de declarar suas intenções, foram sete meses de disputa interna entre os quatro pré-candidatos tucanos (José Anibal, Bruno Covas, Ricardo Tripoli e Andrea Matarazzo), que percorreram os 48 diretórios zonais da capital e fizeram debates regulares com filiados do partido. Mesmo que vença a disputa com os candidatos que sobraram – Bruno Covas e Andrea Matarazzo abriram mão de suas candidaturas em favor de Serra –, o ex-prefeito terá de lidar com bases políticas que, pela tradição tucana pós-Covas, estavam alijadas até agora das decisões partidárias, e pela primeira vez na última década foram chamadas a debater e decidir uma candidatura.

Os relatos dos efeitos da disputa interna sobre uma base até então desmotivada são unânimes em apontar que as prévias foram um sopro de vida num partido altamente hierarquizado e sem vida interna fora dos seus quadros institucionais. Da participação da militância, tucanos levaram também a informação de que há um desconforto explícito com o distanciamento de Serra. O cacique tucano esteve no centro da política tucana paulista praticamente por toda a última década , mas trabalhou em isolamento completo em relação ao partido. À sua volta, formou-se um partido paralelo, o dos “serristas”, que sempre se sobrepôs e manobrou as decisões do PSDB.

O primeiro vice-presidente municipal, João Câmara, um dos que se revoltaram com as manobras feitas pelo grupo serrista na reunião da Executiva, segunda-feira, que conseguiram o adiamento da consulta, do dia 4 para o dia 25 de março, acha que Serra é a personificação do mal no partido: “O Serra historicamente é sinônimo de desagregação do PSDB nacional, estadual e municipal”, vocifera. Outro integrante do partido acha que, pior do que Serra, são os serristas. O método do grupo mantém o partido em crise permanente, para dentro, e para fora expressa “posições elitistas, antipáticas e arrogantes”, às quais atribui a rejeição enorme atingida pelo tucano nas últimas pesquisas de intenção de voto.

Serra aceitou participar das prévias porque não existia mais caminho de volta. Em outros tempos e outras circunstâncias, teria conseguido manobrar internamente para que os quatro pré-candidatos renunciassem em seu favor. E, se as mesmas bases que no processo de escolha interna reclamam da marginalização de uma militância histórica, ligada à formação do partido, consagrarem o ex-prefeito como candidato, seguramente o PT terá uma enorme contribuição nessa decisão.

No imaginário tucano, a ação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa é uma estratégia de “aniquilamento” do PSDB nacional que, se abatido em seu último reduto, São Paulo, estaria condenado ao fogo do inferno. A ameaça de que o PT use uma eventual vitória na disputa pela prefeitura da capital paulista para destruir a hegemonia tucana no Estado torna Serra, o político com mais recall do partido, uma alternativa. Numa situação de ameaça extrema, a tendência do partido, provavelmente, será a de não correr o risco de lançar um nome novo na praça, mas apostar num candidato conhecido, e torcer para que os recursos de marketing político sejam eficientes para vencer a rejeição dos eleitores.

Ainda assim, o fato de o grupo de Serra ter passado como um trator sobre uma Executiva que praticamente já tinha acordado o adiamento das prévias marcadas para o dia 4 por uma semana, obrigando-a a engolir um adiamento de pouco mais de um mês (de 4 para 25) pode ser o sinal de que o ex-prefeito não está tão seguro de que possa nadar de braçada nas prévias, sem tempo suficiente para reverter simpatias já conquistadas pelos candidatos José Anibal e Ricardo Tripoli, mesmo contando com o apoio de Bruno Covas e Andrea Matarazzo, que se retiraram da disputa. E também que o grupo do ex-prefeito sabe que não conseguirá esvaziar o processo de escolha, o que o beneficiaria.

Segundo pesquisa feita internamente pelo partido, com uma amostra de 773 dos 19.500 filiados, 89% têm a intenção de votar. Nessas eleições, se vencer as prévias, Serra estará obrigado a sorrir e cumprimentar eleitores potenciais em dose dupla: primeiro, dentro do seu partido; depois, nas ruas da maior cidade da América Latina.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Haddad, pré-candidato, começa a percorrer periferia paulistana

Ex-ministro da Educação ganha intimidade com a militância petista
Por Raoni Scandiuzzi, da Rede Brasil Atual

Haddad intensifica seu contato com a militância petista (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)
O pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, começa a intensificar seu contato com a militância petista a partir desta sexta-feira (24). Ele irá participar de uma plenária no bairro M’Boi Mirim, na zona sul, ao lado de lideranças e representantes de entidades sociais, para debater planos de governo de sua campanha.
A reunião está agendada para começar às 17h na Sociedade Amiga e Esportiva Jardim Copacabana. Nos últimos compromissos do pré-candidato com a militância do PT, ele ouviu manifestações de repúdio a uma possível aliança com o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD). Líderes petistas são favoráveis à coligação, que enfrenta resistência interna.
A intenção de Haddad é imergir na periferia para ganhar mais intimidade com a militância. A avaliação é de que a unidade no partido é fundamental para a vitória do PT na capital.

Leia também:

Haddad:“Prioridade é nosso plano de governo”

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Haddad intensifica seu contato com a militância petista (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)
O pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, começa a intensificar seu contato com a militância petista a partir desta sexta-feira (24). Ele irá participar de uma plenária no bairro M’Boi Mirim, na zona sul, ao lado de lideranças e representantes de entidades sociais, para debater planos de governo de sua campanha.
A reunião está agendada para começar às 17h na Sociedade Amiga e Esportiva Jardim Copacabana. Nos últimos compromissos do pré-candidato com a militância do PT, ele ouviu manifestações de repúdio a uma possível aliança com o atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD). Líderes petistas são favoráveis à coligação, que enfrenta resistência interna.
A intenção de Haddad é imergir na periferia para ganhar mais intimidade com a militância. A avaliação é de que a unidade no partido é fundamental para a vitória do PT na capital.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Alckmin tenta esvaziar prévias do PSDB

Alckmin tenta esvaziar prévias do PSDB 
Foto: EDSON LOPES JR/AGÊNCIA ESTADO

Cúpula vai pressionar candidato mais votado a guardar lugar para a entrada de José Serra. Proposta é lançar ex-governador e Andrea Matarazzo como vice

Por Agência Estado
20 de Fevereiro de 2012 às 06:54 Agência Estado
Sem nunca ter realizado disputa interna para escolher um candidato, a cúpula do PSDB paulistano trabalha agora para transformar o mecanismo que o próprio partido apontou como o mais "democrático" em um mero jogo de cena. Nos bastidores, líderes tucanos articulam para que o vencedor da prévia, marcada para março, segure a cadeira até a entrada do ex-governador José Serra no palco como candidato. Por conta de manobras como essa, tradicionais quadros tucanos já rechaçam a condução do processo pela direção do partido no Estado.
"O PSDB vai definhar se continuar sendo apenas um clube parlamentar e uma federação de ‘caciquias’ estaduais. Esse papel o PMDB faz mais e melhor. Se quer se conectar com a sociedade, como seus dirigentes dizem querer, o PSDB precisa se conectar com seus filiados, para começar. As prévias em São Paulo representam um passo na direção certa", afirmou o cientista político Eduardo Graeff, secretário-geral da Presidência no governo FHC (1995-2002)
Defendida pelo governador Geraldo Alckmin há mais de oito meses como uma saída para o partido escolher o candidato, num cenário em que Serra dizia que não iria concorrer (em janeiro ele avisou aliados que estava fora da disputa), a prévia acabou se tornando um problema com a aproximação do prefeito Gilberto Kassab (PSD) do PT.
Serra já analisa cenários para ser candidato a prefeito, mas ainda não se decidiu. Ele pretende usar o carnaval para pensar sobre a possibilidade. Os tucanos, por sua vez, gostariam que ele se decidisse antes da realização da prévia, marcada para 4 de março. Como não há uma garantia de que isso aconteça, a cúpula decidiu bancar a consulta e, em seguida, trabalhar para convencer o vencedor a guardar o lugar para Serra. Conforme informou ontem à tarde a coluna Direto da Fonte, Serra foi visto em Buenos Aires junto de Andrea Matarazzo, secretário estadual da Cultura e um dos pré-candidatos inscritos na prévia.
A proposta da cúpula tucana é montar uma "chapa pura" com Serra como candidato e Matarazzo na vice, já que o DEM e o PSD, potenciais aliados do PSDB, não se entendem sobre a possibilidade de indicar o vice. Os democratas não aceitam a possibilidade de Kassab escolher um nome.
Reação. Neste mês, Alckmin tentou segurar a prévia e pediu a interlocutores que convencessem Serra a ser candidato. O processo interno, porém, foi amadurecido pelo diretório estadual e os pré-candidatos, Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Tripoli, reagiram à manobra.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Serra tem a unidade do ódio

A tucanagem paulistana não está em pé de guerra, como algumas notícias de jornal poderiam fazer crer. Gemidos, ranger de dentes, mas logo estarão convivendo com o inevitável, do qual quiseram escapar.
Serra, candidato, será a solução natural da direita.
Não há, entre seus quadros, alguém que a traduza tanto o ódio, o despeito, o inconformismo com o que a elite vê a “gentalha”  que passou a ser importante no Brasil.
O que a candidatura Serra tem a oferecer a São Paulo, além disso? Um ano e alguns meses de “gestão” até que ele vá, como um fantasma que arrasta as correntes de sua maldição, candidatar-se a Presidente, outra vez. Aliás, um curto tempo em que estará mais ocupado em sabotar Aécio do que com a cidade?
Serra só pode oferecer o ódio e por isso sua cabia tentar evitar sua candidatura.
O ódio nunca é revolucionário, embora a raiva estar presente nas revoluções e às revoluções seja um desafio contê-la. Mas o ódio tem um nível de premeditação e egoísmo que só o reacionário alcança, porque quer impedir e não aceitar.
Qualquer candidato de esquerda, tem de conceder, transigir, abranger, incluir para representar a São Paulo cosmopolita e  polibrasileira.
Tem de ser o avanço, o sim.
Serra tem de ser o candidato do passado, do “não”.
Serra, e nenhum outro, pode expressar isso tão plenamente.
Ele é o mal em estado puro e vai arrastar, na sua partida, “almas”  que em torno dele gravitaram e que não lhe podem escapar, vencendo ou perdendo. Estão, as forças de direita, todas com eles, mas muitas delas loucas por escapar-lhe.
Porque Serra é  um vórtice, não uma fonte; um inverno, não uma primavera. Um destruidor, não um construtor.
Ao contrário de Lula, alguém consegue imaginar Serra estendendo a mão a um adversário? Construindo um caminho comum com alguém, uma nova alternativa?
Serra será o candidato dos que odeiam. Um candidato da carranca, do rancor, da tristeza, da treva.
Contra o qual a alegria e luz podem ser , se o compreendermos e  fugirmos do sectarismo, podem ser invencíveis.
Postado por Fernando Brito

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Namoro de Kassab com o PT faz Serra voltar atrás

Namoro de Kassab com o PT faz Serra voltar atrás 
Foto: ABIO RODRIGUES-POZZEBOM/AGÊNCIA BRASIL_ERNESTO RODRIGUES/AGÊNCIA ESTADO

Ex-governador negocia com Geraldo Alckmin condições para entrar na eleição à prefeitura de São Paulo pelo PSDB e assim evitar a união do PSD com Fernando Haddad. Entre as imposições feitas, quer o empenho pessoal do governador para conquistar novos aliados que garantam o suporte de sua postulação

14 de Fevereiro de 2012 às 06:53
247 - O ex-governador José Serra parece ter mudado de ideia e já negocia com o governador Geraldo Alckmin condições para se candidatar a prefeito de São Paulo pelo PSDB.
Segundo a Folha, o ex-presidenciável tucano pediu que o governador mobilize sua tropa para "aparar as arestas" internas com os quatro pré-candidatos inscritos para a prévia do partido, Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Trípoli, marcada para 4 de março. Quer, ainda, garantia de que o governador atuará para costurar um consistente arco de alianças que dê suporte à sua postulação. O deputado Paulinho da Força, presidente do PDT paulista e que tem se apresentado como pré-candidato, passou a não descartar apoio ao PSDB no primeiro turno. O PSB também negocia com os tucanos, a partir da promessa de apoio do PSDB ao seu candidato em Campinas, Jonas Donizette.
Tucanos que acompanham as negociações acreditam que a aproximação entre o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o PT foi determinante para que o ex-governador passasse a avaliar a candidatura.
A saída do PSD da órbita dos tucanos seria um revés importante para as pretensões que Serra ainda alimenta para a eleição presidencial de 2014. A eventual reviravolta no PSDB paralisaria as negociações entre Kassab e o pré-candidato do PT, Fernando Haddad.
O prefeito tem reiterado que não teria como não apoiar Serra, de quem herdou a prefeitura, caso ele se candidatasse. Mesmo assim, acha difícil isso acontecer. “Não existe essa hipótese porque definição tardia sempre é definição derrotada, então não tem sentido”, disse o prefeito ao ser questionado sobre a possibilidade de Serra resolver se candidatar na última hora. “E ele tem dito que não é candidato. Seria até um desrespeito trabalhar com essa alternativa. Cabe a ele essa questão”, afirmou. (Com informações da Folha)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Senador promete reunir religiosos contra Haddad

Poder

Divulgação

Irritado com críticas do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a conservadores "controlados por pastores de televisão", Magno Malta (à esq.) planeja descontar no PT durante as eleições municipais e diz que "nós (evangélicos) e os católicos vamos derrotar Haddad em São Paulo"

sábado, 21 de janeiro de 2012

Haddad: 'Adversários vão tentar macular o Enem'

Ministro da Educação diz que disputa pela Prefeitura de São Paulo não será agressiva como a eleição de 2010 e afirma que prioridade de Gilberto Kassab é se unir ao PSDB de José Serra
BRASÍLIA - Às vésperas de deixar o Ministério da Educação, o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que fará uma campanha sem ataques, mas não deixou de dar estocadas nos tucanos. "Eu não vou oferecer a São Paulo o espetáculo de difamação promovido em 2010 pelo PSDB", disse, numa referência à disputa presidencial entre Dilma Rousseff e o ex-governador José Serra, marcada por insultos. "A campanha de 2010 deve nos servir de lição para afastar a deselegância e o mau gosto."
‘Por mais ataques pessoais que eu tenha
recebido, não devolverei’, diz Haddad
Andre Dusek/AE
Dilma preparou uma solenidade de despedida para Haddad na segunda-feira, no Palácio no Planalto, quando será anunciada a concessão da milionésima bolsa do ProUni. Pesquisa interna em poder do PT indica que uma chapa formada por Haddad e o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PSD), seria imbatível, mas o ministro não parece empolgado com a aliança proposta pelo prefeito Gilberto Kassab.
Na quinta-feira, Haddad teve longa conversa com o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que lançou a candidatura do deputado Gabriel Chalita. "Ele expressou a vontade de manter o PT e o PMDB unidos em torno de um projeto nacional", disse. O ministro desconversou sobre a decisão de Serra de não entrar no páreo e, ao abordar os problemas do Enem, insinuou que o PSDB tem como calcanhar de Aquiles as privatizações de empresas estatais.
O sr. nunca disputou uma eleição, é pouco conhecido entre eleitores de SP e tem só 4% das intenções de voto nas pesquisas. A fórmula da "cara nova" na política, que elegeu Dilma Rousseff, pode beneficiá-lo?
Reconheço a importância das pesquisas, mas quase um ano antes é preciso relativizar os números. A política tem de ser convidativa para as pessoas comuns, fugir dos estereótipos. Talvez essa eleição em São Paulo contribua para isso, porque todos os partidos planejam lançar candidatos novos.
O que o sr. fará para não parecer teleguiado pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma?
Essa mesma acusação se fez à presidenta Dilma. É mais um dogma que precisa ser quebrado. A colaboração que podemos dar é mostrar que as pessoas não devem se impressionar com esses rótulos. É um discurso conservador.
O secretário de Cultura, Andrea Matarazzo (PSDB), considerou "apavorante" sua ideia de reinventar São Paulo e foi irônico ao afirmar que nem pode imaginar o sr. usando na cidade a mesma técnica aplicada no Enem. Como o sr. responde a isso?
Graças ao Enem, nós vamos conceder, na segunda-feira, a milionésima bolsa a alunos da escola pública pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Estamos promovendo a maior inclusão na educação superior da história do País. Eu não pretendo responder a agressões pessoais. A campanha de 2010 deve nos servir de lição para afastar a deselegância e o mau gosto.
O ex-governador José Serra, que protagonizou duros embates com a então candidata Dilma em 2010, anunciou estar fora da disputa. Isso é bom para o PT?
Essa é uma questão do PSDB. Não nos afeta.
Mas ele é considerado um candidato forte...
E tem uma dose forte de rejeição. De qualquer forma, não faço esse tipo de cálculo.
O sr. não teme ser conhecido como o candidato dos erros do Enem?
Pode ser que seja essa a linha dos nossos adversários. Há uma tentativa de desgastar um projeto que tem 80%, 90% de aprovação, como o Enem. Da mesma maneira que tentaram macular o Bolsa Família, o PAC, o ProUni, vão tentar macular o Enem. Agora, não há no mundo um exame nacional do ensino médio que não passe pelos problemas que enfrentamos aqui. As tentativas de fraude foram abortadas pela Polícia Federal. Na China houve problemas, nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França.
O novo Enem está no 3º ano e em todos eles houve problemas. Não era possível prever falhas?
Mas nós vamos ficar falando só de Enem? Há quantos anos existe o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que tem 2% do tamanho do Enem? A Polícia Federal apurou fraude em cinco edições.
O sr. não conseguiu conquistar aliados de peso até agora. O PMDB apresentou o deputado Gabriel Chalita como candidato, o PDT e o PC do B também têm concorrentes... Como reverter esse quadro de divisão na base?
Mas quem conseguiu apoio a essa altura? Está tudo muito no começo. Não vi nenhuma aliança ser fechada. Estão todos buscando entendimentos.
O sr. ainda gostaria de ter Gabriel Chalita como vice?
Eu não quero ser desrespeitoso com pretensões legítimas. São pessoas que têm projetos convergentes com os nossos. Se das conversas resultar uma aliança no primeiro turno, bem. Caso contrário, vamos buscar entendimento no segundo turno. Ontem (quinta-feira), por exemplo, tive uma conversa com o presidente Michel Temer sobre o quadro de São Paulo. Ele me disse que tem muito respeito por minha candidatura. É um homem sereno, maduro e expressou a vontade de manter o PT e o PMDB unidos em torno de um projeto nacional.
Sua ideia é fazer um pacto de não agressão com os partidos aliados do governo Dilma?
Não preciso fazer pacto com ninguém. Eu não vou oferecer a São Paulo o espetáculo de difamação promovido em 2010 pelo PSDB. Destruir a reputação das pessoas não é minha prática, nunca foi. Por mais ataques pessoais que eu tenha recebido, não devolverei.
Por que o sr. não se entusiasma com a proposta do prefeito Gilberto Kassab de apresentar um nome do PSD para seu vice, já que Lula defende a aliança?
O prefeito foi claro em sua estratégia de curto prazo, que é buscar uma aliança com Serra. Embora ele tenha sinalizado simpatia por outra alternativa e elogiado o PT, deixou claro que a perspectiva era outra. Penso que o prefeito está estudando cenários. Devemos receber com naturalidade um gesto de generosidade e simpatia. Você ganha a eleição assim, angariando apoio, independentemente de aliança eleitoral.
Não é contraditório o PT se aliar ao PSD em São Paulo, já que faz oposição a Kassab ?
O PT, nesse momento, está buscando entendimento com partidos da base aliada da presidenta Dilma.
Mas o PSD, hoje, é quase como se fosse da base de Dilma...
(Risos). Ele tem feito gestos importantes de aproximação, embora se declare independente.
O julgamento dos réus do mensalão, previsto para este ano, pode atrapalhar sua campanha?
Não acredito nisso. Hoje, as instituições funcionam livremente para apurar responsabilidades e dosar a pena de acordo com o erro cometido. Há denúncias para todo lado. Não gosto da expressão mensalão, mas tem o julgamento do mensalão do PSDB em Minas, do DEM no Distrito Federal. Não sei se haverá apuração dessas recentes denúncias sobre o processo de privatização, se o Ministério Público se envolverá nisso...
O sr vai atacar as privatizações do PSDB na campanha?
Não da forma como você está falando. A questão central é a da saúde. Existe essa proposta do governo do Estado de privatizar leitos do SUS para planos de saúde. Eu sou contrário a isso. Há também um aspecto importante, na cidade de São Paulo, que é o das concessões urbanísticas. Precisamos cuidar para não deixar sair dos trilhos. Temos de repensar o planejamento urbano.
A senadora Marta Suplicy foi obrigada a retirar a pré-candidatura para apoiá-lo, mas até agora não demonstra entusiasmo de entrar em sua campanha. É possível curar essas feridas?
A ideia de que no PT alguém foi obrigado a retirar a candidatura não tem como prosperar.
Ela foi pressionada e disse que ficou frustrada...
Até o presidente Lula já participou de prévia no PT. Tem um pouco de fantasia e dramaticidade nisso. Na conversa que tive com a senadora, a quem respeito muito - acho que foi uma grande prefeita -, ela demonstrou total disposição de colaborar com a campanha.
O sr. está contando com isso?
Conto com o partido todo, com os partidos aliados, com o presidente Lula, com a presidenta Dilma... A pior coisa do mundo é você esconder quem o apoia. Isso é o feio na política...
O sr está falando de quem? O PT diz que o ex-governador Serra escondeu o ex-presidente Fernando Henrique em 2010.
Você acha isso? Estou falando em tese (risos).
E o sr. não vai se esconder atrás do ex-presidente Lula e da presidente Dilma?
Não existe eleição de quem não se apresenta. Nem o candidato pode se esconder nem os seus apoiadores. Se não, tem uma coisa errada com a campanha.
Vera Rosa e Lisandra Paraguassu
No O Estado de S.Paulo

Incêndio na favela do Moinho: o que a imprensa não disse


Em 22 de dezembro de 2011 um incêndio matou pelo menos uma pessoa e deixou 380 famílias desabrigadas na favela do Moinho, localizada no centro da cidade de São Paulo. Cerca de um ano antes, a comunidade havia conseguido o Usocapião do terreno em uma ação contra a Prefeitura que queria despejar as pessoas do local. Neste mês, o Ministério Público anunciou a abertura de inquérito civil para apurar ilegalidades cometidas pela Prefeitura que também fracassou na implosão de um prédio na região.

Para moradores, a especulação imobiliária é o principal motivação do inúmeros "acidentes" que na região.



Há quase 30 anos, a ocupação da Empresa Moinho Santa Cruz deflagrava o surgimento de uma das maiores favelas no dilacerado coração da mais cosmopolita e desigual cidade da América do Sul. A comunidade, formada originalmente por catadores de materiais recicláveis, reunia ali admirável demonstração de respeito e preservação ao meio ambiente na cinzenta São Paulo, gerando empregos, renda e possibilitando a dezenas de famílias, que hoje somam-se quase 800, uma oportunidade de vida, ainda que severamente modesta.

Modesto cotidiano que sofreu substancial e negativa mudança na manhã de 22 de dezembro de 2011, quando labaredas e chamas reduziram concretos, madeiras, móveis, pertences, histórias e vidas a um cenário de destruição, desespero, desamparo e incertezas.

O incêndio ocorrido no antigo prédio da empresa e adjacências da comunidade, espremida abaixo do viaduto Orlando Murgel, suscita uma série de perguntas sem respostas, abrindo diálogo para um debate que envolve interesses econômicos, especulação imobiliária, política de higienização, descumprimento de leis e, sobretudo, desrespeito à dignidade de homens, mulheres e crianças ali presentes.

A versão dos moradores, testemunha ocular das quase 2 mil pessoas dali, expõe a postura de uma gestão política voltada aos privilégios do setor imobiliário, cujo um dos principais interesses está na revitalização da região Central de São Paulo, a exemplo da “Operação Urbana Lapa-Brás”.



O projeto enfatiza a concretização das diretrizes do Plano Diretor, que propõe a ocupação da orla ferroviária entre os bairros da zona oeste da cidade e região Central. “As regiões próximas às linhas ferroviárias estiveram por décadas esquecidas, excluídas dos interesses políticos e deixadas à margem das condições básicas para a sobrevivência. Há décadas foi ocupada por trabalhadores e famílias que ali construíram suas vidas e conquistaram seu direito à moradia. Hoje, essas pessoas se tornaram vítimas de um jogo de interesses onde o que menos importa é a condição de seu futuro”, explica o secretário parlamentar da Câmara dos Deputados, Leonardo Pinho.

Do outro lado da linha do trem

A acusação dos moradores assume verossímil relevância quando desencontros de informações e uma atípica rapidez no processo de aprovação orçamentária para a implosão do Moinho Santa Cruz são levados ao debate público.

Realizado surpreendentemente durante a semana entre o Natal e Ano Novo, o projeto de derrubada da antiga empresa exigia, segundo informações cedidas pela própria prefeitura, cerca de R$ 3,5 milhões, pagos às empresas Desmontec, que detonou os explosivos, e Fremix, responsável por transformar os detritos em brita. Ao todo, 800 kg de explosivos foram usados em 2,2 mil furos feitos em 260 pilares do térreo e do primeiro andar.

Por outro lado, segundo declaração cedida ao site G1, o diretor técnico da empresa Desmontec, Wesley Bartoli, revela que foram utilizadas somente 400kg de explosivo na implosão – metade do que fora anunciado oficialmente.

O resultado, no entanto, revelou-se frustrado, atingindo apenas dois dos seis andares do antigo Moinho Central, no bairro de Campos Elísios. O restante da estrutura encontra-se praticamente intacta, conforme acompanhou a reportagem de Catraca Livre na tarde da última quarta-feira, 4 de janeiro de 2012.



Entre a linha de trem e os barracos de madeira, o controverso episódio de 22 dezembro destaca a atuação de personagens como Milton Sales, um dos mais importantes porta-vozes da cultura hip-hop no Brasil e responsável pela articulação do movimento desde a década de 80. “Este episódio revela apenas a face de um Estado que massacra e oprime a população pobre, em nome de politicagem e interesses econômicos”, analisa Sales.

Considerado uma das principais lideranças da comunidade, Sales destaca a importância da luta pela permanência no local, garantido pelo benefício da Lei do Usucapião, que se configura na posse e uso de um bem imóvel , durante um determinado período, dando o direito a essa pessoa de pedir ao Estado, através do Poder Judiciário, que usou a terra para o seu sustento ou moradia, como se dono fosse, garantindo o título de propriedade do imóvel. “A luta é o direito estabelecido pela constituição, que deve ser respeitado”, reforça.

E para que as ilusões e vidas de milhares não se reduzam a pó, a luta dos moradores continua ,porque como já diria o mestre Cartola, “O Mundo é um Moinho”.

A luta pela permanência da Favela do Moinho conta com o apoio do Movimento Hip Hop Revolucionário, da Rede de Saúde Mental e Economia Solidária e do Movimento Sem Teto do Centro (MSTC). O vídeo abaixo reúne depoimentos de moradores presentes no incidente de 22 de dezembro, ecoando a versão de vozes ainda não ouvidas.

Fonte: Catraca Livre

Operação na cracolândia atrapalhou ações de saúde

Operação na cracolândia atrapalhou ações de saúde 
Foto: NILTON FUKUDA/AGÊNCIA ESTADO

Organização não-governamental "É de Lei" diz que ação policial no centro de São Paulo desarticulou trabalho de assistência social realizado no local; para coordenadores da ONG, falta acompanhamento após as internações na ação do governo

21 de Janeiro de 2012 às 16:31
Agência Brasil – A operação policial iniciada na cracolândia do centro de São Paulo no início desse ano desarticulou as ações de saúde e assistência social que vinham sendo feitas na região, avaliam os especialistas da organização não governamental (ONG) É de Lei. A entidade faz desde 1998 um trabalho de redução de danos com usuários de drogas.
Segundo o psicólogo e coordenador da ONG, Thiago Calil, nos últimos dois anos a prefeitura havia intensificado a assistência às pessoas que fumam crack nas áreas próximas a Estação da Luz. “Nós últimos anos começou a crescer bastante [o trabalho]. Por muito tempo, era só a gente”, conta. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) também começou no fim de 2010 um programa de aproximação com as crianças e adolescentes da região.
Essas ações que buscam ganhar a confiança dos dependentes para que eles passem a se cuidar e eventualmente buscar tratamento, foram, na opinião de Calil, comprometidas com a ação policial. “Estava rolando alguma coisa que parecia ser um caminho mais interessante. Esse vínculo mais humano, com várias equipes. Mas isso se esvaiu totalmente”, lamenta.
Além disso, o psicólogo acredita que ação policial ostensiva cria um clima pouco propenso para a aproximação com os usuários. “Tem quase uma agressão do Estado contra eles, fica uma coisa tensa”, ressalta.
Ele disse que também foi prejudicado o trabalho da É de Lei, que se aproxima dos usuários para incentivá-los a cuidarem de si mesmos, evitando contrair doenças e outros riscos relacionados ao crack. Para isso, a ONG distribuí insumos, como preservativos e piteiras de silicone, para evitar a transmissão de doenças com o compartilhamento dos cachimbos.
Com a dispersão dos viciados para outras áreas da cidade, após a ocupação das ruas pela Polícia Militar, Calil tenta agora reencontrar as pessoas com quem estabeleceu contato nos últimos anos. “Estou tentando achar as pistas para encontrar o pessoal, para não perder anos de trabalho que a gente veio construindo”.
Desde o começo da operação, a prefeitura contabiliza 2,3 mil abordagens de agentes de saúde e 2,2 mil de agentes da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. A atuação resultou em 436 encaminhamentos para serviços de saúde e 106 internações.
Para a diretora da É de Lei, Camila Alencar, os números não indicam que a operação tenha obtido sucesso nas ações de saúde. “As pessoas eram internadas antes dessa ação. Se você for ver a história dos usuários, a maioria sofreu pelo menos uma internação. Eles são internados e voltam”, disse.
Camila aponta outros problemas, como a falta de uma estrutura de acompanhamento após as internações. “Quando elas saírem, elas vão para onde?”, questiona. “Elas também podem se internar em um dia e sair em outro”, acrescenta.
De acordo com ela, os relatos dos usuários dizem ainda que existem dificuldades para acessar os serviços de saúde e assistência social. “Eu ouvi dizer que o processo de cuidado está muito burocrático. Não são todos que vão procurar que conseguem”, diz.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Lula libera PT para aliança com Kassab em São Paulo

Por Agência Estado
13 de Janeiro de 2012 às 20:30 Agência Estado
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva transferiu para o diretório municipal do PT paulista a responsabilidade sobre a discussão de um possível acordo com o PSD do prefeito Gilberto Kassab. Hoje, em reunião com vereadores e o presidente do diretório municipal, vereador Antonio Donato, Lula confirmou a proposta feita na última semana por Kassab e sugeriu que o PT discuta o assunto "com tranquilidade". "O Lula disse que é um assunto que temos de discutir com tranquilidade e deixou o PT confortável para tomar uma decisão", contou Donato.
Em meio à indefinição nas negociações com os tucanos, Kassab propôs ao ex-presidente na semana passada, durante visita no Hospital Sírio-Libanês, a indicação de um candidato a vice na chapa do pré-candidato petista Fernando Haddad em uma eventual dobradinha entre PT e PSD. Segundo Donato, Lula falou superficialmente sobre o tema, mas não escondeu a surpresa com a oferta de Kassab. O ex-presidente garantiu aos vereadores que, ao ouvir o prefeito, não se posicionou sobre a proposta.
Antes de receber nesta tarde os vereadores no Instituto Lula, na zona sul da capital paulista, o ex-presidente se submeteu à oitava sessão de radioterapia contra o câncer de laringe. Donato afirmou que Lula está "muito animado" com Haddad, mas que ainda não definiu como será sua participação na campanha de Haddad porque prefere aguardar o fim do tratamento. A expectativa é que ele mergulhe na pré-campanha após o Carnaval, quando será homenageado pela escola Gaviões da Fiel. "Queremos fazer a grande volta dele em março numa plenária com a militância", revelou.
A atual preocupação diretório municipal é com a saída de Haddad do Ministério da Educação. A expectativa era de que ele deixasse a Esplanada dos Ministérios na próxima segunda-feira (16), mas com a dificuldade da presidente Dilma Rousseff em definir mudanças amplas, Haddad terá de ficar até fevereiro, quando deverá ocorrer a reforma ministerial. "Vamos ter agenda forte em fevereiro. Se passar do começo do mês, aí complica", disse Donato. O dirigente, que também preside o Conselho Político da pré-campanha, lembrou que Haddad precisa concluir seu trabalho antes de passar a pasta para seu substituto, mas que sua cabeça, na realidade, já está na cidade de São Paulo. "Ele está ansioso" contou.