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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Professor demonstra manipulação de O Globo sobre Venezuela

17 de Abril de 2013 - 15h19  do Vermelho

Diante da manipulação da informação nos jornais da Rede Globo, como O Globo, sobre a situação econômica da Venezuela, depois da confirmação de que o candidato Nicolás Maduro,  Partido Socialista Unido da Venezuela (Psuv) venceu a eleição no domingo (14), o professor de economia Victor Leonardo enviou carta ao impresso manifestando sua indignação. No domingo, uma onda de violência foi iniciada pela oposição.


Globo ataca governo venezuelano com dados manipulados

Prezada Senhora Sandra Cohen

Editora de Mundo de O Globo

Já é sabido que o jornal O Globo não nutre qualquer simpatia pelo governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, e tem se esforçado a formar entre os seus leitores opinião contrária ao chavismo – por exemplo, entrevistando o candidato Henrique Caprilles sem oferecer ao leitor entrevista com o candidato Nicolás Maduro em igual espaço. Isto por si já é algo temerário, mas como eu não tenho a capacidade de modificar a linha editorial do jornal, resigno-me. O problema é que o jornal tem utilizado sistematicamente dados um tanto quanto estranhos na sua tarefa de formar a opinião do leitor. Sou professor de Economia da Universidade Federal Fluminense e, embora não seja “especialista” em América Latina, conheço alguns dados sobre a Venezuela e não poderia deixar de alertá-la quanto aos erros que têm sido sistematicamente cometidos.

Como parte do esforço de mostrar que o governo Chávez deixou a economia “em frangalhos”, o jornalista José Casado, em matéria publicada em 15/04/2013 (“Economia em frangalhos no caminho do vencedor”) informa que o déficit público em 2012 foi de 15% do PIB. Infelizmente, as fontes desta informação não aparecem na reportagem (apenas uma genérica referência a “dados oficiais e entidades privadas”!!!), uma falha primária que nem meus alunos não cometem mais em seus trabalhos. Segundo estimativas apresentadas para o ano de 2012 no “Balanço Preliminar das Economias da América Latina e Caribe”, da conceituada Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), o déficit foi de 3,8% do PIB, ligeiramente menor do que no ano anterior, mas muito inferior ao apresentado pelo jornal. Caso o jornalista queira construir a série histórica para os resultados fiscais para a Venezuela (e qualquer outro país do continente), pode consultar também as várias edições do “Estudio Económico” também da Cepal. Para poupar o seu trabalho: a Venezuela registrou superávit primário de 2002 a 2008: 1% do PIB; 2003: 0,3; 2004: 1,8; 2005: 4,6; 2006: 2,1; 2007: 4,5; 2008: 0,1; e déficit nos anos seguintes: 2009: -3,7% do PIB; 2010: -2,1; 2011: -1,8; 2012: -1,3. O déficit é decrescente, mas bem distante dos 15% do PIB publicados na matéria. Afirmar que o déficit público na Venezuela corresponde a 15% do PIB tem sido um erro recorrente, e também aparece na matéria intitulada “Onipresente Chávez”, publicada na véspera, também no caderno “Mundo” do jornal O Globo em 13/04/2013. A este propósito, tenho uma péssima informação a lhe dar: diante de um quadro fiscal tão saudével, o presidente Nicolás Maduro não precisará realizar ajuste fiscal recessivo, e terá condições de seguir com as políticas de seu antecessor.

A matéria do dia 15/04/2013 possui ainda outros erros graves. O primeiro é afirmar que existe hiperinflação na Venezuela, e crescente. Não há como negar que a inflação é um problema grave na Venezuela, mas O Globo não tem dispensado o tratamento adequado para informar os seus leitores. A inflação na Venezuela tem desacelerado: foi de 20% em 2012, contra 32% em 2008 (novamente utilizo os dados da Cepal). Tudo indica que o jornalista não possui conhecimento em Economia, pois a Venezuela não se enquadra em qualquer definição existente para hiperinflação – a mais comumente utilizada é de 50% ao mês; outras, mais qualitativas, definem hiperinflação a partir da perda da função de meio de troca da moeda doméstica, situações bem distantes do que ocorre na Venezuela.

Outro equívoco é afirmar que “não há divisas suficientes para pagar pelas importações”. A Venezuela acumula superávits comerciais e em transações correntes (recomendo que procure os dados - os encontrará facilmente na página da Cepal). Esta condição é algo estrutural, e a Venezuela é a única economia latino-americana que pode dar-se ao luxo de não precisar atrair fluxos de capitais na conta financeira para financiar suas importações de bens e serviços. Isto decorre exatamente das exportações de petróleo.

O problema, Senhora Sandra Cohen, é que os erros cometidos ao expor a situação econômica venezuelana não se limitam à edição do dia 15/04, mas tem sido sistemáticos e corriqueiros. Como parte do esforço de mostrar que o governo Chávez deixou uma “herança pesada”, a jornalista Janaína Figueiredo divulgou no dia 14/04 (“Chavismo joga seu futuro”) que em 1998 a indústria respondia por 63% da economia venezuelana, e caiu para 35% em 2012. Infelizmente, a reportagem comete o erro primário que o seu colega José Casado cometeu: não cita suas fontes. Em primeiro lugar, a informação dada pelo jornal é que a Venezuela era a economia mais industrializada do globo terrestre no ano de 1998. Veja bem: uma economia em que a indústria representa 63% do PIB é super-hiper-mega-industrializada, algo que sequer nos países desenvolvidos foi observado naquele ano, nem em qualquer outro. E a magnitude da queda seria digna de algo realmente patológico. Como trata-se de um caso de desindustrialização bastante severo, procurei satisfazer a minha curiosidade, fazendo algo bastante corriqueiro e básico em minha profissão (e, ao que tudo indica, o jornalista não fez): consultei os dados. Na página do Banco Central da Venezuela encontrei a desagregação do PIB por setor econômico e lá os dados eram diferentes: a indústria respondia por 17,3% do PIB em 1998, e passa a representar 14% em 2012. Uma queda importante, sem dúvida, mas algo muito distante da queda relatada por sua jornalista. Caso a senhora, por qualquer juízo de valor que faça dos dados oficiais venezuelanos, quiser procurar em outras fontes, sugiro novamente a Cepal, (Comissão Econômica para América Latina e Caribe). As proporções mudam um pouco (21% em 1998 contra 18% em 2007 – os dados por lá estão desatualizados), mas sem adquirir a mesma conotação trágica que a reportagem exibe. Em suma: os dados publicados na matéria estão totalmente errados.

O erro cometido é gravíssimo, mas não é o único. A reportagem ainda sugere que a Venezuela é fortemente dependente do petróleo, respondendo por 45% do PIB. Novamente, a jornalista não cita suas fontes. Na que eu consultei (o Banco Central da Venezuela), o setor petróleo respondia por 19% do PIB em 1998, contra pouco mais de 10% em 2012. Como a Senhora pode perceber, a economia venezuelana se diversificou. Não foi rumo à indústria, pois, como eu mesmo lhe mostrei no parágrafo acima, a participação desta última no PIB caiu. Mas, insisto, a dependência do petróleo DIMINUIU, e não aumentou como o jornal tem sistematicamente afirmado.

A edição de 13/04/2012, traz outros erros graves. Eu já falei anteriormente sobre os dados sobre déficit público apresentados pela matéria assinada pelo jornalista José Casado (“Onipresente Chávez”). A mesma matéria afirma que a participação do Estado venezuelano representa 44,3% do PIB. O conceito de “participação do Estado na economia” é algo bastante vago, e por isso era importante o jornalista utilizar alguma definição e citar a fonte – mas isto é algo, ao que tudo indica, O Globo não faz. Algumas aproximações para “participação do Estado na economia” podem ser utilizadas, e as mais usuais apresentam números distantes daqueles exibidos pelo jornalista: os gastos do governo equivaliam a 17,4% do PIB em 2010 (contra 13,5% em 1997) e a carga tributária em 2011 era de 23% (contra 21% em 2000), nada absurdamente fora dos padrões latino-americanos.

Enfim, no afã de mostrar uma economia em frangalhos, O Globo exibe números que simplesmente não correspondem à realidade da economia venezuelana. Veja bem: eu nem estou falando de interpretação dos dados, mas sim de dados equivocados!

Seria importante oferecer ao leitor de O Globo uma correção dessas informações – mas não na forma de errata ao pé de página, mas em uma reportagem que apresente ao leitor a economia venezuelana como ela é, e não o caos que O Globo gostaria que fosse.

E, por favor, nos próximos infográficos, exibam suas fontes.

Atenciosamente,

Victor Leonardo de Araujo

Fonte: Rede Democratica

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Tucanos fascistas tentam impedir campanha de Fernando Haddad. Veja o vídeo

20/07/2012 às 7:00h  Do DM PT SP e PenseNovo.TV

Lamentável o comportamento de militantes do PSDB que, sem se identificar, tentaram interromper atividade da campanha que o candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, fez no bairro do Brás na quarta-feira (18). Usando de um expediente tipicamente fascista, quatro jovens tucanos passaram-se por estudantes para protestar contra a greve nas universidades federais, como se estivessem mesmo preocupados com esta paralisação.
Dois dos manifestantes foram identificados, segundo a Folha de S. Paulo: Marcos Saraiva, que se define como conselheiro político da juventude estadual do PSDB; e Victor Ferreira, secretário da juventude tucana. Saraiva exibe em sua página no Facebook um emblema do famigerado CCC (Comando de Caça aos Comunistas), grupo de extrema-direita que praticou atentados e agressões contra estudantes, artistas e intelectuais durante a ditadura militar. Em pleno século XXI, a juventude tucana ainda está com a cabeça em 1968 e, pior, do lado errado da história.
O direito de greve é uma conquista dos trabalhadores brasileiros, resultado de muita luta contra o arbítrio, a opressão e pela retomada da democracia no Brasil. É inadmissível a tentativa de alguns indivíduos de fazer uso político do protesto, querendo prejudicar a campanha da coligação Para Mudar e Renovar São Paulo (PT, PC do B, PSB, PP).
A atitude dos quatro tucanos mostra a verdadeira face do PSDB, partido que abusa do discurso em favor da democracia, mas que na prática age com intolerância e desrespeito contra os adversários. O episódio é um alerta de que o PSDB está disposto a usar de qualquer expediente para favorecer seu candidato na eleição para a Prefeitura de São Paulo.
O paulistano repudia esse tipo de comportamento. O povo de São Paulo respeita os valores democráticos e nesta campanha eleitoral quer ver e ouvir dos candidatos propostas concretas para melhorar o transporte público, a saúde e a segurança na cidade, que hoje enfrenta sérios problemas por conta da incompetência da gestão Serra/Kassab.
A coligação Para Mudar e Renovar São Paulo prosseguirá com sua campanha democrática, de respeito aos adversários. Uma campanha propositiva, que dialoga com todos os setores da sociedade e debate com a população soluções para os sérios problemas que São Paulo enfrenta hoje. Não vamos nos intimidar com as provocações dos intolerantes e autoritários, para quem democracia só é boa no discurso.
Antonio Donato
Vereador, presidente do PT municipal de São Paulo e coordenador da campanha de Fernando Haddad

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dom Eugênio Sales: O cardeal da ditadura.

No Terra Brasilis
Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades da ditadura militar eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário

Por José Ribamar Bessa Freire*

O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão “Uma cidade sem passado”, de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.

Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é “Minha cidade natal na época do III Reich”. Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing – como é denominada no filme – considerada até então baluarte da resistência antinazista.

Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória – o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen – fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas.

Ninguém quer que uma “judia e comunista” futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.

A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço – perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha – resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.

Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.

Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.

Deus tá vendo

E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.

Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação “Deus tá vendo”, organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?

Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio – O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho.

Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.

O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das “candocas” – como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As “candocas” desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as “candocas”, que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada “Marcha da família com Deus pela liberdade”, que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro “1964: A Conquista do Estado” (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.

Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia – e não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa – posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos.

“Quem tem dúvidas… basta pesquisar os textos assinados por ele no JB e n’O Globo” – escreve a jornalista Hildegard Angel, que foi colunista dos dois jornais e avaliou assim a opção preferencial do cardeal:

“A Igreja Católica, no Rio, sob a égide de dom Eugenio Salles, foi cada vez mais se distanciando dos pobres e se aproximando, cultivando, cortejando as estruturas do poder. Isso não poderia acabar bem. Acabou no menor percentual de católicos no país: 45,8%…”

Portões do Sumaré

Por isso, a jornalista estranhou – e nós também – a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal “defendeu a liberdade e os direitos individuais”. O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão “do respeito às pessoas e aos direitos humanos”.

Não foram só os políticos. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio “uma quantidade enorme de asilados políticos”, calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em “mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul”. Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal era um agente duplo. Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como “o intrépido pastor”.

Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só – umazinha – dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal.

Segundo Hilde, dom Eugênio “fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos “subversivos” que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)”. Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar “que ocorreu justo o contrário!”, como no filme “Uma cidade sem passado”.

Mas não é tão surpreendente assim. O texto de Hildegard menciona a grande habilidade, em vida, de dom Eugenio, em “manter ótimas relações com os grandes jornais, para os quais contribuiu regularmente com artigos”. As azeitadas relações com os donos dos jornais e com alguns jornalistas em postos-chave continuaram depois da morte, como é possível constatar com a cobertura do velório. A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder.

Os jornais elogiaram, como uma virtude e uma delicadeza, o gesto do cardeal Eugenio Sales que cada vez que ia a Roma levava mamão-papaia para o papa João Paulo II, com o mesmo zelo e unção com que o senador Alfredo Nascimento levava tucumã já descascado para o café da manhã do então governador Amazonino Mendes. São os rituais do poder com seus rapapés.

“Dentro de uma sociedade, assim como os discursos, as memórias são controladas e negociadas entre diferentes grupos e diferentes sistemas de poder. Ainda que não possam ser confundidas com a “verdade”, as memórias têm valor social de “verdade” e podem ser difundidas e reproduzidas como se fossem “a verdade” – escreve Teun A. van Dijk, doutor pela Universidade de Amsterdã.

A “verdade” construída pela mídia foi capaz de fotografar até “a presença do Espírito Santo” no funeral. Um voluntário da Cruz Vermelha, Gilberto de Almeida, 59 anos, corretor de imóveis, no caminho ao velório de dom Eugênio, passou pelo abatedouro, no Engenho de Dentro, comprou uma pomba por R$ 25 e a soltou dentro da catedral. A ave voou e posou sobre o caixão: “Foi um sinal de Deus, é a presença do Espírito Santo” – berraram os jornais. Parece que vale tudo para controlar a memória, até mesmo estabelecer preço tão baixo para uma das pessoas da Santíssima Trindade. É muita falta de respeito com a fé das pessoas.

“A mídia deve ser pensada não como um lugar neutro de observação, mas como um agente produtor de imagens, representações e memória” nos diz o citado pesquisador holandês, que estudou o tratamento racista dispensado às minorias étnicas pela imprensa europeia. Para ele, os modos de produção e os meios de produção de uma imagem social sobre o passado são usados no campo da disputa política.

Nessa disputa, a mídia nos forçou a fazer os comentários que você acaba de ler, o que pode parecer indelicadeza num momento como esse de morte, de perda e de dor para os amigos do cardeal. Mas se a gente não falar agora, quando então? Stuart Angel e os que combateram a ditadura merecem que a gente corra o risco de parecer indelicado. É preciso dizer, em respeito à memória deles, que Dom Eugênio tinha suas virtudes, mas uma delas não foi, certamente, a solidariedade aos perseguidos políticos para quem os portões do Sumaré, até prova em contrário, permaneceram fechados. Que ele descanse em paz!

P.S: O jornalista amazonense Fábio Alencar foi quem me repassou o texto de Hildegard Angel, que circulou nas redes sociais. O doutor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, historiador e professor da Universidade Federal do Amazonas, foi quem me indicou, há anos, o filme “Uma cidade sem passado”. Quem me permitiu discutir o conceito de memória foram minhas colegas doutoras Jô Gondar e Vera Dodebei, organizadoras do livro “O que é Memória Social” (Rio de Janeiro: Contra Capa/ Programa de Pós- Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005). Nenhum deles tem qualquer responsabilidade sobre os juízos por mim aqui emitidos.

*José Ribamar Bessa Freire é professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)


domingo, 15 de abril de 2012

Veja faz fumaça também para defender agiotagem dos bancos

A revista Veja não fez cortina de fumaça só contra a CPI do Cachoeira. Fez a mesma coisa para defender os juros extorsivos dos bancos privados.

A revista começa fazendo cortina de fumaça dizendo "a estratégia dos bancos públicos é louvável" (também se entrasse de sola dizendo-se contra, desagradaria seus próprios leitores de classe média), para em seguida repetir a mesma ladainha do lobby pela agiotagem dos banqueiros privados, que foram ao Palácio do Planalto dizer que, para baixar os juros, precisam mamar nas tetas do governo.


A revista comete ato falho e confessa o lobby neste trecho onde toma as dores da FEBRABAN (Federação de bancos):
Ao criticar as demandas feitas pela Federação dos bancos (Febraban) para reduzir os juros, Guido Mantega afirmou que as instituições privadas querem jogar a responsabilidade do spread “nas costas do governo” e que elas “têm margem para reduzir taxas”. A declaração evidencia uma avaliação tacanha do problema. Os bancos inegavelmente possuem – como ocorre na maioria dos países, aliás – elevada rentabilidade, mas o alto custo final do dinheiro no Brasil está longe de se resumir a essa questão. Boa parte da explicação está nas deficiências da própria economia e sua solução depende sim do Planalto.
Só que pouco antes, a revista caiu em contradição ao dizer:
A ação do BB e da CEF, seguida pelo privado HSBC... [o HSBC também cortou juros para pessoas física]
Ora, se um banco privado estrangeiro, que atua em centenas de países, acompanhou o corte de juros, é a confirmação cristalina de que o ministro está certo, e havia margem de sobra para cortar, e aquela conversa de "deficiências da própria economia" não passa de lobby da Veja e da FEBRABAN.

Não sei como que o leitor da revista, de classe média, usuário de serviços bancários, não se dá conta que a revista o está chamando de otário, com essa argumentação tacanha.

Em outro trecho a revista faz proselitismo para desestimular clientes mudarem de banco, escondendo do leitor a existência da portabilidade de financiamentos regulamentada pelo Banco Central, e da "transferência automática de salário" para quem tem conta-pagamento:
Até então, seguras da “dor de cabeça” que é trocar de banco, as supostas concorrentes não moviam grande esforço para assediar clientes umas das outras — e tampouco sacrificavam suas margens.
Bradesco patrocina a Veja, e Itau é grande anunciante

O banco privado Bradesco patrocina o acervo digital da revista Veja, além de fazer grandes anúncios nas páginas impressas:

O Banco privado Itaú também é grande anunciante da Veja, em páginas duplas:


O Bradesco ainda patrocina na TV o "Jornal Nacional" e o Itaú o "Jornal da Globo".

Como se vê, há fortes indícios de uma ação política entre os bancos e a mídia pela manutenção dos privilégios e do projeto de poder demotucano.

É por isso que é importante pessoas progressistas engajadas em romper com os 500 anos de atrasos e golpismo contra a prosperidade do povo e da nação, devem tomar a decisão POLÍTICA de mudar suas contas dos bancos privados para os bancos públicos. Porque se continuarem sendo clientes destes bancos privados, além de enfraquecerem o controle público sobre o sistema financeiro nacional, acabam por ajudar a financiar estas revistas e telejornais golpistas.

A última edição de Veja



O medo da Veja




Por foo
Comentário ao post "A capa da Veja"
Eu li o artigo da Veja, e só tenho uma observação: a Veja quer enterrar a CPI, custe o que custar.

O caso Cachoeira pega diretamente o senador Demóstenes Torres (DEM/Goiás), o governador Marconi Pirilo (PSDB/Goiás), o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO) e o editor-chefe da revista Veja, Policarpo Jr.

A primeira reação da mídia, diante do escândalo, foi tentar envolver todo mundo: Agnelo (PT/DF), Protógenes (PCdoB/SP), e a construtora Delta -- que, segundo a imprensa, "faz negócios com o Governo Federal" -- convenientemente omitindo o fato de que a Delta faz negócios com todas as esferas do governo, em diversos estados, inclusive São Paulo!!!
 
 
Notícias recentes da Folha, do Estadão, e da Globo, dizem que a CPI preocupa a Dilma e setores do PT; quando os mais preocupados, obviamente, devem ser o DEM e o PSDB.


 
Mas vamos assumir que as acusações sejam verdadeiras, e que Agnelo, Protógenes, e o próprio Governo Federal estejam envolvidos no escândalo. Este seria, sem dúvida nenhuma, o maior escândalo da história recente do país. Maior do que o mensalão, que segundo a Veja foi "o maior escândalo de corrupção da história do país".
 
 
A Veja não quer investigação, e usa todos os artifícios que têm à sua disposição para isso: apela para a PT-fobia, para o "risco para a liberdade de expressão", para a imagem de Hitler e Mussolini... nenhum recurso é deixado de lado no objetivo de demonstrar, por A+B, que a CPI será péssima para o Brasil.
Vamos a alguns trechos do artigo (em negrito, intercalado com meus comentários):

"Com o julgamento do mensalão pelo Supremo a caminho, os petistas lançam uma desesperada ofensiva para tentar desviar a atenção dos crimes cometidos por eles no que foi o maior escândalo de corrupção da história brasileira"
 
 
Mas quem está fazendo "uma desesperada ofensiva para desviar a atenção dos crimes cometidos" é a própria Veja. (Apenas como exemplo, além dos mais de 200 telefonemas entre Policarpo e Cachoeira, agora temos evidências de que a gravação do Hotel Nahoum -- naquela fatídica capa contra "o poderoso chefão" José Dirceu -- foi feita pelo bicheiro.)
 
 
E a Veja continua, dizendo que "o PT espera desmoralizar na CPI todos que considera pessoal ou institucionalmente responsáveis pela apuração e divulgação dos crimes cometidos pelos correlegionários no mensalão — em especial a imprensa."

A imprensa não precisa do PT para se desmoralizar. Ela tem feito isso por conta própria.

"Esse truque funcionou na União Soviética, funcionou na Alemanha nazista, funcionou na Itália fascista de Mussolini, por que não funcionaria no Brasil?". E responde: "Bem, ao contrário dos laboratórios sociais totalitários tão admirados por petistas, o Brasil é uma democracia, tem uma imprensa livre e vigilante"

O Brasil é uma democracia, e a liberdade de imprensa não está sob ameaça. Qualquer um pode escrever o que quiser, e sites na internet começam a dar furos em tempo real -- antes mesmo que as revistas possam chegar às mãos dos assinantes. Isso não significa que a imprensa possa se associar ao crime, ocultar a existência de uma quadrilha por 8 anos em troca de informações privilegiadas, obtidas de maneira ilegal, e promover membros desta quadrilha a "mosqueteiros da ética".

O delírio prossegue: "Uma CPI dominada pelo PT e seus mais retrógrados e despudorados aliados é o melhor instrumento de que a falconaria petista poderia dispor — pelo menos na impossibilidade, certamente temporária para os falcões, de suprimir logo a imprensa livre, o Judiciário independente e o Parlamento."

Aqui a Veja deixa bem claro -- na sua opinião, a CPI é um instrumento para suprimir a imprensa livre, o judiciário independente, e o parlamento. É um instrumento para transformar o Brasil em um ditadura. É uma simplificação grosseira -- como outras que aparecem no artigo -- com o objetivo de causar um mal-estar com relação à CPI.

A essa altura o leitor típico de Veja deve estar pensando: "esta CPI é um perigo!"

"Enquanto o triunfo final não vem, os falcões petistas vão se contentar em usar a CPI para desmoralizar todos os personagens e forças que ousem se colocar no caminho da marcha arrasadora da história, que vai lançar ao lixo todos os que atacaram o PT e, principalmente, seu maior líder, o ex-presidente Lula."

O mais curioso, de acordo com a tortuosa lógica da Veja, é que -- mesmo que a rede de corrupção de Carlinhos Cachoeira seja "suprapartidária", isto é, envolva diretamente o PT -- esta CPI seria de interesse do partido.

"Lula viu na CPI a oportunidade política de mostrar que todos os partidos pecam. Que todos são farinha do mesmo saco e, por isso mesmo, o mensalão não seria um esquema de corrupção inaudito, muito menos merecedor de um rigor maior por parte do Judiciário e da sociedade. Para os petistas, apagar a história neste momento é uma questão de sobrevivência."

Questão de sobrevivência? A presidenta Dilma tem o maior índice de aprovação de toda a história do país, superando até mesmo o Lula; a oposição está desorientada; a própria Veja diz que o PT estaria caminhando rumo ao poder absoluto. Por que esta seria uma "questão de sobrevivência"? O artigo da Veja não consegue manter-se auto-coerente; a única coisa que está perto de se extinguir é a credibilidade da revista.

"É tamanha a ânsia de Lula e dos mensaleiros para enterrar o escândalo que, se preciso, o PT rifará o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, que também aparece no arco de influência dos trambiques da máfia do jogo."

É tamanha a ânsia da Veja para enterrar a CPI que, se preciso, deixará o petista Agnelo Queiroz livre, junto com Cachoeira, Demóstenes, Pirilo, Leréia, e, é claro, o editor-chefe da revista, Policarpo Jr.

Para defender Policarpo, sem citar o seu nome, a revista diz: "A oportunidade liberticida que apareceu agora no horizonte político é tentar igualar repórteres que tiveram Carlos Cachoeira como fonte de informações relevantes e verdadeiras com políticos e outras autoridades que formaram com o contraventor associações destinadas a fraudar o Erário."

É uma simplificação grosseira. Policarpo Jr. fez muito mais do que apenas usar Carlos Cachoeira como fonte. Ele usou e foi usado. Durante mais de 8 anos, em mais de 200 telefonemas gravados e reuniões presenciais, Policarpo Jr ajudou a promover os interesses da quadrilha, enquanto a quadrilha satisfazia os interesses da Veja.

A Veja sabia das relações de Demóstenes com Carlinhos Cachoeira, e nunca falou nada. Ou melhor: enalteceu Demóstenes, chegando ao ponto de dizer que ele era um dos "mosqueteiros da ética" do senado. A Veja também ajudou a melar uma CPI contra Cachoeira em 2004. Em troca, Cachoeira foi responsável por inúmeros "furos" da revista, em gravações ilegais que envolviam terceiros.

Mas a Veja prossegue com a seguinte lição sobre a ética jornalística:

"Os petistas acham que atacar o mensageiro vai diminuir o impacto da mensagem. Pelo que disse Marco Maia, eles vão tentar mostrar que obter informações relevantes, verdadeiras e de interesse nacional lança suspeita sobre um jornalista. Maia não poderia estar mais equivocado. Qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Isso é básico."

Se Cachoeira tivesse feito gravações de suas conversas com Demóstenes e Pirilo, isto estaria dentro da ética jornalística.

Mas Cachoeira fez gravações contra terceiros -- pessoas que não estavam envolvidas com eles. Para citar um exemplo, hoje sabemos que as filmagens no Hotel Nahoum foram obra da quadrilha. A reportagem de capa de Veja foi ironicamente intitulada "O Poderoso Chefão".

A Veja tinha acesso ao verdadeiro "chefão" -- e nunca falou nada.

A Veja teve acesso a todas as informações sobre a máfia de Goiás e nunca denunciou o esquema.

Durante 8 anos a Veja usou e foi usada por Carlinhos Cachoeira. E é por isso que estão com medo. Mas não é só isso:
"Motivo mesmo para uma CPI seria investigar os milionários repasses de dinheiro público que o governo e suas estatais fazem a notórios achacadores, chantagistas e manipuladores profissionais na internet. Fica a sugestão."

A Veja está com medo porque não controla mais a informação. Se a CPI sair, não haverá como filtrar as informações.

Viva os blogs sujos!

Viva a internet!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Leia a espantosa decisão judicial sobre a Operação Monte Carlo

Vazou a íntegra do inquérito que originou a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desarticulou quadrilha que explorava máquinas caça-níqueis em Goiás. São três volumes imensos, contendo diálogos travados entre Carlinhos Cachoeira e a quadrilha.
A decisão da Justiça Federal de Goiás contém trecho em que transparece espanto com o surgimento do personagem Demóstenes Torres e de jornalistas de grandes meios de comunicação entre os quais, de acordo com o jornalista Luis Nassif, estaria Policarpo Jr., da revista Veja.
Reproduzo, abaixo, três páginas da decisão judicial que determinou prisões e outras medidas envolvendo autoridades de vários níveis em Goiás. O inquérito também insinua envolvimento do governo do tucano Marconi Perillo com o crime organizado.
Quem quiser ter acesso à íntegra do inquérito, pode acessar seus três volumes aqui, aqui e aqui. Todavia, os trechos iniciais da decisão da Justiça dão a dimensão da gravidade do caso. Abaixo, as três primeiras páginas dessa decisão.

sábado, 24 de março de 2012

Os “cães de guarda” da Folha. E as caminhonetes da tortura

Publicado em 24/03/2012 por PHA

    Este ansioso blog já tinha dito que A Folha (*) editou um livro para se blindar contra as caminhonetes que  participavam da tortura” A blindagem dá certo. Nada mais parecido com um Luzia do que um Saquarema – a a Folha com o Estadão. Na pág. S3 do caderno “Sabático”, deste sábado, Eugenio Bucci dá guarida à versão da blindagem: as caminhonetes da Folha, sim, se prestavam a conduzir torturados e torturadores para “pontos” e “sessões de tortura” … mas Papai não sabia. Papai é o “seu” Frias, o dono da Folha, um empresário meticuloso, obstinado, que, porém, não sabia o que acontecia com suas caminhonetes. Quem diz que Papai não sabia é o filho, o Otavinho, “publisher” da Folha. Este ansioso blog já se perguntou, uma vez, quantos Bucci cabem num Eugênio ? Bucci trabalhou para o Governo Lula, ao lado do PT, não foi aproveitado para o segundo mandato, e se fez um dos expoentes do colonismo (**) pátrio, especialista em “Comunicação Pigal”. A tal ponto que dirige um think tank sobre aperfeiçoamento das técnicas de jornalismo, associado à revista Veja ! O detrito de maré baixa, aquele que odeia o Brasil, porque o dono é um perdedor. Mas, o Bucci não se sente constrange com a proximidade da Veja e seus detritos. Otavinho deu entrevista ao autor do livro que editou. Ele e o pai, porém, se recusaram a dar entrevista a uma pesquisadora, Beatriz Kushnir, que escreveu importante trabalho sobre os “cães de guarda”- como a Folha, que protegeu o regime militar, aquele que chamou, em editorial, de “ditabranda”. O Mauricio, editor do Conversa Afiada, releu o livro de Beatriz e fez uma didática ficha sobre o PiG (***) e o regime militar. Para ajudar os estudantes de jornalismo a “desblindar” a versão do Otavinho. A blindagem corrente pode ser interpretada como uma tentativa de sufocar a verdeira história dos “cães de guarda”: Cães de Guarda – Jornalistas e Censores, do AI5 à Constituição de 1988 Kushnir, Beatriz – Editora Boitempo, março de 2004 - Beatriz Kushnir é mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense e doutora pela UNICAMP Kushnir trata da correlação que havia entre os jornalistas e os censores. Uma relação tortuosa, onde, ora, jornalistas iam para aparato estatal, e censores iam para as redações. Resumi ponto a ponto. Segue a analise com comentários meus. (Em itálico, citação do original).

1.) Pág 42 – Sobre a tese de Mino Carta de que não havia censura aos grandes jornais.  A autora cita o censor do Estadão, uma de suas inúmeras entrevistas, e derruba o argumento utilizado principalmente pelo Estadão para sustentar que o jornal lutou pela democracia: “Para o censor Coriolano Loyola Cabral Fagundes , que atuou no Estadão na época, a tática de utilizar as receitas de bolo e os poemas era, na visão da censura, uma permissão ao jornal.”

2.) Pág 44 – A autora defende que a autocensura adotada pelos jornais, se não simpáticos ao regime, se tornaram historicamente ligados ao processo que nele resultou, foi o  recurso  predominante na época.  Ela cita Bernardo Kucinski: “A autocensura determinou o padrão de controle de informação durante quinze anos de ditadura militar [...] A autocensura é a supressão intencional da verdade ou de parte pelo jornalista ou pela empresa jornalística, de forma a iludir o leitor ou privá-lo de dados relevantes. Trata-se de uma importante fraude [..] um crime intelectual.
3.) Pág 49 – A autora reproduz trechos de uma circular de Sette Câmara para aplicar a autocensura no JB:  “Em teoria há plana liberdade de expressão. Mas na prática o exercício dessa liberdade tem que ser pautado pelo bom senso e pela prudência [...] O JB teve uma parte importante na Revolução de 1964 e continua fiel ao ideário, que então pregou. Se alguém mudou foram os líderes da Revolução. [Nesse sentido] deverão sempre optar pela supressão de qualquer notícia  que possa representar um risco para o jornal.”

4.) Pág 51 – A autora cita texto incrível de Jânio de Freitas na Folha, na semana em que se lembrava dos 30 anos do AI5. Ele diz:  “Não seria possível ser contra o AI-5 sem ser contra o regime. E a imprensa , embora uma ou outra discordância eventual, mais do que aceitou o regime: foi uma arma essencial da ditadura.

5.) Pág 189 – Walter Clark aparece como herói da autocensura na Globo. O Padrão Globo de Qualidade, assim como o memorando do JB que tinha o mesmo nome, veio para blindar a emissora de problemas com o Governo, da qual era aliada.  Ele diz sem corar que contratou um censor profissional para revisar toda a programação. “Não iria oferecer meu pescoço em holocausto, para ele [Dias Gomes] posar de campeão da liberdade. Contratei um ex-diretor do Departamento de Censura da Guanabara, Ottati, e o coloquei ali com a missão de ler tudo que ia para o ar, fazendo a censura mais rigorosa que era possível.”

6.) Pág 203 – Boris Casoy, editor-responsável pela Folha entre 77 e 84, revela a Kushnir que tinha uma relação “cordial” com seu censor, Richard Bloch. A relação se tornou quase de amizade: “Após deixar o Serviço de Censura, Bloch um dia ligou para Casoy, queria conhece-lo, saíram para almoçar”.

7.) Pag 214 – Kushnir cita a “Regra do Jogo”, livro de Claudio Abramo, onde o jornalista explica que é um equívoco da esquerda achar que é o Estado quem censura. Segundo  Abramo, quem censura são os donos de jornal.
(A proposito, não deixe de ler editorial do Mino Carta desta semana: trata de Claudio Abramo)

8.) Pág 221 – A autora volta a citar  “Regra do Jogo”, onde Abramo lamenta o dia em que foi parar na Folha: “ Às vezes, acho que ter ido para Folha foi um dos maiores erros que cometi na vida, pois ajudei muito o jornal e hoje sou marginalizado”.

9.)Pág 222 – Para fazer um contraponto a Abramo, Kushnir cita outro autor recorrente no livro, B. Kucinski, para quem Abramo se tornou um homem amargo, quase infeliz:  “Abramo desperdiçou energia tentando inutilmente reeducar os donos da imprensa brasileira, fazer deles uma elite educada para um espaço público republicano e o compromisso social”.  

10.) Pág 225 – Kushnir reproduz pensamento de Mino Carta sobre a demissão de Abramo, no episódio que envolveu artigo de Lourenço Diaféria. Abramo teria saído por exigência do Ministro da Guerra, Silvio Frota. Porém, dias depois, Frota caiu, como Mino havia previsto, em conversa com Otávio Frias. Mesmo depois da queda de Frota, Abramo não retornou à redação. Abramo diz em seu “A Regra do Jogo” que saiu porque ficou forte, e se ficou forte, eles, os donos, eliminam.

11.) Pág 229 – Kushnir explica em nota que Otávio Frias pai e filho, não quiseram dar entrevista.

12.) Pág 233 – A autora traz entrevista com o jornalista Carlos Brickmann que fala da fase sinistra da Folha da Tarde de 1967 a 1969. Ele explicita o caráter comercial da empreitada que servia para competir com o Jornal da Tarde, de Mino Carta.  Brickmann deixa clara uma característica marcante de Frias, pai: “Naquela época, ele [Frias] disse na minha frente que, em primeiro lugar,  ele era criador de pintos, em segundo, comerciante, em terceiro, industrial, em quarto, nada, em quinto, nada, em sexto, jornalista [...] O Jorge Miranda Jordão me contou numa conversa de bar que Frias o chamou para fazer um jornal de esquerda. Ele gostou da ideia e fez [...] Não era nada, exceto oportunismo mercadológico”.

13.) Pag 273. Kushnir cita o jornalista Antônio Carlos Fon, de “Tortura: a histórica da repressão política no Brasil”, onde o autor acusa a Folha da Tarde de usar suas caminhonetes para transportar presos do DOI-CODI. A autora mostra que carros da  Folha foram queimados por militantes de esquerda entre 21/9/1971 à 25/10/1971, em represália. Fon ainda acusa a Folha de entregar a direção da Folha da Tarde aos agentes da repressão, que fizeram dele instrumento de propaganda e colaboração com os militares ligados à tortura.

14.) Pág 300. Sobre o justiçamento do empresário Henning Boilesen, da Ultra Gás, notório colaborador do regime. A autora traz entrevista com Ivan Seixas, militante do MRT, preso no dia 17 de abril de 1971, então com 17 anos, com seu pai, também militante. Ivan foi acusado de participar do assassinato do empresário. E conta que às 12h do dia 17, se encontrava dentro de uma viatura policial quando leu na Folha da Tarde a notícia da solução do caso Boilesen e do assassinato de seu pai. Ao retornar à OBAN ainda encontrou o pai vivo. Dias depois a profecia do jornal se cumpriria.

15.) Pág 318. O “Jornal de Maior Tiragem”, como ficou conhecida A Folha da Tarde. Sobre a trinca que passou a comandar o jornal em julho de 1969, o editor chefe Antônio Aggio Jr, Secretário Geral Horley Antônio Destro e o Chefe de Reportagem Carlos Dias Torres. A autora usa entrevista que fez com Ítalo Tronca, jornalista remanescente da redação progressista da Folha da Tarde: “Ele [Aggio] trazia para dentro da redação um estojo que parecia um violão. Não sabíamos o que era. Mas ele gostava de exibi-lo na sua sala: uma carabina turca.
Nós não sabíamos de onde vinha essa gente [Aggio, Horley e Torres]. O Horley vinha armado de uma automática. Torres era relações-públicas do IV Comar e fazia um gênero amigo. Os outros dois eram acintosamente policiais
”.

16.) Pág 320. Kushnir lembra que nos aniversários do jornal, comemorados sempre no dia 1º de julho com um almoço na sede, os donos do jornal se reuniam com expoentes da ditadura. Como o coronel Lepiane que o jornal considerava “um dos mais respeitados e estimados oficias do Estado Maior [...] um dos principais integrantes das Forças Armadas que acorreram ao chamado do povo , em 1964[...]”. É o que disse texto do jornal sobre a    posse do militar na superintendência da PF de São Paulo, isso já em 1974.

17.) Pág 322. Boris revela textualmente em entrevista que “o jornal (Folha) decidiu não enfrentar o regime. Fez autocensura”.

18.) Pág 323. Tonico Ferreira conta em entrevista que havia ameaças de bomba na redação. E que os funcionários jamais eram avisados, nunca foram retirados do local. Diz ainda, assim como Ítalo Tronca, que  era normal ver armas na mesa dos diretores.

19.) Pág 324. O decálogo de nove pontos. Além de tudo eram geniais os diretores da Folha da Tarde. Seguiam nove normas que formavam o decálogo do jornal:
I- Desarticular as agressões alienígenas e suas alianças.
II- Conter a corrupção em todas as suas formas.
III- Combater a desordem econômica.
IV- Incentivar o desenvolvimento.
V-Apoiar a livre iniciativa.
VI- Manter a paz social.
VII- Valorizar o homem brasileiro.
VIII- Fortalecer a segurança nacional.
IX- Assegurar o prestígio internacional do país, como um jornal a serviço do povo

20.) Pág 327. Com base em entrevista de Carlos Antônio Guimarães Sequeira, ex-agente do DOPS e  editor de internacional da Folha da Tarde, Kushnir relaciona os policiais que ocupavam altos postos na redação. Aggio tinha um cargo administrativo na Polícia; o coronel da PM Edson Correia era repórter de geral; o delegado Antônio Bim esteve por algum tempo no jornal. O chefe de reportagem Carlos Dias Torres era investigador de polícia.

21.) Pág 332. Otávio Frias assina o único editorial de sua vida para repudiar a ação contra as caminhonetes da empresa. Nesse texto ele reafirma cada linha do que diziam seus jornais: o alinhamento com a ideologia do regime militar.

22.) Pág 337.  Mino Carta explica o verdadeiro motivo do afastamento de Abramo já que Frota, seu suposto carrasco, caiu dias depois de seu afastamento. Para Carta, Abramo tinha convicções fortes, e ocupava um posto que pertencia ao “herdeiro natural”. Mino é enfático:  “Otavinho talvez sofra, em um silêncio que não concede sorrisos de Gioconda, a sua condição de diretor por direito divino.  Sempre lhe faltará a certeza de que foi para o trono por mérito próprio, e não por ser filho do patrão. O Projeto Folha valeria, assim, para demonstrar que ele está no lugar certo – quer dizer, serviria para minorar a culpa”.

23.) Pág 339. Sobre o “”Projeto Folha”, o jornalista Carlos Carlos Eduardo Lins e Silva diz: “O projeto é uma ‘ideologia jornalística’ criada para dar legitimidade a um grupo jovem, inexperiente e sem o carisma que muitos chefes de redação tinham na imprensa brasileira.” Para Mino, o Projeto é a submissão do jornal ao marketing, um jornal feito para vender.

24) Pag 349. Por fim a autora cita Francisco Weffort, que: “A tradição liberal gosta de definir os partidos como partidos de opinião. E que dizer da tradição da imprensa moderna senão enraizada, também no prestigio da opinião? Se os partidos são de opinião e os jornais também são de opinião, nada surpreendente se estes ás vezes se comportarem como aqueles.”

Ou, como diria a Judith Brito, da ANJ: o PiG (*) é a verdadeira oposição.

Clique aqui para ler “Folha se avoca o direito de julgar o mensalão (do PT)
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é (http://www.conversaafiada.com.br/antigo/?p=23300),  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.
(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Veja tenta se livrar da suspeita de associação com Cachoeira


Autor: 
Por José Carlos Lima
De um lado um senador, do outro um cidadão do mundo do crime que se movia com mestria    na formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, quebra do sigilo profissional, exploração de jogo de azar, dentre outros crimes. Os dois combinaram criar uma CPI para dar "um tiro direto" no PT.
No ano de 2008, a Veja deu na capa que uma conversa entre Gilmar Mendes, à época presidente do STF, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) teria sido grampeada por agentes da ABIN. O tal grampo (sem áudio) provocou séria crise no governo, levando o presidente da Suprema Corte a chamar Lula "às falas", o que resultou na demissão de Paulo Lacerda, diretor da ABIN e à anulação, pelo STJ, da Operação Sarthiagraha contra Daniel Dantas. Deu na Veja:

Folha vai julgar o mensalão.

    Publicado em 24/03/2012
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A palavra “mensalão”, como se sabe, é o login para o PiG (*)  abrir a página do Golpe contra Lula e, agora, contra Dilma.

O “mensalão” do PiG (*) não se refere à Privataria Tucana, nem ao “mensalão” de Minas, a Mãe de todos os Mensalões, que se inaugurou com o presidente do PSDB, Eduardo Azeredo, e iniciou a parceria de Daniel Dantas com Marcos Valerio, no famoso “valerioduto”.

De onde vinha o dinheiro do Marcos Valério ?

A CVM sabe.

Nada disso interessa ao PiG (*).

Nem à Folha (**), portanto.

Foi o Franklin Martins quem definou o PiG (*) muito bem: o PiG (*) é independente do Governo e dependente do Daniel Dantas.

Hoje, a Folha (**) avoca a si o julgamento do mensalão (o do PT).

Na página 2, colonista (***) “investigativo”, um especialista em Gregorio Marín Preciado, fixa 15 de maio como a data limite para o Supremo.

O Supremo tem que botar sebo nas canelas, julgar o mensalado (do PT) até 15 de maio, se não, se não, babau.

Não dá tempo de dar o Golpe e eleger o Cerra prefeito de São Paulo.

É que depois de 15 de maio fica tudo para 2013.

Numa página interna, a Folha decide considerar impedido o Ministro Toffoli, porque ele namora advogada que, no passado, defendeu um dos réus do mensalão.

A Folha (**) dedica boa parte de seu tempo a elocubrar sobre a natureza do namoro do Ministro Toffoli: será noivado, casamento consensual, namorico de beira-do-portão, “juntar os trapos”, com quem fica o Neruda que eu te dei ?  – uma questão fundamental !

Há muito tempo, a Folha resolveu fazer um cerco, por exemplo, ao Ministro Lewandowiski, revisor do processo.

Tem que ler tudo rapidinho, para dar tempo de pegar a eleição do Cerra, este ano !

Desde o julgamento do CNJ, que a Folha (*) passou a tratar o Lewandowiski como aluno relapso, que não faz o dever de casa.

E a Folha se transforma em bedel implacável.

Daqui a pouco a Folha (*) vai descobrir que a Ministra Weber  não dá gorgeta à cabeleireira, em Porto Alegre.

Se namorar ex-advogada de réu desse “impedimento”, Gilmar Dantas (*) e o Ministro Macabu não poderiam julgar ações de crimes do colarinho branco.

Gilmar Dantas, porque a mulher trabalha com Sergio Bermudes.

E Macabu, porque o filho trabalha com Bermudes.

E Bermudes – o segundo advogado mais poderoso do Brasil; o primeiro é o Marcio Thomaz Bastos – foi um dos mais conspícuos advogados de Dantas.

O amigo navegante deve ter percebido que a Folha decidiu, ela própria, julgar o mensalado (do PT), diante do obstáculo que Lula e Dilma criaram.

Lula indicou Toffoli e Lewandowski.

E Dilma, Weber.

E, segundo os critérios isentos e imaculados da Folha, os tres, por definição são inconfiáveis.

Tudo isso, amigo navegante, para eleger o Cerra, aquele do “em time que está perdendo não se mexe

Clique aqui para ler “As camionetes da Folha e  ‘papai não sabia’

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**)Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é (http://www.conversaafiada.com.br/antigo/?p=23300),  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.

A associação da mídia com o crime


Autor: 

Está na hora de se começar a investigar mais a fundo a associação da Veja com o crime organizado. Não é mais possível que as instituições neste país - Judiciário, Ministério Público - ignorem os fatos que ocorreram.
Está comprovado que a revista tinha parceria com Carlinhos Cachoeira e Demóstenes. É quase impossível que ignorasse o relacionamento entre ambos - Demóstenes e Cachoeira.
No entanto, valeu-se dos serviços de ambos para interferir em inquéritos policiais (Satiagraha), para consolidar quadrilhas nos Correios, para criar matérias falsas (grampo sem áudio).
Até que a Polícia Federal começasse a vazar peças do inquérito, incriminando Demóstenes, a posição da revista foi de defesa intransigente do senador (clique aqui), através dos mesmos blogueiros das quais se valeu para tentar derrubar a Satiagraha.
Aproveitando a falta de coragem do Judiciário, arvorou-se em criadora de reputações, em pauteira do que deve ser denunciado, em algoz dos seus inimigos, valendo-se dos métodos criminosos de aliados como Cachoeira. Paira acima do bem e do mal, um acinte às instituições democráticas do país, que curvam-se ao seu poder.
O esquema Veja-Cachoeira-Demóstenes foi um jogo criminoso, um atentado às instituições democráticas. Um criminoso - Cachoeira - bancava a eleição de um senador. A revista tratava de catapultá-lo como reserva moral, conferindo-lhe um poder político desproporcional, meramente abrindo espaço para matérias laudatórias sobre seu comportamento. E, juntos, montavam jogadas, armações jornalísticas de interesse de ambos: do criminoso, para alijar inimigos, da revista para impor seu poder e vender mais.
Para se proteger contra denúncias, a revista se escondeu atrás de um macartismo ignóbil, conforme denunciei em "O caso de Veja".
Manteve a defesa de Demóstenes até poucas semanas atrás, na esperança de que a Operação Monte Carlo não conseguisse alcança-lo (clique aqui). Apenas agora, quando é desvendada a associação criminosa entre Cachoeira e Demóstenes, é que resolve lançar seus antigos parceiros ao mar.

domingo, 18 de março de 2012

E se a TV Brasil doasse horário nobre à Carta Capital?



Na mesma semana em que a Folha de São Paulo repercutiu em suas páginas, em tom de denúncia, um contrato de publicidade por prazo determinado celebrado entre um banco controlado pelo governo federal e um dos blogs políticos mais conhecidos do Brasil, o jornal foi premiado pelo governo de São Paulo com um programa no horário mais nobre da TV brasileira, o das noites de domingo, e bem na emissora pública paulista, a TV Cultura.
Entre as poucas reações que se viu a negócio da natureza do que foi firmado entre a emissora pública paulista e uma empresa de comunicação privada que há anos vem sendo acusada de tomar partido do PSDB paulista e do governo de São Paulo ao praticamente não cobrir a gestão do Estado nos últimos quase vinte anos, sobressaiu a do jornalista e proprietário da revista Carta Capital, Mino Carta, em artigo do qual reproduzo trechos.
—–
– (…) Sou informado a respeito do nascimento de uma TV Folha. Triunfa nas páginas 2 e 3 da Folha de S.Paulo a certidão do evento, a prometer uma nova opção para as noites de domingo na tevê (…)
– (…) A tevê pública paulista acaba de oferecer espaço não somente à Folha, mas também a Estadão, Valor e Veja. (…) Só o jornal da família Frias aproveitou a oportunidade (…)
– (…) Tucanagens similares já foram cometidas em diversas oportunidades nos últimos anos, uma delas em 2010, o ano eleitoral que viu José Serra candidato à Presidência da República. Ainda governador, antes da desincompatibilização, Serra fechou ricos contratos de assinatura dos jornalões (…) Do volumoso pacote não constava obviamente CartaCapital, assim como somos excluídos do recente convite da Cultura (…)
– (…) Volta e meia, Carta Capital é apontada como revista chapa-branca, simplesmente porque apoiou a candidatura de Lula e Dilma Rousseff à Presidência da República. (…) Há quem se abale até a contar os anúncios governistas nas páginas de Carta Capital, e esqueça de computar aqueles saídos nas demais publicações (…)
– (…) Fomos boicotados durante os dois mandatos de Fernando Henrique e nem sempre contamos com o trato isonômico dos adversários que tomaram seu lugar. (…) E nem por isso arrefecemos no alerta perene do espírito crítico. (…) Quanto ao Partido dos Trabalhadores, jamais fugimos da constatação de que no poder portou-se como os demais. (…)
– (…) No mais, desta vez dirijo minha pergunta aos leitores em lugar dos meus botões: qual é a mídia chapa-branca?
—–
Então surgem os questionamentos que não estão sendo feitos, ainda que o jornal, como diz Mino Carta, tenha se “abalado” a dar explicações que não lhe foram pedidas até agora por aqueles que deveriam zelar pela preservação do interesse público sobre ativos estatais como é a emissora pública de São Paulo, que, por ser “fundacional” (como bem observa um leitor), está sob fiscalização do Ministério Público Estadual de São Paulo.
Apesar da falta de ímpeto do MPE-SP, a ombudsman do Jornal Folha de São Paulo, neste domingo, oferece explicações. E em tom crítico.
Reproduzo, abaixo, coluna de Suzana Singer de 18 de março de 2012
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Folha ‘descobre’ vida inteligente na TV
18/03/12
Suzana Singer
Jornal precisa segurar o impulso de autopromoção e ser transparente ao tratar do seu programa na Cultura
Sem nenhuma modéstia, a campanha publicitária do “TV Folha”, que invadiu até as sagradas páginas de opinião do jornal, decretou: o telespectador finalmente terá algo para ver nas noites de domingo.
Ainda é cedo para dizer se a promessa foi cumprida ou se cabe procurar o Procon. Uma estreia é pouco até para avaliar um restaurante.
Mas o que já ficou claro é que o “TV Folha” tenta se diferenciar dos outros telejornais: não tem âncora alinhavando as reportagens, os colunistas aparecem “descontraídos”, a edição busca uma linguagem de documentário e o tom é de crítica -sobrou até para o Chico Buarque.
O primeiro programa começou com um assunto velho, a ação policial na cracolândia, que aconteceu há dois meses, mas serviu de recado aos que acreditam que a Folha, ao usar um espaço da TV Cultura, engatou um namoro com o governo do Estado. A tese da reportagem era que a operação, ineficaz no combate ao problema dos viciados em drogas, visava às eleições.
Louvável, a independência editorial não é suficiente para encerrar a discussão sobre a validade dessa parceria, em que uma empresa privada explora espaço de uma emissora pública.
O jornal não explicou direito as bases desse acordo. Trata-se de uma permuta: em troca dos 30 minutos na televisão, a Folha cede páginas de anúncios para a Cultura. As despesas do “TV Folha” são do jornal, mas são compensadas pela receita publicitária. “A TV Cultura tem como ganhos um programa jornalístico de qualidade a custo zero, além de espaço de divulgação na Folha”, diz a assessoria de imprensa da emissora.
Não houve concorrência, mas a Folha não foi a única convidada. “Não cabe licitação, porque todos os grandes jornais de São Paulo foram chamados em condições de igualdade”, diz a Cultura. Segundo a emissora, o programa do “Estado de S. Paulo” deve estrear no segundo semestre, o “Valor” ainda não apresentou uma proposta e a revista “Veja” desistiu.
A Secretaria de Redação diz que considera válida a terceirização de espaço em emissora pública, desde que seja um recurso para “melhorar e diversificar a programação”.
A audiência da estreia mostrou que “melhorar” a televisão não é fácil. Mesmo com tanta propaganda, o programa obteve 1 ponto no Ibope, um aumento de 0,3 em relação ao da semana anterior (cada ponto equivale a 60 mil domicílios na Grande São Paulo).
O modesto crescimento e a “boa receptividade do público” foram alardeados numa série de pseudorreportagens autopromocionais, que chamavam de “pesquisas Datafolha” sondagens feitas com um número pífio de participantes. Só um texto crítico foi publicado, sob a vinheta “não gostei”, na “Ilustrada”.
“Está exagerado, querem nos convencer de que o programa foi um sucesso. Mas isso tem que ser feito com conteúdo, não com essa espécie de merchandising”, reclamou o leitor Robinson Alves, 28, curador.
O jornal, que noticia com destaque cada perda de audiência da Rede Globo, será submetido agora a um teste de transparência. Para mostrar respeito pela inteligência do leitor, como prometeu na campanha publicitária do “TV Folha”, precisará ser duro com a sua nova criação, que já nasceu petulante, desdenhando a concorrência.
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Assisti ao programa e ao fim do post ofereço ao leitor a sua íntegra em vídeo (em três partes). Minha opinião: foi bem feito, isento, como deveria ser. Estaria tudo bem, caso fosse prática da própria Folha e da grande imprensa em geral tratar com olhos de ver, e sem ilações maldosas, uma parceria entre o poder público e o jornalismo privado? Nesse caso, penso que não.
Busque-se na Folha o que diz sobre a TV Brasil, as suposições acusatórias que esse jornal e os outros veículos contemplados pela extrema generosidade do governo paulista sempre fizeram em relação à emissora pública do governo federal – inclusive quanto à audiência, como diz a ombudsman ao lembrar a audiência pífia que teve o primeiro TV Folha – e, por fim, verifique-se se a TV Brasil, alguma vez, foi menos crítica com o governo federal ou se foi mais crítica do que deveria com os governos controlados pela oposição. Garanto que não se encontrará uma só diferença.
Pelo contrário: a TV Brasil é criticada com freqüência, por setores da militância petista, por não ser usada no jogo político em prol do governo federal.
É por isso que sempre digo que acho corretíssimo que emissoras públicas não sirvam, de maneira alguma, de instrumentos políticos, pois hoje quem controla um desses veículos é o partido que você apóia, mas, amanhã, pode ser controlada por aquele ao qual você se opõe, sendo, portanto, a medida ideal aquela em que uma emissora pública, nesse âmbito, seja usada para fazer apenas jornalismo. E não qualquer jornalismo, mas um jornalismo exemplar.
Prova disso foi a disposição da TV Brasil, recentemente, de pedir desculpas públicas por matéria sobre a invasão do bairro Pinheirinho que repercutira informações veiculadas primeiro pelo UOL, do Grupo Folha, de que havia denúncias de mortos naquela operação policial, informação que ainda não foi confirmada.
Detalhe: a TV Brasil fez isso mesmo após o presidente da EBC, Nelson Breve, ter sido alvo da fúria de um blogueiro da Veja ligado ao PSDB, que partiu para cima dele acusando-o de atuar em prol do governo a que serve.
É óbvio, portanto, que a Folha não faria diferente logo no programa de estréia. Tal seria se o primeiro uso do presentaço que ganhou do governo de São Paulo fosse para agraciá-lo ou até para não lhe fazer alguma crítica. A isenção do primeiro TV Folha foi uma espécie de “vacina” contra questionamentos que sobreviriam.
E assim foi por uma razão muito simples, da qual o texto da ombudsman dá pistas: a concessão do horário nobilíssimo para a Folha foi um péssimo negócio para a TV Cultura. Segundo Suzana Singer, o presentão decorreu de “Uma permuta: em troca dos 30 minutos na televisão, a Folha cede páginas de anúncios para a Cultura”.
Que negócio da China, hein! Dá a entender que o jornalão, que tem (bem) menos de 300 mil assinantes (incluídos, aí, aqueles que recebem o jornal em casa sem pedir e de graça), fará publicidade para um tipo de meio de comunicação que certamente tem muito mais de 300 mil domicílios de audiência.
Ou alguém acha que uma TV como a Cultura, que tem décadas de visibilidade, precisa que um jornal diga que ela existe? Existirá um só paulista que não conhece a TV Cultura? Quanto custa tanto tempo de publicidade no horário mais nobre da TV Brasileira e quanto custarão os anúncios “gratuitos” da emissora no jornal?
Aliás, a programação da emissora já consta de cada edição da Folha, que é muito bem paga por isso pelo governo de São Paulo, que também lhe compra milhares e milhares de exemplares do jornal impresso.
Esse horário extenso que a TV Cultura concedeu a jornais e a uma revista que dificilmente fazem críticas ao governo que controla essa emissora pública enquanto se dedicam a fuzilar os adversários desse mesmo governo custa muito mais do que anúncios em papel-jornal, mas quem deveria notar isso não deu um pio.
Se a contratação pela TV Brasil de um jornalista renomado – e ex-membro do conselho editorial da Folha – como Luis Nassif foi alvo de fuzilaria da Folha, apesar de os valores envolvidos na contratação serem muito mais explicáveis do que a doação do mais nobre horário da televisão brasileira ao jornal, que diria esse jornal se a emissora do governo federal fizesse semelhante acordo com a Carta Capital e, ainda, sem a mesma licitação que ele criticou por não ter existido na contratação daquele jornalista?
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Assista, AQUI, ao primeiro programa da “TV Folha”, que será acompanhado muito de perto por este blog, até porque talvez o Ministério Público de São Paulo venha a ter que ser informado daquilo pelo que não nutre a curiosidade exigível.