Mostrando postagens com marcador folha de são paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador folha de são paulo. Mostrar todas as postagens

sábado, 24 de março de 2012

Os “cães de guarda” da Folha. E as caminhonetes da tortura

Publicado em 24/03/2012 por PHA

    Este ansioso blog já tinha dito que A Folha (*) editou um livro para se blindar contra as caminhonetes que  participavam da tortura” A blindagem dá certo. Nada mais parecido com um Luzia do que um Saquarema – a a Folha com o Estadão. Na pág. S3 do caderno “Sabático”, deste sábado, Eugenio Bucci dá guarida à versão da blindagem: as caminhonetes da Folha, sim, se prestavam a conduzir torturados e torturadores para “pontos” e “sessões de tortura” … mas Papai não sabia. Papai é o “seu” Frias, o dono da Folha, um empresário meticuloso, obstinado, que, porém, não sabia o que acontecia com suas caminhonetes. Quem diz que Papai não sabia é o filho, o Otavinho, “publisher” da Folha. Este ansioso blog já se perguntou, uma vez, quantos Bucci cabem num Eugênio ? Bucci trabalhou para o Governo Lula, ao lado do PT, não foi aproveitado para o segundo mandato, e se fez um dos expoentes do colonismo (**) pátrio, especialista em “Comunicação Pigal”. A tal ponto que dirige um think tank sobre aperfeiçoamento das técnicas de jornalismo, associado à revista Veja ! O detrito de maré baixa, aquele que odeia o Brasil, porque o dono é um perdedor. Mas, o Bucci não se sente constrange com a proximidade da Veja e seus detritos. Otavinho deu entrevista ao autor do livro que editou. Ele e o pai, porém, se recusaram a dar entrevista a uma pesquisadora, Beatriz Kushnir, que escreveu importante trabalho sobre os “cães de guarda”- como a Folha, que protegeu o regime militar, aquele que chamou, em editorial, de “ditabranda”. O Mauricio, editor do Conversa Afiada, releu o livro de Beatriz e fez uma didática ficha sobre o PiG (***) e o regime militar. Para ajudar os estudantes de jornalismo a “desblindar” a versão do Otavinho. A blindagem corrente pode ser interpretada como uma tentativa de sufocar a verdeira história dos “cães de guarda”: Cães de Guarda – Jornalistas e Censores, do AI5 à Constituição de 1988 Kushnir, Beatriz – Editora Boitempo, março de 2004 - Beatriz Kushnir é mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense e doutora pela UNICAMP Kushnir trata da correlação que havia entre os jornalistas e os censores. Uma relação tortuosa, onde, ora, jornalistas iam para aparato estatal, e censores iam para as redações. Resumi ponto a ponto. Segue a analise com comentários meus. (Em itálico, citação do original).

1.) Pág 42 – Sobre a tese de Mino Carta de que não havia censura aos grandes jornais.  A autora cita o censor do Estadão, uma de suas inúmeras entrevistas, e derruba o argumento utilizado principalmente pelo Estadão para sustentar que o jornal lutou pela democracia: “Para o censor Coriolano Loyola Cabral Fagundes , que atuou no Estadão na época, a tática de utilizar as receitas de bolo e os poemas era, na visão da censura, uma permissão ao jornal.”

2.) Pág 44 – A autora defende que a autocensura adotada pelos jornais, se não simpáticos ao regime, se tornaram historicamente ligados ao processo que nele resultou, foi o  recurso  predominante na época.  Ela cita Bernardo Kucinski: “A autocensura determinou o padrão de controle de informação durante quinze anos de ditadura militar [...] A autocensura é a supressão intencional da verdade ou de parte pelo jornalista ou pela empresa jornalística, de forma a iludir o leitor ou privá-lo de dados relevantes. Trata-se de uma importante fraude [..] um crime intelectual.
3.) Pág 49 – A autora reproduz trechos de uma circular de Sette Câmara para aplicar a autocensura no JB:  “Em teoria há plana liberdade de expressão. Mas na prática o exercício dessa liberdade tem que ser pautado pelo bom senso e pela prudência [...] O JB teve uma parte importante na Revolução de 1964 e continua fiel ao ideário, que então pregou. Se alguém mudou foram os líderes da Revolução. [Nesse sentido] deverão sempre optar pela supressão de qualquer notícia  que possa representar um risco para o jornal.”

4.) Pág 51 – A autora cita texto incrível de Jânio de Freitas na Folha, na semana em que se lembrava dos 30 anos do AI5. Ele diz:  “Não seria possível ser contra o AI-5 sem ser contra o regime. E a imprensa , embora uma ou outra discordância eventual, mais do que aceitou o regime: foi uma arma essencial da ditadura.

5.) Pág 189 – Walter Clark aparece como herói da autocensura na Globo. O Padrão Globo de Qualidade, assim como o memorando do JB que tinha o mesmo nome, veio para blindar a emissora de problemas com o Governo, da qual era aliada.  Ele diz sem corar que contratou um censor profissional para revisar toda a programação. “Não iria oferecer meu pescoço em holocausto, para ele [Dias Gomes] posar de campeão da liberdade. Contratei um ex-diretor do Departamento de Censura da Guanabara, Ottati, e o coloquei ali com a missão de ler tudo que ia para o ar, fazendo a censura mais rigorosa que era possível.”

6.) Pág 203 – Boris Casoy, editor-responsável pela Folha entre 77 e 84, revela a Kushnir que tinha uma relação “cordial” com seu censor, Richard Bloch. A relação se tornou quase de amizade: “Após deixar o Serviço de Censura, Bloch um dia ligou para Casoy, queria conhece-lo, saíram para almoçar”.

7.) Pag 214 – Kushnir cita a “Regra do Jogo”, livro de Claudio Abramo, onde o jornalista explica que é um equívoco da esquerda achar que é o Estado quem censura. Segundo  Abramo, quem censura são os donos de jornal.
(A proposito, não deixe de ler editorial do Mino Carta desta semana: trata de Claudio Abramo)

8.) Pág 221 – A autora volta a citar  “Regra do Jogo”, onde Abramo lamenta o dia em que foi parar na Folha: “ Às vezes, acho que ter ido para Folha foi um dos maiores erros que cometi na vida, pois ajudei muito o jornal e hoje sou marginalizado”.

9.)Pág 222 – Para fazer um contraponto a Abramo, Kushnir cita outro autor recorrente no livro, B. Kucinski, para quem Abramo se tornou um homem amargo, quase infeliz:  “Abramo desperdiçou energia tentando inutilmente reeducar os donos da imprensa brasileira, fazer deles uma elite educada para um espaço público republicano e o compromisso social”.  

10.) Pág 225 – Kushnir reproduz pensamento de Mino Carta sobre a demissão de Abramo, no episódio que envolveu artigo de Lourenço Diaféria. Abramo teria saído por exigência do Ministro da Guerra, Silvio Frota. Porém, dias depois, Frota caiu, como Mino havia previsto, em conversa com Otávio Frias. Mesmo depois da queda de Frota, Abramo não retornou à redação. Abramo diz em seu “A Regra do Jogo” que saiu porque ficou forte, e se ficou forte, eles, os donos, eliminam.

11.) Pág 229 – Kushnir explica em nota que Otávio Frias pai e filho, não quiseram dar entrevista.

12.) Pág 233 – A autora traz entrevista com o jornalista Carlos Brickmann que fala da fase sinistra da Folha da Tarde de 1967 a 1969. Ele explicita o caráter comercial da empreitada que servia para competir com o Jornal da Tarde, de Mino Carta.  Brickmann deixa clara uma característica marcante de Frias, pai: “Naquela época, ele [Frias] disse na minha frente que, em primeiro lugar,  ele era criador de pintos, em segundo, comerciante, em terceiro, industrial, em quarto, nada, em quinto, nada, em sexto, jornalista [...] O Jorge Miranda Jordão me contou numa conversa de bar que Frias o chamou para fazer um jornal de esquerda. Ele gostou da ideia e fez [...] Não era nada, exceto oportunismo mercadológico”.

13.) Pag 273. Kushnir cita o jornalista Antônio Carlos Fon, de “Tortura: a histórica da repressão política no Brasil”, onde o autor acusa a Folha da Tarde de usar suas caminhonetes para transportar presos do DOI-CODI. A autora mostra que carros da  Folha foram queimados por militantes de esquerda entre 21/9/1971 à 25/10/1971, em represália. Fon ainda acusa a Folha de entregar a direção da Folha da Tarde aos agentes da repressão, que fizeram dele instrumento de propaganda e colaboração com os militares ligados à tortura.

14.) Pág 300. Sobre o justiçamento do empresário Henning Boilesen, da Ultra Gás, notório colaborador do regime. A autora traz entrevista com Ivan Seixas, militante do MRT, preso no dia 17 de abril de 1971, então com 17 anos, com seu pai, também militante. Ivan foi acusado de participar do assassinato do empresário. E conta que às 12h do dia 17, se encontrava dentro de uma viatura policial quando leu na Folha da Tarde a notícia da solução do caso Boilesen e do assassinato de seu pai. Ao retornar à OBAN ainda encontrou o pai vivo. Dias depois a profecia do jornal se cumpriria.

15.) Pág 318. O “Jornal de Maior Tiragem”, como ficou conhecida A Folha da Tarde. Sobre a trinca que passou a comandar o jornal em julho de 1969, o editor chefe Antônio Aggio Jr, Secretário Geral Horley Antônio Destro e o Chefe de Reportagem Carlos Dias Torres. A autora usa entrevista que fez com Ítalo Tronca, jornalista remanescente da redação progressista da Folha da Tarde: “Ele [Aggio] trazia para dentro da redação um estojo que parecia um violão. Não sabíamos o que era. Mas ele gostava de exibi-lo na sua sala: uma carabina turca.
Nós não sabíamos de onde vinha essa gente [Aggio, Horley e Torres]. O Horley vinha armado de uma automática. Torres era relações-públicas do IV Comar e fazia um gênero amigo. Os outros dois eram acintosamente policiais
”.

16.) Pág 320. Kushnir lembra que nos aniversários do jornal, comemorados sempre no dia 1º de julho com um almoço na sede, os donos do jornal se reuniam com expoentes da ditadura. Como o coronel Lepiane que o jornal considerava “um dos mais respeitados e estimados oficias do Estado Maior [...] um dos principais integrantes das Forças Armadas que acorreram ao chamado do povo , em 1964[...]”. É o que disse texto do jornal sobre a    posse do militar na superintendência da PF de São Paulo, isso já em 1974.

17.) Pág 322. Boris revela textualmente em entrevista que “o jornal (Folha) decidiu não enfrentar o regime. Fez autocensura”.

18.) Pág 323. Tonico Ferreira conta em entrevista que havia ameaças de bomba na redação. E que os funcionários jamais eram avisados, nunca foram retirados do local. Diz ainda, assim como Ítalo Tronca, que  era normal ver armas na mesa dos diretores.

19.) Pág 324. O decálogo de nove pontos. Além de tudo eram geniais os diretores da Folha da Tarde. Seguiam nove normas que formavam o decálogo do jornal:
I- Desarticular as agressões alienígenas e suas alianças.
II- Conter a corrupção em todas as suas formas.
III- Combater a desordem econômica.
IV- Incentivar o desenvolvimento.
V-Apoiar a livre iniciativa.
VI- Manter a paz social.
VII- Valorizar o homem brasileiro.
VIII- Fortalecer a segurança nacional.
IX- Assegurar o prestígio internacional do país, como um jornal a serviço do povo

20.) Pág 327. Com base em entrevista de Carlos Antônio Guimarães Sequeira, ex-agente do DOPS e  editor de internacional da Folha da Tarde, Kushnir relaciona os policiais que ocupavam altos postos na redação. Aggio tinha um cargo administrativo na Polícia; o coronel da PM Edson Correia era repórter de geral; o delegado Antônio Bim esteve por algum tempo no jornal. O chefe de reportagem Carlos Dias Torres era investigador de polícia.

21.) Pág 332. Otávio Frias assina o único editorial de sua vida para repudiar a ação contra as caminhonetes da empresa. Nesse texto ele reafirma cada linha do que diziam seus jornais: o alinhamento com a ideologia do regime militar.

22.) Pág 337.  Mino Carta explica o verdadeiro motivo do afastamento de Abramo já que Frota, seu suposto carrasco, caiu dias depois de seu afastamento. Para Carta, Abramo tinha convicções fortes, e ocupava um posto que pertencia ao “herdeiro natural”. Mino é enfático:  “Otavinho talvez sofra, em um silêncio que não concede sorrisos de Gioconda, a sua condição de diretor por direito divino.  Sempre lhe faltará a certeza de que foi para o trono por mérito próprio, e não por ser filho do patrão. O Projeto Folha valeria, assim, para demonstrar que ele está no lugar certo – quer dizer, serviria para minorar a culpa”.

23.) Pág 339. Sobre o “”Projeto Folha”, o jornalista Carlos Carlos Eduardo Lins e Silva diz: “O projeto é uma ‘ideologia jornalística’ criada para dar legitimidade a um grupo jovem, inexperiente e sem o carisma que muitos chefes de redação tinham na imprensa brasileira.” Para Mino, o Projeto é a submissão do jornal ao marketing, um jornal feito para vender.

24) Pag 349. Por fim a autora cita Francisco Weffort, que: “A tradição liberal gosta de definir os partidos como partidos de opinião. E que dizer da tradição da imprensa moderna senão enraizada, também no prestigio da opinião? Se os partidos são de opinião e os jornais também são de opinião, nada surpreendente se estes ás vezes se comportarem como aqueles.”

Ou, como diria a Judith Brito, da ANJ: o PiG (*) é a verdadeira oposição.

Clique aqui para ler “Folha se avoca o direito de julgar o mensalão (do PT)
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é (http://www.conversaafiada.com.br/antigo/?p=23300),  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.
(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Promotora acusa Folha de incentivo à prostituição

Promotora acusa Folha de incentivo à prostituição 
Foto: Reprodução

Promotora de Justiça Luciana Bergamo pede a condenação por danos morais difusos e coletivos da Folha da Manhã, editora do jornal Folha de S. Paulo, por publicação, em abril de 2010, de matéria no caderno Folhateen – dirigido a adolescentes – de conteúdo que incentivaria a prostituição virtual

08 de Fevereiro de 2012 às 04:53
Fernando Porfírio _247 – O Ministério Público paulista entrou com ação civil contra a Empresa Folha da Manhã, editora do jornal Folha de S. Paulo. O motivo foi a publicação de matéria no caderno Folhateen – dirigido ao público adolescente – de material que incentivaria a prostituição virtual.
Na ação, a promotora de justiça Luciana Bergamo pede a condenação da empresa na forma de indenização por danos morais difusos e coletivos. A promotora pede que o valor da condenação não seja inferior ao que o jornal arrecadou com a venda daquela edição, publicado em 5 de abril de 2010.
A reportagem contestada pelo MP tinha o título “Faturando com Sensualidade”. No subtítulo o jornal acrescentava: “shows sensuais na webcam, venda de calcinhas usadas e ensaios fotográficos rendem grana extra a meninas, mas podem acabar em preconceito”.
A reportagem trazia o relato de jovens adultas, entre 20 e 26 anos de idade, que encontraram na exploração de sua sensualidade (shows sensuais na internet, venda de calcinhas usadas e ensaios fotográficos) oportunidade para ganhar dinheiro.
A publicação gerou uma série de representações ao Ministério Público, enviadas por cidadãos indignados com o conteúdo do caderno “pelo nítido estímulo à prostituição, ainda que “virtual”, e ao desenvolvimento precoce da sexualidade”.
A promotora de Justiça destaca que a matéria se mostra “absolutamente inadequada ao público alvo do caderno, porque não levou em conta a condição peculiar dos adolescentes leitores de pessoas em processo de desenvolvimento”.
De acordo com Luciana Bergamo, a matéria, publicada em caderno destinado especificamente ao público juvenil, estimula a exposição precoce da sexualidade, ao apontar os ganhos decorrentes da atividade apresentada pelas moças, com pretensa naturalidade, e sem alertar os jovens leitores, na mesma medida, dos possíveis prejuízos psíquicos advindos com as práticas expostas.
Ainda segundo a promotora de justiça, com a publicação o jornal “violou direitos fundamentais atinentes à personalidade, ao respeito e à dignidade de indeterminável número de adolescentes que tiveram acesso ao seu conteúdo”.
A promotora também sublinha que “não se trata de negar aos jovens leitores o direito de tomar conhecimento da realidade à sua volta. A forma como essa realidade foi exposta, entretanto, pecou pela falta de atenção ao desenvolvimento psicossocial do adolescente, em flagrante desrespeito à doutrina da proteção integral que informa o direito da criança e do adolescente”.
O MP tentou um acordo com o jornal, buscando que a empresa publicasse nova matéria sobre o assunto, em idêntico espaço, tratando dos prejuízos físicos e emocionais decorrentes da “prostituição virtual” ou praticada por meio da rede mundial de computadores, inclusive, com a divulgação da opinião de especialistas. O jornal, entretanto, não aceitou o que levou ao ajuizamento da ação civil pública.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Folha não é "líder de vendas no país"

Folha não é "líder de vendas no país"

Por Francisco Bicudo, em seu blog:

A história é sórdida e tem requintes de arrogância, de descompromisso com a verdade e com a precisão da informação, revelando ainda solene desprezo pelos leitores que abrem o jornal no café da manhã do domingo em busca de notícias sustentadas e bem apuradas - aquelas que, em nome do bom jornalismo, pretendem reconstruir a melhor versão possível da realidade. Pois privilegiando o marketing e a auto-promoção, a imagem e a marca, a "Folha de São Paulo" decidiu mandar às favas e jogar na lata do lixo todos esses princípios, oferecendo ao seu leitor uma "realidade paralela" - aquela que o veículo gostaria muito que existisse, mas que não encontra respaldo e sustentação em dados e fatos concretos. Trocando em miúdos: a "Folha" desrespeita a inteligência de quem a lê.

sábado, 21 de janeiro de 2012

LEITURAS DA FOLHA: Uma campanha desvinculada de ética e imparcialidade


Por conta do desvio de algumas dezenas de magistrados, num universo de quase 15 mil, instalou-se em alguns setores da imprensa brasileira uma campanha difamatória contra o Poder Judiciário, campanha que, há muito desvinculada da ética e da imparcialidade, publica mentiras e meias verdades, muitas delas de fácil aferição, e omite pontos fundamentais que deveriam constar de reportagens. A magistratura brasileira – a esmagadora maioria composta de juízes de primeira instância concursados – está atônita e muito preocupada com essa campanha difamatória, pelo abalo (já constatável) que a mesma está causando na credibilidade e respeito ao Poder Judiciário, com risco, em última análise, ao Estado organizado de Direito e à própria Democracia.
O mais recente exemplo dessa situação é o quadro apresentado na página A12 da edição de 15/1 da Folha de S.Paulo, na tentativa de incutir no leitor o quanto supostamente seria mais vantajoso ser servidor público ou agente político, em vez de trabalhar na iniciativa privada. Numa primeira análise, e antes de entrar nos detalhes do quadro, percebe-se a insistente covardia de tais setores da imprensa em não mencionar o Ministério Público, o qual possui as mesmas garantias e vantagens da magistratura – e na prática, por vezes, possui até mais vantagens.
Ainda em início de análise, os jornalistas Ranier Bragon e Paulo Gama colocam parlamentares e magistrados “no mesmo saco”, mencionando “carro com motorista”, “cotão” para “torrar” em restaurantes e até jatinhos, embora tais vantagens sejam inimagináveis a 99% dos magistrados brasileiros – “jatinho” então, a 100%. E omitiram, por exemplo, a verba parlamentar para assessores, enquanto os magistrados paulistas de primeira instância lutam pela aprovação na Assembleia de uma lei que lhes permita possuir pelo menos um assessor – cujo salário será infinitamente menor que o de um assessor parlamentar.
30 dias de férias
Também mencionaram o recente recesso de 18 dias no final do ano, ocorrido no Judiciário de São Paulo, esquecendo-se que isso ocorreu com resistência do Judiciário Paulista e para atender pedidos incessantes da OAB, AASP e Iasp, com apoio do Conselho Nacional de Justiça, para que os advogados pudessem ter um descanso. É certo, ainda, que no maior Judiciário da América Latina (paulista), certamente muitos juízes usaram tal recesso para colocar o serviço em dia – realidade que muitos da imprensa contestam, embora já tenham sido inúmeras vezes convidados a constatar.
Adentrando-se, então, no quadro propriamente dito, o que mais chama a atenção é a ausência de algumas vantagens importantíssimas da iniciativa privada, e que fazem toda a diferença para a conclusão da análise. Menciona-se, em primeiro lugar, o limite de 44 horas semanais de trabalho, além dos quais os trabalhadores da iniciativa privada têm direito a horas extraordinárias, remuneradas em no mínimo 50% a mais que a hora normal. Na mesma linha são os adicionais, especialmente o noturno e de periculosidade (os juízes criminais que o digam).
Em São Paulo, embora a imprensa não acredite ou não queira que o povo acredite – ainda que sempre convidada a constatar –, é corriqueiro magistrados trabalharem muito além de 44 horas semanais, sendo comum o trabalho em finais de semana, feriados, e até o gasto de um dos períodos de férias, para colocar em dia a carga de trabalho, que é a mais pesada do Planeta Terra – conforme dados já publicados pelo Banco Mundial, OMS e OIT. Só essa realidade compensa com sobras a suposta vantagem de 30 dias a mais de férias. E se essa “vantagem” fosse trocada por limite de jornada de trabalho, certamente sairia muito mais caro ao contribuinte.
Alguns morrem antes de receber direitos
Outra omissão importante, relativa à iniciativa privada, foi a possibilidade de recebimento de Participação nos Lucros e Resultados e/ou Prêmios por Produtividade, o que, em níveis de gerência e diretoria (únicas funções que se podem comparar à responsabilidade de um magistrado), ocorrem em valores bem elevados. E compensam com sobras as licenças-prêmio, que nem todos os magistrados brasileiros possuem – quando são pagas em dia...
Ainda quanto a esse aspecto, é muito comum que empresas privadas custeiem plano de saúde de boa qualidade aos seus empregados e parentes próximos, custeiem transporte fretado, além de tais empresas terem obrigação de manter a salubridade do ambiente de trabalho, sob pena de pesadas multas. No mesmo sentido, se qualquer trabalhador tiver um direito seu negado, possui a seu favor a Justiça do Trabalho, cuja eficiência é notória.
Enquanto isso, os magistrados e servidores do judiciário paulista, com seu salário líquido (que é substancialmente inferior ao bruto divulgado), têm que custear do bolso plano de saúde para si e sua família, muitos trabalham em fóruns que mais parecem escombros e que não passariam por uma superficial análise do corpo de bombeiros e fiscalização do trabalho. E, quando não têm pagos seus direitos devidos – inclusive as tão festejadas férias –, devem se submeter a receber em “suaves prestações” a perder de vista, ou entrar com ação contra o próprio Judiciário, para receber por precatório. Alguns morrem antes disso.
O abono de permanência
Outra matéria importantíssima é o reajuste salarial. Os magistrados não o têm há quase quatro anos, e a defasagem, no cálculo mais conservador, é de mais de 15%. E quando pedem mero reajuste das perdas inflacionárias, são taxados de “marajás”, por perseguir suposto “aumento”. Enquanto isso, a maioria dos trabalhadores organizados da iniciativa privada possui data base e, conforme matérias divulgadas pela própria Folha de S.Paulo, vêm tendo reajustes acima da inflação, ou seja, aumento real.
Importante também mencionar que os trabalhadores da iniciativa privada se aposentam pelo teto, porque contribuem no limite do teto, sem contar que uma parcela da contribuição é dada pelo empregador. Enquanto, isso, os servidores públicos e agentes políticos federais e do Estado de São Paulo se aposentam com salário integral, porque têm descontado mensalmente de seu contra-cheque 11% de seu salário bruto.
Em vez de a Folha de S.Paulo mencionar isso, a mesma maquiavelicamente apenas cita o abono de permanência como se fosse supostamente uma vantagem do magistrado (que também é dos membros do Ministério Público). Mas na verdade é uma vantagem do contribuinte, pois se o magistrado, com tempo para aposentadoria, se aposentasse, seu lugar teria de ser reposto, e o gasto seria muito maior que o incentivo de 11% para que tal profissional continue trabalhando, mesmo podendo se aposentar.
“Povo” custeia salários milionários
A Folha de S.Paulo, ainda, em vez de mencionar apenas o “salário médio” do setor privado, podia e deveria apresentar os salários médios – e vantagens – de profissionais com mesmo nível de capacitação e responsabilidade de um magistrado (se é que isso é possível), pois constataria – e informaria seus leitores – que financeiramente não há vantagem alguma na segunda profissão, ou no mínimo que vantagens e desvantagens se equiparam.
É bom lembrar que, salvo os cargos públicos que dependem de eleição, os demais cargos públicos são alcançáveis mediante concurso público, de forma que, se alguém da iniciativa privada quiser usufruir das “vantagens” de ser agente público, basta fazer como fizeram tais agentes, ou seja, estudaram horas a fio durante anos, sem prejuízo do trabalho para sustentar a família, e um dia foram aprovados por seus esforços. Isso significa “mérito”, e somente em regimes comunistas totalitários é visto como “privilégio”.
Finalmente, e para desmascarar mais um mito, é bom lembrar que os salários e vantagens de todas as pessoas são pagos pelo “povo”. Os salários dos jornalistas e lucros das empresas privadas de jornalismo, por exemplo, são pago pelos assinantes (“povo”), pelos anunciantes (“povo”), estes últimos que vendem produtos que são comprados pelo mesmo “povo”.
Logo, o “povo” custeia os salários e vantagens dos servidores públicos e agentes políticos, tanto quanto custeia os salários milionários de jogadores de futebol, artistas e apresentadores de televisão, gerentes e diretores de empresas, de bancos etc.
***
[Fernando Henrique Pinto é juiz de Direito, São José dos Campos, SP]

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O declínio da Folha de São Paulo

Li num desses blogs sujos que há por ai que a Folha de S. Paulo perdeu, em cinco meses, 6% dos seus leitores.O jornalão paulista não tem que reclamar nada, pois foi ele mesmo quem deu causa a esse declínio.Se a Folha seguisse à risca o seu Manual de Redação nada disso teria acontecido, ao contrário, a vendagem dos jornais aumentariam. Diz o Manual de Redação da Folha de S. Paulo:"não há jornalismo crítico nem independente em jornais editados por empresas que dependem direta ou indiretamente de governo, grupo econômico ou partido político".Pois bem. Não é isso que se vê na Folha.Até a Ponte Espraiada sabe que a Folha passou vários anos a soldo do governo Serra, quer via propaganda, quer via assinatura do jornalão.O resultado é que Folha blindou o governo Serra de forma vergonhosa.E continua blindando, mesmo com Zé Bolinha de Papel longe do Poder.A omissão da existência do livro A Privataria Tucana é um exemplo eloquente de que Folha ainda tem gratidão por José Serra.Folha passou 15 dias sem tocar no assunto e quando tocou foi para criticar o conteúdo do livro e desqualificar o seu autor.Ninguém viu Fernando Rodrigues, Kennedy Alencar, Jânio de Freitas, Clóvis Rossi, Eliane Tucanhede, Josias de Souza, esse é o mais ridículo de todos, isto porque assim que CartaCapital publicou a matéria sobre o mencionado livro ele deu férias a o blog que é hospedado no Uol, escreverem um só parágrafo a respeito do livro bombástico de Amaury Jr. O Grupo Folha é tão parcial que demorou dias para informar que a CPI da Privataria estava sendo articulada n Câmara dos Deputados.O resultado de tudo isso só podia dar no declinio da Folha.