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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estadão assume que é partido político

Por Altamiro Borges

Que o jornal O Estado de S.Paulo é oligárquico, isto é fato desde a sua origem, quando publicava anúncios da venda de escravos. Que ele é golpista, isto está registrado na história com as suas conspirações contra Getúlio e Jango. Que ele é neoliberal, isto ficou patente no destrutivo reinado de FHC. Que ele gosta dos tucanos, em especial do Serra, isto ficou explícito na campanha de 2010.
Agora, que o Estadão é um partido de direita, que funciona e age como tal, alguns ainda tinham dúvidas. No último domingo (29), porém, no editorial intitulado “Agora a capital, depois o Estado”, o jornal saiu do armário e se assumiu como ativa organização partidária. Ele conclama a sua militância – os seus fiéis leitores a se mobilizarem para a batalha eleitoral de outubro próximo.

O medo das eleições municipais

Para o jornal/partido, as forças conservadoras correm sério risco nas eleições municipais na capital paulista, a principal cidade do país, o que torna inviável qualquer projeto de retomada do poder central em 2014. Na sua avaliação, o candidato “armado pelo lulopetismo”, o ex-ministro Fernando Haddad, será o principal adversário na contenda e precisa ser duramente combatido.

O Estadão tem visão estratégica. Teme que a derrota da direita na capital paulista seja “o trampolim [dos petistas] para conquista inédita” do governo do Estado. Neste sentido, o jornal oligárquico critica a divisão do bloco neoliberal-conservador e faz um chamamento à sua urgente unidade. Até parece um manifesto partidário (ou é?). Leia alguns trechos:

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“O maior adversário do PT em São Paulo, o PSDB, não apenas demonstra enorme dificuldade para articular uma candidatura competitiva, como enfrenta o problema adicional de permanecer numa posição ambígua, sem um discurso claro, em relação à prefeitura: não é exatamente situação nem oposição, embora tenha o rabo preso com a gestão Kassab”.

“Para embaralhar ainda mais o quadro, torna-se cada vez mais concreta a possibilidade de Gilberto Kassab fazer algum tipo de aliança do seu PSD com o PT – por paradoxal que isso seja. Segundo o prefeito tem confidenciado aos seus interlocutores, essa é uma opção a que ele está sendo praticamente impelido por aqueles que seriam seus aliados naturais”.

“O que importa é que na disputa pela Prefeitura de São Paulo está em jogo muito mais do que o poder municipal. Um dos fundamentos do regime democrático é a possibilidade de alternância no poder no âmbito federal, que está ameaçado pela perspectiva de o lulopetismo estender seus domínios ao que de mais politicamente significativo ainda lhe falta: a cidade e o Estado de São Paulo. Se existe uma oposição no País, está na hora de seus líderes pensarem seriamente nisso. E agir”.


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Estadão devia registrar o PIG

Tirando o cinismo da tese sobre “alternância no poder” – a não ser que o jornal considere os seus leitores idiotas, que não sabem que o PSDB comanda São Paulo há quase duas décadas –, o Estadão formula uma linha tática bem definida. Não é “ambíguo”. Caso os tucanos não sigam as suas orientações, a famiglia Mesquita até que podia registrar uma nova legenda – o PIG (Partido da Imprensa Golpista).

sábado, 21 de janeiro de 2012

É pior do que parecia ser: Época e Veja, tudo a ver

A Gaviões da Fiel soltou nota contra a “reportagem” da Época que atacou o desfile da escola desse ano por homenagear o ex-presidente Lula. Na nota, a Gaviões critica a repórter Mariana Sanches. Mariana, quando começou a reportagem, contatou a agremiação dizendo que a matéria não seria um simples ataque ao ex-presidente, e com isso conseguiu imagens e entrevistas exclusivas. A questão é que o texto final que saiu na Época não é de Mariana Sanches, nem assinado por ela.

O diretor de redação da revista, Helio Gurovitz, fez questão de dar uma pausa na suas férias para alterar todo o texto da repórter, e substituí-lo por um artigo de puro ataque ao ex-presidente. A repórter, constrangida, pediu para ter seu nome retirado do texto. Ele acabou apócrifo, órfão de pai e mãe, já que Gurovitz também não assina sua obra.

O texto diz o absurdo de que Lula atacou “a imprensa livre”. Livre para ser tratada como uma ditadura privada por Gurovitz, capataz de um dos latifúndios midiáticos da família Marinho, a revista Época. No melhor estilo “Veja de segunda”, dos piores momentos da publicação, o diretor passou por cima de seus repórteres para produzir um ataque gratuito contra o livre direito da Gaviões homenagear quem quiser (queriam que homenageasse o palmeirense Serra?).

E preparem-se, porque é o primeiro, mas dificilmente será o único ataque das Organizações Globo contra o desfile da Gaviões.

Daqui até o carnaval, a homenagem sincera ao ex-presidente, que passa por tratamento contra um câncer na laringe, será usada de pretexto para atacar Lula e a memória de um governo aprovado por 87% dos brasileiros.

Mas a Globo não perdoa isso, e o que aconteceu na Época não é obra do acaso. Os capatazes de cada fazenda midiática dos Marinho se reúnem regularmente. E cabe a Globo, aquela empresa que publicou um longo documento sobre seus princípios éticos, mas que transmite o BBB, fez a edição do debate de 1989 e a farsa da bolinha de papel, a transmissão do desfile de carnaval onde Lula será homenageado.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O declínio da Folha de São Paulo

Li num desses blogs sujos que há por ai que a Folha de S. Paulo perdeu, em cinco meses, 6% dos seus leitores.O jornalão paulista não tem que reclamar nada, pois foi ele mesmo quem deu causa a esse declínio.Se a Folha seguisse à risca o seu Manual de Redação nada disso teria acontecido, ao contrário, a vendagem dos jornais aumentariam. Diz o Manual de Redação da Folha de S. Paulo:"não há jornalismo crítico nem independente em jornais editados por empresas que dependem direta ou indiretamente de governo, grupo econômico ou partido político".Pois bem. Não é isso que se vê na Folha.Até a Ponte Espraiada sabe que a Folha passou vários anos a soldo do governo Serra, quer via propaganda, quer via assinatura do jornalão.O resultado é que Folha blindou o governo Serra de forma vergonhosa.E continua blindando, mesmo com Zé Bolinha de Papel longe do Poder.A omissão da existência do livro A Privataria Tucana é um exemplo eloquente de que Folha ainda tem gratidão por José Serra.Folha passou 15 dias sem tocar no assunto e quando tocou foi para criticar o conteúdo do livro e desqualificar o seu autor.Ninguém viu Fernando Rodrigues, Kennedy Alencar, Jânio de Freitas, Clóvis Rossi, Eliane Tucanhede, Josias de Souza, esse é o mais ridículo de todos, isto porque assim que CartaCapital publicou a matéria sobre o mencionado livro ele deu férias a o blog que é hospedado no Uol, escreverem um só parágrafo a respeito do livro bombástico de Amaury Jr. O Grupo Folha é tão parcial que demorou dias para informar que a CPI da Privataria estava sendo articulada n Câmara dos Deputados.O resultado de tudo isso só podia dar no declinio da Folha.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Não "Veja" no "JN"

COMÉRCIO EXTERIOR »  
Agro bate recorde e exporta US$ 94,6 bi

Rosana Hessel

As exportações do agronegócio brasileiro em 2011 somaram US$ 94,6 bilhões, o melhor desempenho já registrado desde o início da contabilização dos dados, em 1997, pelo Ministério da Agricultura. As vendas externas do setor foram 24% superiores ao desempenho de 2010, que registrou um resultado de US$ 76,4 bilhões. Para este ano, a expectativa da pasta é de que os embarques de produtos agrícolas avancem pelo menos 5,7% e ultrapassem a casa dos US$ 100 bilhões.

“A média de crescimento no valor acumulado com vendas externas nos últimos 10 anos ficou em torno de 10%, então, é bastante aceitável alcançarmos a meta prevista”, afirmou, ontem, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro. A União Europeia continuou como o maior comprador da agroindústria nacional, superando até a China, principal destino das exportações brasileiras — no ano passado, o gigante asiático recebeu 16,5% de todos os embarques que tiveram o Brasil como origem.

Em 2011, a UE importou US$ 16,5 bilhões de produtos agrícolas brasileiros, registrando aumento de 50% sobre os US$ 11 bilhões computados um ano antes. Os principais itens importados pelos europeus foram café (US$ 4,29 bilhões), farelo de soja (US$ 4,01 bilhões) e carnes (US$ 2,48 bilhões). Depois da Europa, a China, os Estados Unidos, a Rússia e o Japão também se destacaram como destino das exportações brasileiras.

EncarecimentoOs produtos que mais contribuíram para o crescimento nas vendas externas do setor agrícola foram os do complexo da soja (grão, farelo e óleo), seguidos pelos do setor sucroalcooleiro, as carnes, os produtos florestais e o café. Juntos, eles somaram US$ 74,3 bilhões e foram responsáveis por 78,6% dos embarques para o exterior. Devido ao encarecimento de 30,3% no preço médio da soja, as exportações do produto avançaram 47,8% na comparação com o ano passado, de
US$ 11 bilhões para US$ 16,3 bilhões.

As vendas do setor de carnes no exterior também avançaram 14,7%, passando de US$ 13,6 bilhões para US$ 15,6 bilhões, mesmo com a queda de 0,4% nos embarques para a Rússia por conta do embargo a vários frigoríficos brasileiros desde junho de 2011. O ministro da Agricultura aguarda, para os próximos dias, um relatório detalhado sobre a missão de técnicos russos realizada no Brasil em novembro. Na próxima semana, Ribeiro deverá se reunir, em Berlim, com autoridades russas para tentar suspender as barreiras ao produto brasileiro.

Já as importações de produtos agropecuários avançaram 28% no ano passado e somaram US$ 17,1 bilhões. Com isso, o superavit na balança comercial do agronegócio de 2011 ficou em US$ 77,5 bilhões, um saldo quase três vezes superior ao acumulado pelo total da balança comercial, de US$ 29,8 bilhões.


Carne suína brasileira nos EUA
O Ministério da Agricultura informou ontem que poderá, pela primeira vez na história, exportar carne suína in natura para os Estados Unidos, a maior economia do planeta. Os frigoríficos e matadouros de Santa Catarina tiveram o reconhecimento do Departamento de Agricultura dos EUA para a exportação do produto refrigerado. Os embarques terão início assim que o órgão brasileiro habilitar os estabelecimentos, o que deverá ocorrer ainda nesta semana. Inicialmente, seis empresas receberão autorização para exportar, informou o ministério. Os norte-americanos também ampliaram a autorização para a exportação de carne suína cozida e processada de outros estados brasileiros livres de aftosa e com vacinação, desde que a industrialização ocorra em locais com habilitação do governo.

A mídia e o complexo de Carolina

Por Washington Araújo, no blog Um cidadão do mundo:

Não faz tanto tempo assim, mas é fato que a grande imprensa celebrava do nascer ao pôr do sol e madrugada afora o fato de o Brasil ocupar a oitava posição dentre as maiores economias do mundo. Nas últimas semanas de 2011, ficamos sabendo, pela mídia internacional, que nossa posição avançou rumo ao topo: o Brasil já é a sexta maior economia do mundo.


Ultrapassou nada menos que o Reino Unido, aquele antigo império “em que o sol nunca se põe”, e que nunca deixava de estar hasteada, ao longo das 24 horas, a bandeira da Union Jack – da Europa à África, da Ásia à América, passando pelos chamados protetorados no Oriente Médio.

O Reino Unido comandou com mão de ferro a Índia, a África do Sul, Hong Kong… e é bem longa a lista. Apropriou-se da culinária mundial, sem ao menos dar o crédito aos seus verdadeiros donos: quem não consome diariamente a batata inglesa, o chá inglês, a casemira inglesa?

A partir de meados do século passado teve início a derrocada do império: foi obrigado a deixar a Índia com os indianos, em 1947, e a fazer reverências a seu líder maior, o Mahatma Gandhi; nos anos 1990 testemunhou o fim do odioso regime por ele mesmo implantado na África do Sul – o apartheid –, vendo surgir após 27 anos de cadeia o seu líder natural, Nelson Mandela; e, já no finalzinho daquele século, devolveu Hong Kong à China, por força de cláusulas contratuais em tratado firmado pelas duas nações.

Sem ver

Com cenário tão instigante, tão rico em história e em simbolismo, ainda assim nossa imprensa mais vistosa preferiu repercutir o feito de maneira tímida, quase que envergonhada, como se não passasse de reles disparate, de algo inconcebível a um país talhado para ser não mais que uma invenção do futuro – bem ao estilo da expressão de Stefan Zweig – aquele inatingível e fantasioso “País do Futuro”.

Isso demonstra à larga que não decorreu tempo suficiente para mudarmos nossos conceitos sobre o Brasil, seu potencial, sua importância geopolítica, suas riquezas naturais e humanas. Ficamos como que aprisionados à ideia romântica do Brasil festejado em nosso hino, o Brasil “deitado eternamente em berço esplêndido”.

Acostumados a explorar mazelas de todos os povos e países como invenções absolutamente nossas – corrupção, narcotráfico, malandragem, “jeitinho”, a noção nefasta da Belíndia –, a grande imprensa teve que engolir em seco seu olhar míope e acostumado em criar sua realidade paralela, aquela do país que não tem com dar certo e que precisa se acomodar, mesmo que seu pé seja tamanho 42 em sapato tamanho 36. Isso, segundo nossos oráculos de Delfos, que desde a manhã até à noite não param de azucrinar nossos olhos e ouvidos com presságios cada vez menos críveis, dando conta que o Brasil precisa urgentemente de uma primavera árabe, de um movimento ao estilo “occupy Wall Street”, e de fartas imagens tão artificiais quanto patéticas de vassouras limpando a nódoa da corrupção das nossas grandes cidades.

E a grande imprensa, mais uma vez, erra – e feio – ao querer importar de outros países uma realidade que não é a nossa: por que uma primavera árabe se temos eleições universais, diretas e livres a cada dois anos? Por que ocupar a Bolsa de São Paulo ou o Banco Central em Brasília se nossa economia, ao invés de gerar desemprego em massa, inflação apontando no horizonte e estagnação e colapso financeiro iminentes, encontra-se – nas palavras de nossos filhos – “bombando” e com viés de alta? Por que apoiar o movimento das vassouras quando existem vassouras demais, vistosas demais, novas demais, uniformes demais, fashion demais, coreografadas demais e poucos (ou quase nenhum) vassoureiro para empunhá-las?

A verdade é que não temos nenhum brasileiro se imolando na Cinelândia carioca nem na Praça da Sé paulistana, muito menos na mineira Afonso Pena ou nas imediações do Pelourinho baiano. E não temos por vários motivos. Dentre estes podemos citar o fato de que desde 2004 o premonitório slogan “Orgulho de ser brasileiro” deixou de ser mero reclame institucional do governo federal para ser sentimento vivo, pulsação corrente no corpo do país. A Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, as descobertas de vastas extensões de lençóis petrolíferos na camada do pré-sal, o Brasil já ser “a terceira maior economia europeia”, atrás apenas da Alemanha e da França.

E os brasileiros viram tudo isso acontecer em brevíssimo espaço de tempo. Mas nossa grande imprensa não viu e se recusa a ver. O que lhe interessa mesmo é explorar a doença e não a saúde, o veneno e não o antídoto, o retrovisor com as surradas visões do passado e não o espelho do presente e do futuro.

O tempo passa

Começa 2012 e logo no primeiro dia do ano entrou em vigor o novo salário mínimo, de R$ 622. Representa um aumento real (descontada a inflação) de 9,2% em relação ao mínimo vigente até 31 de dezembro de 2011, de R$ 545. O reajuste real do mínimo é o maior desde o ano eleitoral de 2006. E injetará formidáveis R$ 47 bilhões na economia neste ano, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esta e várias outras notícias foram tratadas como miçangas nas editorias dos jornalões e dos telejornais de maior audiência da tevê aberta brasileira.

A quem interessa isso?

Cada povo tem o governo que merece. E também a mídia que merece. E enquanto atuar dessa forma tão seletiva de fabricar a realidade que melhor atenda a seus interesses, a verdade é que nem o país ultrapassando as economias da China e dos Estados Unidos juntas, nem se transferindo a sede das Nações Unidas para Manaus, nem a Europa adotando o real em lugar do euro, ainda assim não nos veremos estampados nas capas de jornais e revistas, na escalada de matérias do Jornal Nacional.

A nossa grande imprensa prefere ver o futuro com aquele olhar perdido de Carolina, a eterna moça sonhadora que ficava na janela (e na poesia de Chico Buarque) vendo o tempo passar. Minuto a minuto, hora a hora. E nisso passa por sua janela tudo do bom e do melhor, mas só Carolina não vê. Ou se recusa a ver.

Arrisco-me a inferir que nossa grande imprensa sofre do complexo de Carolina.

sábado, 12 de novembro de 2011

O vale-tudo na busca por audiência

Por Valério Cruz Brittos e Luciano Gallas em 08/11/2011 na edição 667  do Observatório da Imprensa

A regulamentação da operação televisiva não é, em si mesma, garantia de veiculação de uma programação de qualidade na televisão, mas é a certeza da existência de parâmetros a balizar a atuação das emissoras. A construção de uma comunicação voltada à cidadania requer a construção de um marco regulatório sincronizado com os princípios democráticos, o que abrange o respeito à dignidade humana. É a regulamentação, portanto, uma ferramenta imprescindível, associando o direito de uso da concessão ao cumprimento de um contrato, o qual deve estabelecer regras claras, inclusive para a função de programação.
Ante a liberdade de empresa que prevalece no Brasil, no dia 30 de setembro último o estado da Paraíba foi vítima da permissividade com que as emissoras de TV operam no país, expondo a intimidade de uma menina de 13 anos, vítima de violência sexual. Leia Mais>>