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sábado, 21 de janeiro de 2012

Marta Suplicy: O amor é lindo, mas passa longe do BBB

O amor é lindo
Coloque um monte de jovens -homens e mulheres- com pouca roupa, jogos e brincadeiras que propiciem tensão e esfrega-esfrega, menos camas do que participantes (esta eu achei incrível!), muita bebida, diversão suficiente para descontrair, intrigas para algum suspense e você tem o “BBB”. Acrescente uma busca e seleção de personagens em escala nacional com promoção de mídia, todos com perfil para o enredo ter o mix mais picante e consegue-se a garantia de boa audiência, um pornô palatável, pois os que gostam se deliciam e os que desprezam passam longe e não criam confusão.
Até que das redes sociais ouvimos um grito de protesto. Este, agora, seguido por várias instituições que exigem apuração e questionam os procedimentos no programa. Duas novidades importantes: as redes sociais fizeram diferença e a questão da violência contra a mulher entrou na pauta!
A falta de intimidade, as dificuldades nos relacionamentos ditadas pela competitividade, o estresse, o cotidiano das cidades, a ruptura de laços familiares, tudo colaborou para uma enorme vontade de pertencer, saber mais (de longe) sobre o outro. Acrescente a curiosidade gerada por este mundo novo, fruto das mudanças dos anos 60, e dá para entender o surgimento do “An American Family”, no ano de 1973, que precedeu as variações que hoje temos. Falou-se então de divórcio e homossexualidade.
O desejo por mais adrenalina, a exploração cada vez maior da sexualidade, o prazer sádico, as alternativas pobres de entretenimento, somadas à contínua tensão deste mundo globalizado, onde cada vez mais cada um é mais por si e sozinho, levaram ao que temos hoje.
Não teríamos coisas mais interessantes do que estarmos aqui discutindo esse programa? Creio que sim. Mas o suposto estupro -negado pelos participantes do “BBB”, assim como foi ignorada pelos editores a vulnerabilidade da moça alcoolizada-, além de desencadear uma discussão sobre a adequação e a ética dos responsáveis pelo “BBB”, trouxe visibilidade a uma forma de violência pouco denunciada e que defendo revisão.
Há meses, apresentei um projeto de lei ao Senado que recria o tipo penal do “atentado violento ao pudor”. Isso porque depois de uma mudança de lei, em 2009, passou-se a considerar também como estupro atos libidinosos.
As condenações por tais atos diminuíram em virtude de os juízes ficarem constrangidos em dar penas tão severas por ato que consideram não tão grave quanto o estupro. O novo projeto mantém a pena de reclusão de seis a dez anos, em caso de estupro, e pena de dois a seis anos de reclusão, quando ocorrer o atentado violento ao pudor.
O amor é lindo, como disse Pedro Bial olhando a movimentação debaixo do edredom. Mas passa longe do “BBB”.

Entenda o caso:
O suposto estupro de uma participante do BBB tomou as redes sociais a tal ponto que a Rede Globo teve que descer de sua posição oligopólica para tomar atitudes que julgou necessárias: 1) Expulsar o suposto estuprador; 2) Emitir nota e publicar reportagem no Jornal Nacional sobre o caso.

Na reportagem, o delegado parece se dar por satisfeito com as declarações dos envolvidos no caso de que tudo teria sido "consensual".

O Blog do Mello, senhor delegado, não vai entrar em detalhes, suposições e outras informações, sobre as quais não temos provas documentais. Vamos fazer apenas perguntas sustentadas por documentos. A elas:
  • 1. Como é que a vítima diz que foi tudo consensual, se, antes, no tal "confessionário do BBB", ela havia dito que não se lembrava de nada, como prova o vídeo abaixo?

      • 2. A vítima assistiu ao vídeo do suposto estupro, reproduzido a seguir?
      • 3. Por que o programa BBB da Rede Globo expulsou um participante e não o outro? Qual foi o comportamento do Daniel que foi considerado - em nota, frise-se - "inadequado" pela TV Globo?

      • A íntegra da reportagem do JN sobre o caso pode ser vista aqui. A nota da Rede Globo, tirada da reportagem, a seguir:
      Em nota, a TV Globo informou que assim que surgiu a suspeita de abuso sexual, iniciou a apuração dos fatos. Em um primeiro momento, as imagens apontavam para uma cena de carícias, semelhante às de outras edições. Depois de uma avaliação, a emissora decidiu afastar Daniel, até para que ele pudesse prestar esclarecimentos formais à polícia. A TV Globo avalia que o comportamento de Daniel foi inadequado, o que impede o retorno dele à casa.

      A TV Globo lembra ainda que as imagens foram divulgadas apenas para quem tem o sistema pay-per-view, na TV a cabo, e para assinantes da Globo.com. Na TV aberta, um resumo foi exibido na edição de domingo (15) do BBB.

      A reportagem do Jornal Nacional deixa clara a estratégia da emissora:
      • Não houve nada de anormal, que não seja "semelhante às de outras edições".
      • As imagens não foram transmitidas pela TV aberta, mas "apenas para quem tem o sistema pay-per-view, na TV a cabo, e para assinantes da Globo.com".
      Com isso, a Rede Globo tenta afastar a possibilidade de perda da concessão, por violar os princípios constitucionais que regem a relação com as concessionárias.

      Agora vou publicar mais uma vez o Capítulo da Constituição que trata da Comunicação Social. Comento depois.

      CAPÍTULO V
      DA COMUNICAÇÃO SOCIAL
      Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
      § 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
      § 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
      § 3º - Compete à lei federal:
      I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;
      II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
      § 4º - A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.
      § 5º - Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
      § 6º - A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade.
      Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:
      I - preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;
      II - promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;
      III - regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;
      IV - respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

      Art. 222. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
      § 1º Em qualquer caso, pelo menos setenta por cento do capital total e do capital votante das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens deverá pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, que exercerão obrigatoriamente a gestão das atividades e estabelecerão o conteúdo da programação. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
      § 2º A responsabilidade editorial e as atividades de seleção e direção da programação veiculada são privativas de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, em qualquer meio de comunicação social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
      § 3º Os meios de comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia utilizada para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados no art. 221, na forma de lei específica, que também garantirá a prioridade de profissionais brasileiros na execução de produções nacionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
      § 4º Lei disciplinará a participação de capital estrangeiro nas empresas de que trata o § 1º. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
      § 5º As alterações de controle societário das empresas de que trata o § 1º serão comunicadas ao Congresso Nacional. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)
      Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.
      § 1º - O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64, § 2º e § 4º, a contar do recebimento da mensagem.
      § 2º - A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.
      § 3º - O ato de outorga ou renovação somente produzirá efeitos legais após deliberação do Congresso Nacional, na forma dos parágrafos anteriores.
      § 4º - O cancelamento da concessão ou permissão, antes de vencido o prazo, depende de decisão judicial.
      § 5º - O prazo da concessão ou permissão será de dez anos para as emissoras de rádio e de quinze para as de televisão.

      Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei.
      Lido o Capítulo, perguntas:
      1. a Rede Globo pode exibir o BBB?
      2. a Rede Globo pode existir, sob o oligopólio das Organizações Globo?
      3. o governo da presidenta Dilma está cumprindo o que determina a Constituição?
      4. os nobres deputados, senadores e juristas idem?
      CLIQUE AQUI PARA VER PHA: O PT TEM MEDO DA GLOBO

      Sem novo marco da mídia, ‘caso BBB’ só está ao alcance da Justiça

      Por Najla Passos, da Carta Maior

      “Se não houver penalização, as emissoras não respeitarão as classificações indicativas, que terão mais razão de existir”, justifica Roseli, alegando que o instrumento já é muito mal utilizado no Brasil. O BBB, por exemplo, possui classificação indicativa para a faixa etária superior a 12 anos.

      O debate sobre uma nova lei para empresas do setor de radiodifusão (emissoras de TV e rádio), que garanta democratização e regulação de um serviço que afinal é concessão pública, ganhou impulso com a polêmica gerada pela suspeita de estupro de uma participante do programa Big Brother Brasil (BBB), da TV Globo.
      Desde segunda-feira (16), as redes sociais, redutos de militantes defensores da democratização da mídia, foram dominadas pela discussão do caso do participante do BBB que, com uma colega alcoolizada e “apagada”, movimentou-se sob o edredon que cobria ambos de uma forma que levou o público desconfiar de ato sexual.
      Circulam petições online pela responsabilização da Globo, propostas de campanha contra empresas patrocinadoras do BBB e a convocatória de uma manifestação contra a emissora para sexta-feira (20).
      Em suma, uma polêmica tão aberta quanto o sinal da maior emissora do país, embora só quem seja assinante de TV paga é que tenha visto a transmissão do suposto crime.
      Secretária-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e membro do Conselho Nacional de Psicologia, Roseli Goffman acredita que a responsabilidade da emissora no episódio está muito clara.
      “Ainda não há como saber se houve estupro, porque isso exige investigações. Mas é claro que houve um assédio muito intenso. E a emissora tinha, sim, como prever isso, considerando que realizou intensas entrevistas para definir o perfil dos participantes, antes de confiná-los em um local em que teriam que dividir as camas e estariam expostos a grande quantidade de álcool”, afirma.
      Nesta terça-feira (17), militantes da Rede Mulher Mídia e de outras organizações feministas decidiram entrar com representação no Ministério Público Federal cobrando apuração de responsabilidades da Globo, enquanto o MPF em São Paulo anunciava a abertura de investigação do caso com foco em “violação aos princípios constitucionais da Comunicação Social e ofensa aos direitos da mulher”.
      Na véspera, a Secretaria de Políticas para Mulheres, órgão do governo federal, havia solicitado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, onde está a sede da Globo, que “tomasse providências”, mas aí com foco na violação de direitos da mulher.
      “O acusado [de estupro] já está sendo investigado pela polícia, mas a emissora não”, diz a jornalista Bia Barbosa, pesquisadora e militante do coletivo Intervozes, entidade que integra a Rede Mulher Mídia.
      A representação da Rede questiona o que seria uma tentativa da Globo de omitir a ocorrência do fato, ao não relatá-lo à suposta vítima, e de retardar a apuração dos fatos, o que pode, inclusive, ter prejudicado as investigações policiais.
      Segundo Bia, a Justiça é a única instância que pode cassar a concessão da emissora. Ao ministério das Comunicações cabem sanções administrativas, que poderiam ter tomadas de forma mais rápida e eficiente se o Brasil, como outros países, possuísse um órgão regulador dos meios de comunicação. Mas o Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, não prevê a existência de um órgão regulador.
      Agência de conteúdo
      Um projeto de novo marco regulatório foi esboçado no segundo governo Lula e propunha criar uma nova agência, paralela à de Telecomunicações (Anatel), para cuidar só de conteúdo.
      Num cenário destes, existente em países como Portugal, o “caso BBB” poderia ser apreciado pela agência de conteúdo. Desde a posse da presidenta Dilma Rousseff, porém, o projeto está no ministério das Comunicações, que não tem simpatia pela criação de outro órgão.
      “O novo marco regulatório defendido pelos movimentos detalharia com mais precisão as sanções para casos de infração, porque o atual é muito defasado e prevê que somente a Justiça possa cassar concessões de canais de rádio e TV”, afirma Bia. “Já o órgão regulador, que também é uma das bandeiras da luta dos movimentos, possibilitaria que sanções e até mesmo medidas preventivas fossem tomadas com mais agilidade.”

      Mas, apesar das limitações impostas pela legislação, Bia acredita que, caso a responsabilidade da Globo seja comprovada, a cassação da concessão da emissora poderia até ser uma consequência discutida. “Por enquanto, não podemos antecipar que foi um crime porque as denúncias exigem apuração rigorosa”, explica.
      Para Roseli Goffman, o episódio reforçaria também a necessidade de um debate ainda mais polêmico, a proposta de “controle social” da mídia por meio de um conselho nacional de comunicação e de similares regionais.
      O uso da expressão “controle social” é uma armadilha política para os militantes da democratização da mídia, pois ajuda a alimentar o discurso dos opositores da proposta (emissoras e seus porta-vozes políticos) de que se trata de censura disfarçada.
      “A TV é um componente essencial na educação do brasileiro. E não são esses valores, de glamourização do uso exagerado do álcool e de apologia à violência do sexo não consentido, por exemplo, que queremos passar para nossas crianças”, critica a psicóloga.
      A secretária-geral do FNDC acredita também que o caso deveria forçar o Supremo Tribunal Federal (STF) a decidir logo sobre uma ação da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) que tenta proteger filiadas de punição quando não respeitarem a classificação indicativa dos programas (informar a idade mínima adequada para que se assista ao programa). O julgamento no STF foi interrompido quando havia quatro votos (são 11 no total) a favor da Abert.

      Leia outros textos de Outras Palavras

      TV: fábrica de mais-valia ideológica

      Por Elaine Tavares, no blog Palavras Insurgentes:

      A televisão é uma usina ideológica. Gera milhares de megawatts de ideologia a cada programa, por mais inocente que pareça ser. E ideologia como definiu Marx: encobrimento da realidade, engano, ilusão, falsa consciência. Então, se considerarmos que a maioria da população latino-americana, aí incluída a brasileira, se informa e se forma através desse veículo, pensá-la e analisá-la deveria ser tarefa intelectual de todo aquele que pensa o mundo.

      Afinal, como bem afirma Chomsky, no seu clássico “Os Guardiões da Liberdade”, os meios atuam como sistema de transmissão de mensagens e símbolos para o cidadão médio. “Sua função é de divertir, entreter e informar, assim como inculcar nos indivíduos os valores, crenças e códigos de comportamento que lhes farão integrar-se nas estruturas institucionais da sociedade”. Não é sem razão que bordões, modas e gírias penetram nas gentes de tal forma que a reprodução é imediata e sistemática.

      Edição do ENEM em abril é cancelada



      Saiu no jornal nacional desta sexta-feira reportagem que celebra – com a repórter Claudia Bom (?) Tempo -  o cancelamento do primeiro Enem deste ano.

      Pela primeira vez, o Ministério da Educaçao ia realizar dois Enem em 2012, para acelerar o acesso do pobre à universidade.

      A Justiça do Ceará – sabe-se lá por que – e a Globo (com o auxílio secundário do PiG (*) impresso) conseguiram dinamitar o primeiro Enem do ano.

      Mantém-se o habitual, o de novembro.

      A reportagem do jn tenta passar a impressão de que o Ministro Fernando Haddad cancelou o primeiro Enem de 2012 por inépcia.

      (De olho na  eleição de São Paulo …)

      E atenua a verdadeira causa: com a decisão (ainda que provisória) da Justiça, que dá a cada aluno o direito de ver sua prova de redação, o Ministério da Educação ( e nenhum Ministerio da Educação do mundo ) não tem condição de atender às duas demandas: um Enem daqui a três meses e providenciar o acesso a TODAS as provas de redação.

      Não é de espantar.

      A Globo e uma certa Justiça são inimigos do Enem por motivos ideológicos.

      Tão simples quanto isso.

      A Casa Grande custa a desmoronar.

      Paulo Henrique Amorim

      (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

      quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

      A mídia e o complexo de Carolina

      Por Washington Araújo, no blog Um cidadão do mundo:

      Não faz tanto tempo assim, mas é fato que a grande imprensa celebrava do nascer ao pôr do sol e madrugada afora o fato de o Brasil ocupar a oitava posição dentre as maiores economias do mundo. Nas últimas semanas de 2011, ficamos sabendo, pela mídia internacional, que nossa posição avançou rumo ao topo: o Brasil já é a sexta maior economia do mundo.


      Ultrapassou nada menos que o Reino Unido, aquele antigo império “em que o sol nunca se põe”, e que nunca deixava de estar hasteada, ao longo das 24 horas, a bandeira da Union Jack – da Europa à África, da Ásia à América, passando pelos chamados protetorados no Oriente Médio.

      O Reino Unido comandou com mão de ferro a Índia, a África do Sul, Hong Kong… e é bem longa a lista. Apropriou-se da culinária mundial, sem ao menos dar o crédito aos seus verdadeiros donos: quem não consome diariamente a batata inglesa, o chá inglês, a casemira inglesa?

      A partir de meados do século passado teve início a derrocada do império: foi obrigado a deixar a Índia com os indianos, em 1947, e a fazer reverências a seu líder maior, o Mahatma Gandhi; nos anos 1990 testemunhou o fim do odioso regime por ele mesmo implantado na África do Sul – o apartheid –, vendo surgir após 27 anos de cadeia o seu líder natural, Nelson Mandela; e, já no finalzinho daquele século, devolveu Hong Kong à China, por força de cláusulas contratuais em tratado firmado pelas duas nações.

      Sem ver

      Com cenário tão instigante, tão rico em história e em simbolismo, ainda assim nossa imprensa mais vistosa preferiu repercutir o feito de maneira tímida, quase que envergonhada, como se não passasse de reles disparate, de algo inconcebível a um país talhado para ser não mais que uma invenção do futuro – bem ao estilo da expressão de Stefan Zweig – aquele inatingível e fantasioso “País do Futuro”.

      Isso demonstra à larga que não decorreu tempo suficiente para mudarmos nossos conceitos sobre o Brasil, seu potencial, sua importância geopolítica, suas riquezas naturais e humanas. Ficamos como que aprisionados à ideia romântica do Brasil festejado em nosso hino, o Brasil “deitado eternamente em berço esplêndido”.

      Acostumados a explorar mazelas de todos os povos e países como invenções absolutamente nossas – corrupção, narcotráfico, malandragem, “jeitinho”, a noção nefasta da Belíndia –, a grande imprensa teve que engolir em seco seu olhar míope e acostumado em criar sua realidade paralela, aquela do país que não tem com dar certo e que precisa se acomodar, mesmo que seu pé seja tamanho 42 em sapato tamanho 36. Isso, segundo nossos oráculos de Delfos, que desde a manhã até à noite não param de azucrinar nossos olhos e ouvidos com presságios cada vez menos críveis, dando conta que o Brasil precisa urgentemente de uma primavera árabe, de um movimento ao estilo “occupy Wall Street”, e de fartas imagens tão artificiais quanto patéticas de vassouras limpando a nódoa da corrupção das nossas grandes cidades.

      E a grande imprensa, mais uma vez, erra – e feio – ao querer importar de outros países uma realidade que não é a nossa: por que uma primavera árabe se temos eleições universais, diretas e livres a cada dois anos? Por que ocupar a Bolsa de São Paulo ou o Banco Central em Brasília se nossa economia, ao invés de gerar desemprego em massa, inflação apontando no horizonte e estagnação e colapso financeiro iminentes, encontra-se – nas palavras de nossos filhos – “bombando” e com viés de alta? Por que apoiar o movimento das vassouras quando existem vassouras demais, vistosas demais, novas demais, uniformes demais, fashion demais, coreografadas demais e poucos (ou quase nenhum) vassoureiro para empunhá-las?

      A verdade é que não temos nenhum brasileiro se imolando na Cinelândia carioca nem na Praça da Sé paulistana, muito menos na mineira Afonso Pena ou nas imediações do Pelourinho baiano. E não temos por vários motivos. Dentre estes podemos citar o fato de que desde 2004 o premonitório slogan “Orgulho de ser brasileiro” deixou de ser mero reclame institucional do governo federal para ser sentimento vivo, pulsação corrente no corpo do país. A Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, as descobertas de vastas extensões de lençóis petrolíferos na camada do pré-sal, o Brasil já ser “a terceira maior economia europeia”, atrás apenas da Alemanha e da França.

      E os brasileiros viram tudo isso acontecer em brevíssimo espaço de tempo. Mas nossa grande imprensa não viu e se recusa a ver. O que lhe interessa mesmo é explorar a doença e não a saúde, o veneno e não o antídoto, o retrovisor com as surradas visões do passado e não o espelho do presente e do futuro.

      O tempo passa

      Começa 2012 e logo no primeiro dia do ano entrou em vigor o novo salário mínimo, de R$ 622. Representa um aumento real (descontada a inflação) de 9,2% em relação ao mínimo vigente até 31 de dezembro de 2011, de R$ 545. O reajuste real do mínimo é o maior desde o ano eleitoral de 2006. E injetará formidáveis R$ 47 bilhões na economia neste ano, segundo estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Esta e várias outras notícias foram tratadas como miçangas nas editorias dos jornalões e dos telejornais de maior audiência da tevê aberta brasileira.

      A quem interessa isso?

      Cada povo tem o governo que merece. E também a mídia que merece. E enquanto atuar dessa forma tão seletiva de fabricar a realidade que melhor atenda a seus interesses, a verdade é que nem o país ultrapassando as economias da China e dos Estados Unidos juntas, nem se transferindo a sede das Nações Unidas para Manaus, nem a Europa adotando o real em lugar do euro, ainda assim não nos veremos estampados nas capas de jornais e revistas, na escalada de matérias do Jornal Nacional.

      A nossa grande imprensa prefere ver o futuro com aquele olhar perdido de Carolina, a eterna moça sonhadora que ficava na janela (e na poesia de Chico Buarque) vendo o tempo passar. Minuto a minuto, hora a hora. E nisso passa por sua janela tudo do bom e do melhor, mas só Carolina não vê. Ou se recusa a ver.

      Arrisco-me a inferir que nossa grande imprensa sofre do complexo de Carolina.

      segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

      Dilma avisa ao PiG: Bezerra fica

      A Presidenta  Dilma mandou convocar uma entrevista no Palácio do Planalto com a presença dos ministros ligados à questão do “caosaquático”: Gleisi Hoffman, da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da Ciência, Alexandre Padilha, da Saúde, e Fernando Bezerra Coelho, da Integração, que a Globo resolveu demitir.

      Bezerra anunciou medidas acertadas com a Presidenta, o que inclui a aplicação de R$ 400 milhões em obras de emergência.

      Mercadante tratou de radares e pluviômetros.

      Tudo muito importante, mas secundário.

      O objetivo da reunião foi fortalecer Bezerra.

      Mostrar que ele faz parte de um Governo mobilizado para enfrentar o problema.

      Que a Globo e o PiG batam em outra freguesia.

      O Fernando fica.

      O poder de governar o Governo está provisoriamente suspenso.

      Em tempo extraído do G1: A presidente da República, Dilma Rousseff, determinou nesta segunda-feira (9) a criação de uma Força Nacional de Apoio Técnico de Emergência, grupo interministerial que atuará na prevenção de desastres naturais e reconstrução de municípios atingidos.

      O anúncio foi feito nesta segunda pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, após reunião com a presidente e mais outros sete ministros ligados à área de infraestrutura e atendimento à população.


      Paulo Henrique Amorim

      A Presidenta  Dilma mandou convocar uma entrevista no Palácio do Planalto com a presença dos ministros ligados à questão do “caosaquático”: Gleisi Hoffman, da Casa Civil, Aloizio Mercadante, da Ciência, Alexandre Padilha, da Saúde, e Fernando Bezerra Coelho, da Integração, que a Globo resolveu demitir.

      Bezerra anunciou medidas acertadas com a Presidenta, o que inclui a aplicação de R$ 400 milhões em obras de emergência.

      Mercadante tratou de radares e pluviômetros.

      Tudo muito importante, mas secundário.

      O objetivo da reunião foi fortalecer Bezerra.

      Mostrar que ele faz parte de um Governo mobilizado para enfrentar o problema.

      Que a Globo e o PiG batam em outra freguesia.

      O Fernando fica.

      O poder de governar o Governo está provisoriamente suspenso.

      Em tempo extraído do G1: A presidente da República, Dilma Rousseff, determinou nesta segunda-feira (9) a criação de uma Força Nacional de Apoio Técnico de Emergência, grupo interministerial que atuará na prevenção de desastres naturais e reconstrução de municípios atingidos.

      O anúncio foi feito nesta segunda pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, após reunião com a presidente e mais outros sete ministros ligados à área de infraestrutura e atendimento à população.

      Paulo Henrique Amorim

      domingo, 8 de janeiro de 2012

      Ignorado por Veja, Privataria é 1º em Veja


      "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., chega ao topo dos Mais Vendidos da revista semanal; no entanto, nenhuma linha sequer é dedicada ao conteúdo do livro que vasculha subterrâneos das privatizações na era FHC; que tal uma resenha para o seu próprio número 1, Veja?

      Diego Iraheta _247 - O sucesso da privataria está lá para quem quiser ler. Confirmado na página 113 da edição deste fim de semana de Veja. Chegou ao topo da lista mais desejada pelos escritores brasileiros. É o primeiro lugar entre os mais vendidos. A despeito de publicar que a privataria é hoje o número 1 do mercado editorial, a revista continua em silêncio sobre o conteúdo do livro de Amaury Ribeiro Jr.

      Campeã da categoria Não Ficção, a obra do jornalista indiciado pela Polícia Federal vasculha os subterrâneos da era das privatizações, durante a gestão FHC, e denuncia o enriquecimento de familiares de José Serra. As denúncias são fartamente documentadas pelo repórter investigativo com prêmio Esso (maior do jornalismo). Mesmo abrindo espaço para reconhecer o fenômeno editorial de Amaury, Veja não dá uma linha sequer sobre as acusações publicadas por ele em “A Privataria Tucana”.

      Boa parte da imprensa off-line já se manifestou sobre a privataria. Também, pudera, um livro com 120 mil cópias em menos de um mês só pode ser notícia. O público vai atrás, os blogueiros sujos devoram, os curiosos apartidários leem, os tucanos que não devem nem temem, também. Veja, porém, insiste na indiscreta discrição de ficar caladinha. Uma postura completamente impensável se o esquemão com propininha aqui e gravação acolá fosse no governo Lula, Dilma, PT...

       
      Pois a privataria não rendeu nem uma pequena resenha na maior revista de circulação nacional. É o paradoxo do que é notícia, segundo parâmetros da Veja.

       
      É o que vende? É o que interessa ao público? É o número 1 dos mais vendidos de Veja?

       
      Ou nenhuma das anteriores, Veja?

      sábado, 7 de janeiro de 2012

      Revista Veja planta preconceito e ódio contra nordestinos, através de seu colunista

      Você já viu alguma vez na revista Veja, liberação de verbas federais para os governadores tucanos de São Paulo, ser tratada como "plantando obras em currais eleitorais do Sudeste"?

      Não viu, porque esse tratamento depreciativo na revista demo-tucana paulista só é dirigido aos nordestinos, como prova o texto do colunista bufão acima.

      Esse caldo de cultura preconceituoso plantado na revista é o ovo da serpente do racismo, neo-nazismo e assemelhados, que geram seus filhotes, como uma gaúcha de 18 anos, que conseguiu produzir em seu twitter, em dezembro passado, essas "pérolas" de pensamentos:

      http://www.supernoite.com.br/det_noticias.php?id_not=2071

      Nada que 1 a 3 anos de prisão não resolva (apesar dela acreditar na impunidade da cesta básica), para a moça ter bastante tempo para refletir em sua cela. Mas a questão maior não é o seu caso isolado. É o quanto essa geração da "Sofia of Drems", filhas e filhos de uma elite cuja "formação de opinião" se dá sob influência de leituras como da revista como a Veja, estão recebendo valores e princípios deformados e desumanos.

      A OAB/CE (Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará) está movendo ação contra a moça. O caso causou repercursão e repúdio, conforme a reportagem abaixo:


      O Procurador da República Oscar Costa Filho, apesar de promover certa polêmica a respeito do ENEM, está certo em dizer que o comportamento destas moças é efeito, e é preciso buscar as causas. 

      Que tal o Procurador dar uma palavrinha com os "formadores de opinião" da Veja?

      sábado, 26 de novembro de 2011

      Franklin Martins: “Ninguém pode engavetar a Constituição”

      por Luiz Carlos Azenha

      O ex-ministro Franklin Martins quer que o Partido dos Trabalhadores apresente um marco regulatório das comunicações baseado no cumprimento da Constituição de 1988.
      “Não se arranha a Constituição, mas não se deixa a Constituição na prateleira. Ninguém pode ferir a Constituição. Ninguém pode engavetar a Constituição. Devemos ter no marco regulatório a Constituição na forma de marco. Na íntegra”.
      Franklin usou uma cópia da Constituição como “prop” durante boa parte de sua apresentação; ao final, diante de militantes e jornalistas, leu os trechos da Constituição relevantes para o debate. “Está tudo ali”, disse, antes da leitura.
      O ex-ministro gastou um bom pedaço de sua fala com um tema antigo: a tentativa das corporações de mídia de interditar o debate, alegando que a proposta de um marco regulatório equivale a censurar a imprensa ou ameaçar a liberdade de expressão.
      Franklin lembrou que é filho de um jornalista que foi preso cinco vezes durante a ditadura Vargas. O jornal do pai foi censurado. O ex-ministro disse também que todos os que lutaram contra a ditadura militar no Brasil, que nos infelicitou de 1964 a 1985, também lutaram contra a censura. Sem ironia, lembrou que alguns dos que se arvoram defensores da liberdade de imprensa e de expressão, hoje, colaboraram com o regime militar ou pregaram a derrubada do governo constitucional de João Goulart.
      Franklin disse que o quadro regulatório do setor, hoje, é o do “jeitinho”, dos “laranjas”, um “cipoal de gambiarras”, a “terra de ninguém”, a “lei da selva”. Lembrou que o Código Brasileiro de Telecomunicações, que rege o setor de rádio e televisão, em breve vai completar 50 anos: é de 1962.
      Disse que os empresários brasileiros da radiodifusão, a um debate aberto, amplo e transparente, parecem preferir um acerto de bastidores entre eles, as empresas de telefonia e alguns funcionários do governo. Franklin definiu este acerto entre quatro paredes como um “rachuncho”. Disse que um acerto do gênero não daria certo em uma sociedade sofisticada como a brasileira.