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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Cerco sem fim empurra Lula para ser candidato em 2014

:

Oposição partidária e ventríloquos midiáticos em pé de guerra contra maior líder político do País; aposta é ida ao 'tapetão' da Justiça para conter força política crescente do ex-operário; feitiço, no entanto, pode recair contra os feiticeiros; de sua toca no Instituto Lula, em São Paulo, o perseguido avisa que, se for acuado, irá romper o cerco tornando-se candidato a presidente da República outra vez; "o STF não vai escrever o último capítulo da minha biografia"; alguém duvida?

2 de Novembro de 2012 às 14:09

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Cartilha para acompanhar o mensalão

Publicado em 02/08/2012

Este documento tem o objetivo de desmontar ponto-a-ponto, com base nos fatos e nos autos, as principais acusações contra o PT


O Conversa Afiada reproduz cartilha da CUT-RJ:

Mensalão – Verdades e Mentiras

Em junho de 2005, o então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) acusou o PT
de “pagar mesada” a mais de 100 deputados da base aliada para que estes
votassem a favor do governo no Congresso Nacional.
Segundo ele, a “compra de votos” era feita com dinheiro público. Jefferson
batizou o suposto esquema de “mensalão” e disse que o “cabeça” era o então
ministro Chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Sete anos se passaram.
As denúncias de Jefferson jamais foram comprovadas. Nem ele, nem as três
CPIs que trataram do assunto, nem o Ministério Público, nem a Polícia Federal,
nem as dezenas de investigações paralelas da imprensa e dos órgãos de
fiscalização conseguiram reunir elementos que sustentassem as acusações.
O chamado processo do “mensalão”, ação penal que corre no STF sob o nº
470, tem quase 50 mil páginas e mais de 600 depoimentos. Nessa extensa
peça processual, só uma pessoa sustenta que o esquema teria existido: o
próprio Roberto Jefferson. E mesmo Jefferson, em suas alegações ao STF,
lança dúvidas a respeito, ao afirmar que seu partido (PTB), que também era da
base aliada, recebeu recursos oriundos de acordos eleitorais.
A ficção político-midiática de Jefferson, por outro lado, tem fortes aliados na
imprensa. A grande maioria dos articulistas da mídia tradicional está
cegamente convencida de que o PT comprou votos de deputados com dinheiro
público, sob o comando de José Dirceu.
Co-autora da tese acusatória, a mídia montou um tribunal paralelo. Denunciou,
julgou e condenou. Ao STF, na opinião dessa mídia, cabe apenas o papel
secundário de decidir o tamanho das penas – e agir rapidamente para que elas
não prescrevam!
Repetem o mantra todos os dias. Com isso, exercem forte pressão sobre a
opinião pública. Pressão que agora se volta também contra os magistrados do
Supremo, às vésperas do julgamento.
Recentes acontecimentos da política nacional, que levaram à criação da CPI
do Cahoeira, talvez joguem um pouco de luz sobre essa obsessiva fixação –
que começa a assumir ares de desespero.
Este documento tem o objetivo de desmontar ponto-a-ponto, com base nos
fatos e nos autos, as principais acusações contra o PT, o governo Lula e o exministro
José Dirceu no chamado “caso mensalão”.


1. O PT pagou mesadas a deputados para que votassem a favor de
projetos do governo no Congresso.

Os fatos
O PT ajudou partidos aliados a financiar suas campanhas nos estados,
relativas às eleições de 2002 e 2004. Em alguns casos, conforme asumido
publicamente em entrevistas e depoimentos, a ajuda não foi declarada à
Justiça Eleitoral. Nunca houve pagamentos mensais.
Não ficou demonstrada ligação entre as datas dos depósitos bancários e as
votações na Câmara. Pelo contrário: existem datas em que os saques
coincidem com derrrotas do governo em votações importantes. Dados da
Câmara mostram, por exemplo, que em 2004, após elevados repasses, caiu o
apoio ao governo nas votações.
O Ministério Público, nas alegações finais enviadas ao STF, sustenta que
houve “compra de votos”. Porém, diante da fragilidade da própria denúncia,
não consegue ir além de afirmações vagas e imprecisas. Diz que “alguns”
parlamentares, em “algumas votações”, votaram com o governo em datas
próximas de “alguns” saques.
O que de fato existe no processo são testemunhas que provam que nunca
houve compra de votos.


2. O “esquema” envolveu dinheiro público

Os fatos
As transferências para que aliados quitassem dívidas de campanha, que a
mídia chama de “mensalão”, não envolveram dinheiro público. O dinheiro veio
de empréstimos feitos junto aos bancos privados Rural e BMG.
Por absoluta inconsistência, a acusação de desvio de dinheiro público contra
oas principais nomes do processo, entre eles José Dirceu, já foi rejeitada por
unanimidade dos 11 juízes do STF, em agosto de 2007.


3. José Dirceu, o “Todo-Poderoso”, era o “chefe da quadrilha do
mensalão”.

Os fatos
José Dirceu é um importante quadro político do PT e teve papel de destaque
no governo federal. Ele era presidente do partido em 2002, quando coordenou
a campanha vitoriosa de Lula. Depois, afastou-se da direção do PT e assumiu
a Casa Civil.
José Dirceu não “mandava” no PT ou no governo. Dizer isso é desconhecer
funcionamento do PT e as características do sistema político brasileiro –
submetidos, nos dois casos, às regras da democracia, aos limites institucionais,
às construções políticas e à vontade soberana do povo brasileiro, tudo sob
vigilância de uma imprensa livre.
Não existe no processo uma única prova que dê suporte à acusação de que
José Dirceu integrava e comandava uma quadrilha.
Dirceu teve todos os seus sigilos quebrados (fiscal, telefônico e bancário), foi
investigado como poucas pessoas no Brasil, e não se descobriu qualquer fato
que pudesse lançar suspeita sobre sua conduta pessoal e política nesse caso.


6. A cassação de José Dirceu, na Câmara dos Deputados, é a prova de
que o mensalão existiu e de que ele, Dirceu, estava envolvido

Os fatos
O relatório produzido contra José Dirceu no Conselho de Ética da Câmara, que
serviu de base para a cassação de seu mandato parlamentar, é na verdade
uma mera peça de retórica, vazia do ponto de vista do processo legal e repleta
de falhas e lacunas.
A fragilidade é tanta que seu autor, o deputado Júlio Delgado, sequer foi
incluído entre as testemunhas de acusação no processo que corre no STF.
A cassação de José Dirceu foi política e se deu em meio ao clima de caça às
bruxas instalado pela mídia contra todos os que se opunham às suas teses e
aos seus desejos – sendo o principal deles atingir Dirceu na expectativa de que
isso desestabilizaria o governo Lula.
O mais absurdo é que, antes de ter cassado Dirceu por supostamente “chefiar
o mensalão”, a mesma Câmara cassou Roberto Jefferson por este não ter
conseguido provar a existência do “mensalão”…


7. No governo, José Dirceu beneficiou o BMG na implantação do
programa de crédito consignado. Também atuou para livrar o banco dos
órgãos de controle e fiscalização.

Os fatos
Essa acusação é uma das âncoras do processo de formação de quadrilha.
Para a oposição, a mídia e o Ministério Público, essa trata-se da principal
“evidência” de que houve “desvio de dinheiro público” e de que José Dirceu
estava no comando “do esquema”.
Ocorre que nada disso foi comprovado. O TCU, instituição independe,
investigou a denúncia e concluiu que não houve qualquer benefício ao BMG.
Da mesma maneira, ficou provado que o banco jamais deixou de ser
fiscalizado pelos órgãos de controle do sistema financeiro – que também são
independentes.
De tão absurdas e infundadas, o próprio Ministério Público abandonou estas
imputações em suas alegações finais.


8. José Dirceu manteve vários contatos com Marcos Valério, apontado
como “operador do mensalão”

Os fatos
Zero é o número de testemunhas, documentos, dados bancários ou telefônicos
que a acusação produziu para sustentar o imaginado vínculo entre Marcos
Valério e José Dirceu.
Todos os episódios apontados como suspeitos pelo Ministério Público foram
profundamente debatidos na ação penal, e todas as testemunhas ouvidas em
Juízo provaram a inexistência de qualquer espécie de relação entre ambos.


9. O “mensalão” foi o “maior esquema de corrupção da História do
Brasil”.

Os fatos
Diante dos fatos e das investigações, essa tese desmorona.
Mas ela sobrevive nas manchetes e no discurso oposicionista, com o objetivo
de criminalizar o PT e o governo Lula – ou de desviar a atenção da opinião
pública quando eles próprios são pegos em transações obscuras.
Os que usam essa estratégia são os mesmos que silenciaram diante das
revelações do livro “A Privataria Tucana”, lançado no final do ano passado, e
que agora omitem ou minimizam as relações criminosas de setores da
imprensa com o contraventor Carlos Cachoeira.


10. O governo Lula foi “leniente” com a corrupção

Os fatos
Nunca se combateu tanto a corrupção quanto nos governos do PT (Lula e
Dilma). Somente no governo Lula, a Polícia Federal fez mais de mil operações,
com 14 mil presos, sendo 1.700 servidores públicos – além de empresários,
juízes, policiais e políticos, inclusive do PT.
O governo Lula também fortaleceu os órgãos de controle e de fiscalização,
além de dar total independência ao Ministério Público Federal.
A título de comparação, no governo tucano a PF fez apenas 28 operações e o
Procrador-Geral da República era mais conhecido por “Engavetador-Geral”.


11. Se o STF aceitou a denúncia contra os “mensaleiros”, é porque as
acusações são consistentes.

Os fatos
Com forte pressão da mídia sobre a opinião pública, o STF decidiu receber a
denúncia e abrir o processso. No dizer de um dos seus ministros, os juízes
votaram “com a faca no pescoço”.
Mas recebimento não é sinônimo de condenação ou pré-condenação. Pelo
contrário. A abertura do processo serve para que as investigações sejam
aprofundadas e para que os acusados possam se defender.
A Constituição Brasileira garante que nenhum cidadão será condenado sem
provas e que todos terão um processo justo e com efetivo direito de defesa.
A partir do momento em que o STF aceitou a denúncia, caberia ao Ministério
Público apresentar os elementos que comprovassem suas acuações iniciais.
Mas isso não aconteceu.
O que se vê nas alegações finais do Ministério Público é um verdadeiro
conjunto vazio. Nenhuma prova foi produzida contra Dirceu. Ao contrário, foi
construído um acervo probatório que atesta a sua inocência.


12. O PT quer usar a CPI do Cachoeira para “abafar” ou “adiar” o
julgamento.

Os fatos
Investigações recentes da Polícia Federal evidenciam, entre outros fatos
graves, que a quadrilha de Carlos Cachoeira aliou-se a veículos de imprensa –
principalmente a Revista Veja – para produzir denúncias contra o governo do
PT e favorecer os interesses do bicheiro. Isso pode vir à tona na CPI. É disso
que parte da mídia tem medo. É esse medo que a faz produzir teorias como
essa.
O PT não quer nem tem poder para abafar ou adiar o julgamento. Ao contrário,
esta será a oportunidade decisiva para que se restaure a verdade.
No que se refere a José Dirceu, ele já deixou claro – em entrevistas,
declarações e textos – que confia na Justiça brasileira e quer ser julgado o
mais rápido possível.
A data do julgamento depende somente dos ministros do Supremo, que
precisam cumprir os procedimentos e prazos legais, bem como cuidar das
demais demandas do Tribunal.
Atualmente, o processo está na fase de revisão. Concluída esta etapa, estará
pronto para ser colocado em pauta.


13: A imprensa não faz nada além de noticiar, investigar e zelar pela ética
na política.

Os fatos
A grande imprensa no Brasil tomou partido. Quando se trata do PT e seus
aliados, ela não só investiga e noticia, como julga e também condena –
independentemente dos fatos.
Hoje, sabe-se que parte importante dessa imprensa aliou-se ao esquema
criminoso do bicheiro Carlinhos Cachoeira para produzir várias denúncias
contra os governos Lula e Dilma, entra elas a que deu origem ao chamado
“mensalão”.
Nas duas últimas eleições presidenciais, essa imprensa trabalhou ativamente
para eleger o candidato da oposição – produzindo farsas como o famoso
ataque da bolinha de papel.
Agora tenta manipular a opinião pública e pressionar o STF para ver
“comprovada” a tese do mensalão, da qual ela se tornou a principal porta-voz.
Mas os fatos a desmentem. E a verdade prevalecerá.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O "mensalão" como operação de marketing e como golpe branco fracassado

Mais além dos fatos concretos, a operação de marketing do “mensalão” merece fazer parte dos manuais de marketing politico. Nunca na história brasileira uma criação dessa ordem foi capaz de projetar e consolidar imagens na cabeça das pessoas, que as impedem de entender o fenômeno e avaliá-lo na sua realidade concreta, porque sua imaginação, seus instintos, já estão vacinados e conquistados pelas imagens projetadas pela campanha.

Uma jornalista da empresa da “ditabranda” entrevistou um dia a um parlamentar, presidente de um dos partidos da base aliada do governo, que teve uma das pessoas indicadas pelo partido para um cargo governamental, pego em flagrante , filmado, com som, em operação de suborno. O partido que o indicou – PTB – considerou que nao recebeu o apoio devido por parte do governo e seu presidente resolveu ligar o ventilador.

Disse que o governo pagava um “mensalão” a uma porção de gente. O jornal imediatamente cunhou a expressão e deu inicio àquele tipo de campanha cuja reiteração, por todos os órgãos da mídia privada, transformou a insinuação numa verdade supostamente incontestável.

O que ficou na imaginação das pessoas era literalmente que indivíduos chegavam no Palácio do Planalto com malas vazias, entravam numa sala contigua à do Lula, enchiam de dólares e saiam, mensalmente. A operação de marketing tornou-se um caso de manual de marketing, pelo seu sucesso. A partir a insinuação de um politico sem nenhuma respeitabilidade, se dava inicio à campanha, em que a oposição – liderada pela mídia privada – considerava que terminaria com o governo Lula.

Tudo foi se dando como bola de neve. O próprio jornal da família que emprestou carros para órgãos repressivos da ditadura cunhou o selo “mensalão”, com o qual cobria todas as atividades políticas nacionais. Até a eleição interna do PT foi incluída nessa rubrica.

Condenou-se moral e politicamente a dirigentes e políticos ligados ao governo, com o objetivo de ferir de morte o governo Lula, como repetição muito similar à crise de 1954, que terminou com o suicídio de Getúlio. Dois então membros da equipe do Lula chegaram – conforme entrevista posterior de Gilberto Carvalho – a ir ao Lula, levando a proposta opositora: todas as acusações seriam retiradas, inclusive o suposto impeachment, contanto que Lula renunciasse a se candidatar à reeleição.

Tinham receio de propor impeachment, pelas repercussões populares que poderia ter, então preferiam usá-lo como ameaça. O tiro saiu pela culatra. Lula reagiu dizendo que sairia às ruas para defender seu mandato, convocava os movimentos populares a reagir à tentativa de golpe branco.

A oposição, depois da cassação do Zé Dirceu, jogava, partindo do que considerava evidências contra o governo, com a vulnerabilidade do governo, alegando que Lula sabia dos fatos. Não foi o que aconteceu. Conseguiram várias cassações, conseguiram diminuir o apoio do Lula mas, principalmente, deram a pauta política do país.

O caso permitia desqualificar o Estado, o governo Lula, o PT. O Estado, por definição, para a direita, é corrupto ou corruptível. O governo Lula, o PT e os sindicatos teriam “tomado de assalto ao Estado” e imposto seus interesses particulares. O diagnóstico foi retirado diretamente do arsenal neoliberal.

Os governos de esquerda no Brasil – Getúlio, Jango, Lula – não terminariam seus mandatos. Fracassado o governo Lula, se cumpriria o prognóstico de um ministro da ditadura: “Um dia o PT vai ter que ganhar, vai fracassar, aí vamos poder dirigir o país com tranquilidade”.

Sob a forma do impeachment ou da renúncia de Lula a disputar um segundo mandato ou, ainda, com sua eventual derrota, asfixiado pela oposição – que já havia dito que sangraria o governo, até derrotá-lo nas eleições de 2006 -, se daria um golpe branco e a esquerda estaria desmoralizada e derrotada por um longo período.

Mas não contavam com a capacidade de reação de Lula e com os efeitos das políticas sociais, já em marcha. O povo, com a consciência de que era o seu governo e que sua eventual derrubada faria com que ele, povo, pagasse o preço mais alto da operação da direita, reagiu. A oposição foi pega de supresa pelas reações, que levaram à derrota da tentativa de derrubar o governo. Mais do que isso, levaram à derrota do candidato da oposição – o duro e puro neoliberal Alckmin –, porque a oposição também foi vitima da sua própria campanha.

Como esbravejava o Otavinho, na primeira reunião do comitê de direção da sua empresa: - Onde é que nós erramos?

Erraram porque acreditaram que eram onipotentes. Afinal foi a mídia golpista que levou o Getúlio ao suicídio, que promoveu o golpe militar que derrubou o Jango e que, acreditavam, levaria o governo Lula à derrota e a esquerda à desmoralização.

Foram derrotados em 2006, em 2010 e tem todas as possibilidades de serem derrotados de novo em 2014. Mais do que isso, tiveram que reconhecer que o prestígio do governo vem de suas politicas sociais, que transformaram democraticamente o Brasil. Que seu poder de fogo como cabeça da oposição é decrescente, que entraram em decadência irreversível.

Agora, sete anos depois, tentam ainda explorar o sucesso de marketing, espremendo tudo o que podem, raspando o tacho da panela, buscando voltar a pautar o país em torno do seu sucesso de marketing. Não se dão conta que o país mudou, que desde então perderam duas eleições presidenciais, que o Estado brasileiro reconquistou legitimidade por suas políticas sociais e pela sua ação de resistência à crise internacional? Que as mídias alternativas ganharam um poder de esclarecimento da opinião publica, que não tinham naquele momento?

Mas não lhes restam outras armas, senão a de explorar o embolorado tema do “mensalão”, para recordar como já foram bem mais poderosos no passado. Seus outros argumento naufragaram: o Estado mostra eficiência na condução do país, o livre mercado levou o capitalismo internacional à sua pior crise em 80 anos, o povo reconhece que melhorou suas condições de vida, apoia e vota no governo, as alianças internacional da política soberana do Brasil projetam o país no plano internacional como nunca antes, ao mesmo tempo que se mostram muito mais eficazes do que o Tratado de Livre Comércio e a Alca que a direita pregava.

Em suma, a história avançou desde 2005 e na direção da derrota da oposição, da criação de uma nova maioria politica no pais. A permanência do monopólio antidemocrático dos meios de comunicação é a arma principal de que a direita dispõe e está disposta a usá-la até o fim, na sua derradeira encenação: o julgamento do “mensalão”.

Mas a história e a vida não se fazem com marketing. Nem mesmo mais vender os produtos da sua mídia mercantil eles conseguem. Lula os derrotou, demonstrando que se pode – e se deve – governar o país sem almoçar e jantar com os donos da mídia. Porque Lula não teve medo da mídia, condição –nas suas palavras – para que haja democracia no Brasil.

A primeira vez a encenação teve ares de tragédia – não consumada pela oposição. Esta segunda tem ares de farsa.

Eles passarão, nós passarinhos.

Blog do Emir Sader

terça-feira, 10 de julho de 2012

Governo boliviano processará a revista Veja

Por MiriamL
Uol
Bolívia processará revista Veja por reportagem sobre drogas
AFP
LA PAZ, 9 Jul 2012 (AFP) -O governo boliviano vai processar a revista Veja na justiça brasileira por sua última publicação sobre vínculos de autoridades da Bolívia com um narcotraficante, afirmou nesta segunda-feira o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana.
"Vamos recorrer às instâncias judiciais no Brasil por meio de nossa embaixada, e vamos pedir à Veja que prove que autoridades bolivianas estão envolvidas com o narcotráfico, com provas", afirmou Quintana em uma entrevista coletiva à imprensa no Palácio de Governo.
A revista brasileira indicou -baseada em supostos relatórios de inteligência da polícia boliviana, que não foram identificados- que o narcotraficante brasileiro Maximiliano Dorado Munhoz Filho se reuniu em 2010 na cidade boliviana de Santa Cruz (leste) com Quintana, quando este era diretor de uma agência fronteiriça. Leia mais »

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O golpismo e suas lições. Carta Capital e Veja: uma comparação simples mas bastante esclarecedora.


Roberto Amaral
CartaCapital

Qualquer analista da política sul-americana concordará que uma das características distintivas dos processos brasileiro e hispano-americano é, no caso de nossos vizinhos, sua rápida revolução, contrastando com o vagar das transformações históricas brasileiras.

Fomos a única monarquia americana, o último país a desfazer-se — e assim ainda muito mal — do escravismo. Aqui a República, fruto de um golpe de Estado, já nasceu decrépita, envilecida por uma oligarquia rural arcaica que a monopolizou por 40 anos, período em que jamais houve o encontro da democracia com a representação. A ‘revolução’ de 30, proposta para promover esse encontro, terminou como uma ditadura ) civil (15 anos) sustentada pelas armas.

Aqui, as ditaduras foram longevas e lentas, e os processos de redemocratização foram conquistados palmo a palmo. Agora mesmo, passados tantos anos do fim da queda da última ditadura, a discussão contemporânea é se podemos processar os agentes do terrorismo de Estado, enquanto nossos vizinhos já têm os seus na cadeia. Por enquanto só nos é dado (se tanto) conhecer a verdade negada à História, e pelo menos enterrar nossos mortos, chamados de ‘desaparecidos’, o neologismo aviltante grafado pela ditadura.

Se o processo brasileiro é mais lento, parece ser menos propício a sobressaltos, tendendo a uma evolução sem riscos de interrupções abruptas. Sem querer lembrar um passado que teima em ficar presente, nossa evolução se dá de forma gradual, lenta, mas firme. Nessa hipótese, o gradualismo, passando pela transação e pela conciliação, ainda que agravando as dores e excitando as ansiedades, ensejaria uma mais fecunda semeadura do processo democrático.

Talvez seja pueril minha leitura, mas suponho poder afirmar que, finalmente, construímos a mais forte estrutura político-institucional democrática da República, apesar do esforço sempiterno da grande imprensa no seu objetivo de desmoralizar a política, sem a qual, todavia, não há democracia de qualquer espécie. E ela mesma sabe disso, pois foi desmoralizando a política e seus agentes, os partidos e os políticos, que nossos jornalões abriram caminho para as rupturas constitucionais, desde as quarteladas do início do século ao golpe de 1964.

O fato objetivo de hoje é que estamos prestes a festejar 30 anos de vida democrática ininterrupta, e, se é possível arriscar predições, em condições de afirmar que o cenário que se descortina a olho nu é de tranquilidade institucional, e, seja-me permitido o otimismo, de avanço social. Nesses anos pós-ditadura militar, reconstruímos a ordem constitucional e vivenciamos com sucesso seis eleições presidenciais.

Realizamos a proeza de eleger duas vezes um operário presidente da República, e, para sucedê-lo, uma notável mulher que chega à política depois do batismo na luta contra a ditadura, cujos porões conheceu, na tortura infamante e na cadeia. Atrás desse operário e dessa presidenta havia e há, nas campanhas eleitorais e no governo, um amplo apoio de massas assentado em uma coalizão de partidos sob a hegemonia da centro-esquerda.

Essas considerações mais ou menos impressionistas me ocorrem como reflexão em face da crise paraguaia, quando um golpe-de-Estado-parlamentar interrompeu o mandato constitucional e legítimo do Presidente Fernando Lugo.

Em poucas horas a administração popular do presidente paraguaio foi demolida por uma razia parlamentar, sem que à truculência da classe dominante reacionária se opusesse a força das grandes massas assaltadas.

O fenômeno ao qual nos estamos referindo não se circunscreve ao nosso vizinho.

Os golpes antes intentados na Venezuela, no Equador e na Bolívia, onde até a secessão foi cogitada, são a resposta da direita sul-americana, feudal e anti-nacional, em face de governos conquistados na proa de históricos processos de emergência das massas, pela vez primeira, nesses países, dissociados das elites e de suas classes dominantes, comprometidas com o atraso no qual se cevam.

O golpe consumado em Honduras, ao final consolidado pela pusilanimidade estadunidense, parece ter sido apenas um laboratório do qual o Paraguai é um experimento. Outros golpes estarão nas mesas de ensaio?

A frustração daqueles golpes (Equador, Venezuela, Bolívia) nos impediu de ver a permanência de sua ameaça, pois a direita em nosso continente (lembremos sempre o já sabido) jamais esteve comprometida com a democracia.

Em comum nesses países, a pobreza da organização social, que não se expressa mediante organizações partidárias fortes e inseridas na vida política, donde a fragilidade das administrações populares, sem base de sustentação institucional, e sem condições de mobilização e resistência diante da ofensiva de seus adversários.

Não basta ao bom Príncipe ganhar o poder (no caso concreto, mais exatamente o governo), pois o desafio é conservá-lo.

Há, porém, uma severa distinção a destacar entre a política brasileira contemporânea e a de nossos vizinhos, e ela reside no fato de aqui a esquerda haver aprendido que, para governar, ela precisa de alianças para além de seu campo, de par com a conservação da capacidade de mobilização popular (relembro a resistência de Lula às tentativas de golpe de 2005). A solidão de Lugo em seu Parlamento sem aliados contrasta com o apoio partidário de que a presidenta Dilma Rousseff dispõe nas duas casas do Congresso brasileiro.
Será esta outra lição?

Leia mais em: O Esquerdopata
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No Paraguai, Veja está com Franco e não abre

“Presidente Federico Franco, é o entrevistado das páginas amarelas; diz que a deposição de Lugo foi constitucional e que os militares “foram fiéis à pátria” não se prestando à suposta tentativa de golpe arquitetada por Hugo Chávez; em editorial, a revista da Abril assumiu sua posição: é a favor do golpe
Federico Franco, presidente do Paraguai desde a deposição de Fernando Lugo, surge doce, cândido e com ar de bom moço na foto que ilustra a entrevista de páginas amarelas da revista Veja deste fim de semana. Nela, Franco nega que tenha havido golpe de Estado no Paraguai, muito embora tudo tenha sido decidido em menos de 48 horas, sem que seu antecessor, Fernando Lugo, tivesse tido a oportunidade de apresentar sua defesa. “Houve um processo de impeachment que está previsto na Constituição, com respeito absoluto à democracia e aos direitos humanos”, disse Franco ao repórter Hugo Marques, que foi enviado a Assunção.
Na entrevista, em que Franco não foi questionado sobre o rito sumário da deposição de Lugo, o presidente paraguaio se coloca como um amigo e aliado do Brasil, citando a parceria em Itaipu, os 500 mil brasiguaios que vivem do outro lado da fronteira e os laços de amizade histórica que aproxima os dois países. “Tenho esperança de que o Itamaraty, que sempre teve uma conduta retilínea e exemplar, possa reavaliar sua posição”, diz Franco, falando sobre a expulsão do Paraguai do Mercosul. “Tudo nos une. Nada nos separa”.
Golpe, na visão do presidente paraguaio, foi a suposta tentativa da Venezuela, de Hugo Chávez, de incitar uma resistência militar em favor de Fernando Lugo. “Os generais foram fiéis à pátria”, disse Franco, citando a suposta ingerência de Chávez em assuntos internos do Paraguai.”
A favor do golpe
Além de entrevista Franco, a revista Veja demarcou sua posição sobre a crise do Mercosul, num editorial assinado pelo diretor Eurípedes Alcântara. O texto, sob a foto dos presidentes dos países sul-americanos, foi intitulado “A aliança para o atraso”, numa clara referência à “Aliança para o progresso”, um programa que, entre 1961 e 1970 buscou aproximar os Estados Unidos da América do Sul – foi justamente neste período que se implantaram as sementes das ditaduras no continente.
No editorial, Veja fez troça da posição da diplomacia brasileira na crise paraguaia. “Um desses episódios foi a bizarra reação brasileira ao processo constitucional de impeachment que tirou da presidência do Paraguai o esquerdista Fernando Lugo. A diplomacia brasileira foi, para ficarmos com a hipótese mais benigna, mera espectadora da inaceitável tentativa do venezuelano Hugo Chávez de fomentar um golpe militar em Assunção e, assim, evitar a saída de Lugo do poder”, escreveu Eurípedes.
Veja assumiu seu lado: é a favor do golpe de Franco, a quem considera um democrata. E já que perguntar não ofende, como será que se comportaria se algo semelhante ocorresse no Brasil?”

sábado, 24 de março de 2012

A associação da mídia com o crime


Autor: 

Está na hora de se começar a investigar mais a fundo a associação da Veja com o crime organizado. Não é mais possível que as instituições neste país - Judiciário, Ministério Público - ignorem os fatos que ocorreram.
Está comprovado que a revista tinha parceria com Carlinhos Cachoeira e Demóstenes. É quase impossível que ignorasse o relacionamento entre ambos - Demóstenes e Cachoeira.
No entanto, valeu-se dos serviços de ambos para interferir em inquéritos policiais (Satiagraha), para consolidar quadrilhas nos Correios, para criar matérias falsas (grampo sem áudio).
Até que a Polícia Federal começasse a vazar peças do inquérito, incriminando Demóstenes, a posição da revista foi de defesa intransigente do senador (clique aqui), através dos mesmos blogueiros das quais se valeu para tentar derrubar a Satiagraha.
Aproveitando a falta de coragem do Judiciário, arvorou-se em criadora de reputações, em pauteira do que deve ser denunciado, em algoz dos seus inimigos, valendo-se dos métodos criminosos de aliados como Cachoeira. Paira acima do bem e do mal, um acinte às instituições democráticas do país, que curvam-se ao seu poder.
O esquema Veja-Cachoeira-Demóstenes foi um jogo criminoso, um atentado às instituições democráticas. Um criminoso - Cachoeira - bancava a eleição de um senador. A revista tratava de catapultá-lo como reserva moral, conferindo-lhe um poder político desproporcional, meramente abrindo espaço para matérias laudatórias sobre seu comportamento. E, juntos, montavam jogadas, armações jornalísticas de interesse de ambos: do criminoso, para alijar inimigos, da revista para impor seu poder e vender mais.
Para se proteger contra denúncias, a revista se escondeu atrás de um macartismo ignóbil, conforme denunciei em "O caso de Veja".
Manteve a defesa de Demóstenes até poucas semanas atrás, na esperança de que a Operação Monte Carlo não conseguisse alcança-lo (clique aqui). Apenas agora, quando é desvendada a associação criminosa entre Cachoeira e Demóstenes, é que resolve lançar seus antigos parceiros ao mar.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ascensão social: Nunca antes na historia deste País...

Microcrédito 

Talvez um dos fatos importantes a respeito da sociedade brasileira seja a afirmação de "identidade" de um enorme contingente populacional que gosta de imaginar-se como "classe média".

Isso, obviamente, não é acidente nem produto espontâneo. É consequência de um processo civilizatório recente em que as políticas sociais sujeitas a algumas condicionalidades foram mais bem focadas.

Paralelamente, houve uma "inclusão" desses cidadãos na economia de "mercado" devido ao forte aumento das oportunidades de emprego e ao acesso ao crédito.

Uma das características mais marcantes desses novos cidadãos é a "internalização" de que o fator mais importante para "subir na vida" é a conquista da educação para si e para seus filhos, ainda que lhes custe enormes sacrifícios.

Só não percebe essa ascensão social quem sofre de miopia. É tal ascensão que vai continuar a permitir a construção de um mercado interno capaz de garantir o mínimo de economicidade e "incluir" o Brasil, de forma adequada e relativamente segura, na globalização avassaladora que fragmentou o processo produtivo.

Esses fatos são visíveis na recente pesquisa feita pela Fondapol (Fondation pour l'Innovation Politique), em meados de 2011, com jovens de 25 países, em que se perguntou: 1º) Você acha seu futuro promissor ("prometteur")?; 2º) Você acha o futuro do seu país promissor?

À primeira pergunta 87% dos jovens brasileiros responderam afirmativamente, e à segunda, 72%. Isso contrasta com os EUA, onde à primeira pergunta 81% responderam afirmativamente, mas à segunda, apenas 37%. O curioso é que na China a coisa se inverte: 73% creem que têm futuro promissor, mas 82% creem no futuro promissor do seu país.

O governo decidiu estimular o Banco do Brasil -agora proprietário do Banco Postal- e a Caixa Econômica Federal -que controla as "lotéricas"- a expandirem cuidadosa e seguramente o microcrédito, com taxas de juros mais acessíveis e menor burocracia, o que deve aumentar a "inclusão" social.

É importante dizer que, para fazê-lo, não se cogita subsídio do Tesouro ou violação das garantias exigidas pelo Banco Central, mas, sim, redução da distância entre os bancos e o tomador de crédito, diminuindo o evidente constrangimento dos mais pobres de acessarem os bancos.

Isso vai ser feito aproveitando a "imagem" e a reputação secular do BB e da CEF -que, para os mais simples, significam segurança absoluta. A economia de escala deve tornar os seus "spreads" mais atrativos do que os dos bancos privados que só agora começam a "descobrir" os potenciais novos clientes e vão ter que disputá-los.

A direita não presta


Não é de hoje que a direita não gosta de presidente que governe beneficiando os pobres, de presidente comprometido com inclusão social.Sempre foi  e sempre assim será.



No livro João Goulart, Uma Biografia, tão bem comentado pelo deputado Emiliano José (PT-BA) na postagem anterior, o autor, logo na apresentação do livro, diz:A biografia de João Goulart permite ao historiador encontrar meios para compreender aspectos importantes da história contemporânea do país, tornando-se uma “janela” para visualizar o passado. Muitos dos problemas econômicos, políticos, sociais e culturais da atualidade, bem como os dilemas, as contradições, as práticas e as tradições de esquerdas no presente, podem ser compreendidos por esse passado político. Muitas respostas aos problemas atuais vividos pela sociedade brasileira, não tenho dúvida, podem ser encontradas na época de João Goulart”.

Pois é, todos os tipos de qualificações, de acusações, de mentiras, de organizações golpistas que houve na época de João Goulart, repetiu-se com a ascensão do PT, o maior partido de esquerda na América Latina, ao Poder. Só mudaram os personagens da história.
Vejamos:
Saiu Carlos Lacerda e entrou José Serra.
Saiu a UDN,  o PSDB e o DEM ficaram em seu lugar.
Hoje, para a felicidade da sociedade não idiotizada, não há mais o Correio da Manhã, a Tribuna da Imprensa, o jornal Diário de Notícias, mas, em compensação, há  Veja, IstoÉ, Época.
Saiu o Globo do velho Roberto Marinho e entrou O Globo dos filhos de Marinho.
Saiu O Estado de São Paulo, de Júlio Mesquita, um dos líderes do golpe de 1964 e entrou os filhos de Júlio Mesquita.
Saiu a Folha de S Paulo de Octávio Frias Filho e entrou a Folha de Otavinho.
Hoje não há mais o IBAD, o IPES, mas, infelizmente, existe, o Instituto Millenium, a CNBB, a UDR, a FIESP, Os Cansados.
Ontem, os golpistas acusavam João Goulart de ser aliado da URSS, de Cuba. Hoje, mais precisamente no governo Lula, os golpistas acusaram Lula de ser aliado da Venezuela, da Bolívia, das Farcs, de Kadaffi, de Mahmoud Ahmadinejad. Assim como acusam, atualmente, o governo de Dilma Rousseff.
Expressões como pelego, aparelhamento do Estado, política de conciliação, República Sindicalista, terroristas de esquerdas, populismo, apadrinhamento político, fisiologismo são as mesmas usadas atualmente. Assim como Goulart foi acusado disso tudo, Lula também foi e Dilma continua sendo.
Goulart foi acusado de ser o presidente mais corrupto da história do Brasil, Lula também foi. E a bem da verdade, nem um nem outro foi corrupto, corrupto de verdade foi o governo FHC.
Portanto, a direita mesquinha, corrupta, bandida, burguesa, golpista sempre vai agir assim.É  só um presidente de esquerda trabalhar em favor dos despossuídos, como dizia João Goulart, que a direita vai fazer de tudo para derrubá-lo.
Leia mais em: O Esquerdopata e no Terror do Nordeste
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Folha e os interesse pela instabilidade: é a aposta no "quanto pior, melhor"

Chamada no site da folha se São Paulo sobre greve na Bahia faz propaganda dos "interesses" dos bandidos. É a aposta no caos. Golpismo. A gente vê por aqui.