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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Polícia apreende arquivos e cofre em casa e empresa de ex-assessor de Serra/Kassab

A polícia fez nesta quinta-feira (14) uma operação de busca e apreensão na casa e nos escritórios de Hussain Aref Saab, que foi, por sete anos, o responsável da Prefeitura de São Paulo pela aprovação de empreendimentos imobiliários. Ele é acusado de receber propina para liberar imóveis irregulares na cidade, segundo revelou a Folha.
Na busca na residência e na empresa SB4 patrimonial, foram apreendidos arquivos digitais e um cofre, mas o conteúdo deles ainda não foi revelado. Para o advogado de Aref Saab, Augusto de Arruda Botelho, trata-se de ”uma busca midiática e despropositada", pois seu cliente está à disposição para depoimentos e entrega de qualquer documento.
 
Além da BGE, empresa do grupo Brookfield, outras empresas também estão sendo investigadas por pagamento de propina para liberação de imóveis, disse nesta quinta-feira (14) o promotor Sylvio Antonio Marques. Segundo ele, seis testemuhas, incluindo ex-funcionários da Brookfield, denunciaram o esquema ao Ministério Público nos últimos 15 dias. O promotor, no entanto, não quis revelar o nome das testemunhas nem o nome das empresas supostamente envolvidas no esquema.
 
O esquema começou a ser descoberto a partir de denúncias da Folha de S.Paulo no início de maio. O jornal revelou, no início de maio, que Hussain Aref Saab adquiriu mais de 106 imóveis nos poucos mais de sete anos em que esteve no cargo, durante as gestões de Gilberto Kassab (PSD) e José Serra (PSDB), e, desde então, Saab vem sendo alvo de denúncias.
Saab foi afastado no mês passado, após abertura de investigação da Corregedoria Geral do Município.
A mais recente, revelada nesta quinta pela Folha, foi feita pela ex-diretora financeira da BGE, empresa do grupo Brookfield, Daniela Gonzalez. Ela diz que a multinacional pagou, entre 2008 e 2010, R$ 1,6 milhão em propinas a Aref e ao vereador Aurélio Miguel (PR) para liberar obras irregulares nos shoppings Higienópolis e Paulista, em São Paulo.
 
Segundo Daniela, Aref recebeu suborno dos dois shoppings em vários momentos. Em um deles, no valor de R$ 133 mil, teria facilitado a liberação de obra no Higienópolis, apesar de o local não cumprir exigências legais.
 
Já Aurélio Miguel, segundo ela, intermediou na CET, onde tem influência política, as obras de ampliação do Pátio Paulista, mesmo sem o empreendimento ter cumprido exigências do órgão.
 
Aurélio Miguel e Aref negam as acusações. A Brookfield, em nota, diz que não compactua com atos ilícitos.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), afirmou na manhã desta quinta-feira que pediu que o secretário dos Transportes, Marcelo Cardinale Branco, apure a denúncia.
 
Mais cobranças de propina
 
Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (14), integrantes do Ministério Público informaram que pelo menos seis novas testemunhas procuraram o órgão nos últimos 15 dias para denunciar a cobrança de propina para liberação de imóveis pelo departamento coordenado por Hussain Aref Saab na Prefeitura de São Paulo.
 
Uma das testemunhas, ex-funcionária do departamento, mas cujo nome é mantido em sigilo, teria dito ao MP que de cada 30 pessoas que iam ao departamento, três reclamavam da exigência de propina.

Entenda o caso

Além da denúncia de compra de mais de 100 imóveis, o que seria incompatível com sua renda, pesam ainda outras suspeitas sobre Hussain Aref Saab.
Com renda mensal declarada de R$ 20 mil, entre rendimentos de aluguéis e salário bruto na prefeitura de R$ 9.400 (incluindo uma aposentadoria), Hussain Aref Saab, 67, acumulou, de 2005 até este ano, patrimônio superior a R$ 50 milhões. São pelo men­­­os 118 imóveis incluindo 24 vagas de garagem extras.
Outra suspeita é que Saab subfaturasse os imóveis. A Folha de S.Paulo revelou em maio que o então diretor comprou, em 2008, por R$ 242 mil, um apartamento que três anos antes havia sido comprado por R$ 1,2 milhão. O imóvel comprado por R$ 242 mil era do empresário David Carlos Antonio, que na época tinha um processo de anistia encalhado na prefeitura havia cinco anos. Quatro meses depois da negociação, o processo, parado desde 2003, passou a tramitar e, um ano depois, o alvará foi concedido pelo departamento chefiado por Aref.
 
Outra denúncia dá conta de que o ex-diretor também comprou imóveis subfaturados para ele e para seus filhos no governo Marta Suplicy (PT). Pelo menos três apartamentos foram comprados pela família abaixo do valor de mercado entre 2003 e 2004, período no qual Aref era diretor na Secretaria de Planejamento da gestão petista.
Em maio, também surgiram denúncias de que Saab pediria propina. O empresário Oscar Maroni, dono do Bahamas, disse que o ex-diretor pediu R$ 170 mil de propina para regularizar um hotel em Moema.Folha

domingo, 18 de março de 2012

Democracia interna? Pra quê??

Alckmin declara voto em Serra e mata prévias

Alckmin declara voto em Serra e mata prévias Foto: Divulgação

Governador estufa o peito para abrir seu voto; secretário José Aníbal já aceita composição com o ex-governador; apenas Ricardo Trípoli ainda parece acreditar em disputa legítima

17 de Março de 2012 às 17:55
247 – Desse jeito, para que prévias? Maior eleitor do PSDB em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin declarou neste sábado 17, em São José do Rio Pardo, que votará em José Serra para prefeito de São Paulo. “Como filiado do PSDB, militante e liderança do partido, meu voto vai ser para o José Serra", afirmou o governador.
A declaração já vai sendo interpretada como uma ducha gelada sobre as prévias do partido, marcadas para o dia 25 deste mês, após adiamentos em razão de determinações de Serra. Já saíram da disputa os pré-candidatos Andrea Matarazzo e Bruno Covas, mas o secretário de Energia, José Aníbal, e o deputado Ricardo Trípoli continuam em campanha. 247 apurou que Aníbal, depois de ter seu discurso de oposição a Serra censurado por Alckmin, está pronto para aderir a Serra. Ele realizou na semana passada uma reunião com mais de 50 integrantes de seu grupo político. A conclusão foi a de que é melhor tentar uma composição do que bater de frente. O problema é que Serra não parece interessado em um acordo.
Trípoli, por seu lado, sustenta o discurso de ter sido o pré-candidato que mais trabalhou pela realização das prévias. Ele não demonstra aceitar um recuo. A declaração de Alckmin pró-Serra, no entanto, pode deixa-lo sem discurso. Neste caso, em lugar de prévias o que pode ocorrer no PSDB é uma aclamação a Serra, o que manteria a unidade do partido. Caso as prévias ocorram, o receio é o de que, apesar de favorito para ganhá-las, Serra alcance um resultado em que transpareça a divisão entre os tucanos, sem alcançar maioria expressiva. O apoio declarado por Alckmin é mais um movimento para evitar que essa divisão transpareça.

Candidato a prefeito de SP, Serra faz campanha presidencial no Acre


Serra desembarca em jatinho no Acre.
De quem é o jatinho?
Da filha Verônica Serra? Do genro? Do Ricardo Sérgio de Oliveira? Do Gregório Preciado? Do Vladimir Rioli?
De uma empresa offshore no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas?
José Serra-2014 (PSDB/SP) subiu no salto alto e não se preocupa nem em disfarçar que usa sua candidatura a prefeito de São Paulo como mero degrau para candidatar-se a presidente em 2014.

Há oito dias das prévias do PSDB, em pleno sábado, o tucano esnoba os diretórios zonais do PSDB paulistanos que escolherão o candidato do partido no outro domingo (dia 25). Ele abandonou a paulicéia e voou para o Acre, em disputa de espaço nacional com seu adversário Aécio Neves.

A desculpa de Serra foi "agradecer os votos que obteve em 2010" (proporcionalmente, foi o estado em que ele foi mais votado). Ainda por cima, o tucano se mostra um político desastrado e oportunista: só "lembrou" de agradecer com um ano e meio de atraso, na hora em que a conveniência política manda.

Receoso de derrota, Alckmin declara voto em Serra nas prévias

O fato de Serra ser considerado como um "remédio amargo a ser engolido" para o PSDB ter chances, e a falta de apetite dele pela prefeitura, preocupa o governador Alckmin (PSDB), receoso de uma surpresa nas prévias.

Para conter os adversários de Serra, Alckmin declarou publicamente seu apoio:

"O governo do Estado não tem candidato, deve servir a todos, suprapartidariamente. Mas, como filiado, militante e liderança do PSDB, vou votar no José Serra", disse Alckmin em uma inauguração oficial do governo paulista no interior.

Só lembrando: o Ministério Público Eleitoral não vai multar Alckmin por campanha antecipada e, ainda por cima, durante uma inauguração oficial?

domingo, 11 de março de 2012

Eduardo Campos não quer PSB aliado de Serra


Por Adamastor
Do Uol
PSB não se aliará a Serra, diz Eduardo Campos 
Josias de Souza
Governador de Pernambuco e presidente do PSB federal, Eduardo Campos decidiu não permitir que o diretório paulistano do seu partido se alie ao tucano José Serra, hoje o principal antagonista do petista Fernando Haddad, candidato de Lula.
Eduardo alega que a campanha de São Paulo ganhou contornos nacionais. E afirma que seria um “despropósito político” ceder o tempo de tevê do PSB para que Serra ataque o governo Dilma Rousseff e, sobretudo, seu amigo Lula.
A deliberação já foi comunicada ao prefeito Gilberto Kassab, principal aliado de Serra e parceiro político de Eduardo. Não será formalizada, porém, antes de junho, prazo limite para realização das convenções municipais.
Tenta-se ganhar tempo para dissolver um impasse. Eduardo pende para o apoio a Haddad. Menos pelo candidato, mais por Lula. E o PSB-SP, hoje majoritariamente pró-Serra, gostaria pelo menos de construir uma alternativa “neutra”.
Busca-se uma opção que permita à legenda fugir da polarização PT versus PSDB. Como? Constituindo na capital paulista um bloco de três partidos: PDT, PCdoB e PSB. Aproxima-os a aversão ao PT. Distancia-os o excesso de nomes.
O PDT já desfila a candidatura do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical. O PCdoB corre em raia própria com o vereador-pagodeiro Netinho de Paula e negocia com Gabriel Chalita, do PMDB.
Agora, o PSB leva à mesa o seu nome: a deputada federal e ex-prefeita Luíza Erundina. O dilema está em obter um consenso capaz de unificar as três forças em torno de um único nome.
De concreto, por ora, apenas uma certeza: com Serra, o PSB não vai fechar. Mandachuva do diretório nacional do partido, Eduardo decidiu evitar. Tenta fazê-lo com maciez. Seus correligionários de São Paulo dispõem de três meses para tentar tirá-lo da canoa de Haddad.

Estado de saúde de Lula é ótimo, diz médico

Amauri Nehn/Brazil Photo Press/AE
Segundo Kalil em algumas semana, o ex-presidente irá voltar a rotina de trabalho
R7

O médico Roberto Kalil Filho disse na tarde deste domingo (11) que o estado de saúde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é ótimo e que dentro de semanas ele poderá retomar sua rotina normal de trabalho. O médico do ex-presidente ainda informou que o ex-presidente vai continuar o tratamento com antibióticos, para o combate à pneumonia que teve, por mais uma semana.
O ex-presidente Lula deixou o hospital sem falar com os jornalistas. Porém, seu médico contou que concedeu entrevista aos jornalistas a pedido de seu paciente.
De acordo com o médico, Lula retornará ao hospital até o final do mês para fazer novos exames que irão detectar se o tratamento de combate a um câncer na laringe poderá ser encerrado.
Como os tratamentos de quimioterapia e radioterapia já terminaram, a aparência de Lula melhorou e ele está se alimentando sem restrições. Além disso, segundo Kalil, a voz do ex-presidente também já está bem melhor.
Leia mais em: O Esquerdopata
Under Creative Commons License: Attribution

quinta-feira, 1 de março de 2012

'Economist': Pré-candidatura de Serra mostra 'falha' do PSDB em renovar líderes

Economist: candidatura de Serra é derrota do PSDB

Da BBC
José Serra, em foto de arquivo de dezembro de 2011 (Ag. Brasil)
Serra disse na última segunda que disputará prévias da Prefeitura de São Paulo
A pré-candidatura "tardia" de José Serra à Prefeitura de São Paulo mostrou "o fracasso do PSDB" em formar uma nova geração de candidatos, opina a revista britânica The Economist em sua edição mais recente.
Serra anunciou, na última segunda-feira, sua intenção em participar das prévias do PSDB para disputar a prefeitura. O tucano foi prefeito de São Paulo entre 2005 e 2006, quando deixou o cargo para concorrer a governador do Estado, eleição que ele venceu.
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Agora, seu principal adversário, caso seja aclamado candidato do PSDB, deve ser o ex-ministro da Educação, o petista Fernando Haddad.
"Serra deixou (a prefeitura em 2006) apenas 15 meses depois (da posse), apesar de ter prometido durante a campanha que serviria o mandato completo. Esse é seu principal passivo", diz a reportagem da Economist. "Os eleitores suspeitam que ele ainda alimenta ambições presidenciais e que pode abandonar seu mandato de prefeito."
Mas a revista aponta que uma derrota em São Paulo seria fortemente sentida pelo PSDB - "e o retorno de Serra faz com que isso seja menos provável".

Candidatura presidencial

A Economist diz ainda que pode ser uma "boa ideia" para o partido oposicionista se unir em torno de uma única candidatura nas próximas eleições presidenciais, mesmo que seja muito difícil, na opinião da revista, derrotar a presidente Dilma Rousseff.
"Serra obteve a nomeação de seu partido para concorrer à Presidência em 2010 por força de vontade e porque ninguém conseguiu pensar em uma forma de detê-lo", diz o texto.
"A maioria dos ativistas do partido achava que era hora de apresentar (a candidatura) de uma cara nova, e a derrota (de Serra para Dilma) sugere que eles estavam certos. A entrada tardia na corrida à Prefeitura pode fazer com que eles (os ativistas contra a candidatura de Serra) levem a melhor na próxima (eleição presidencial)."
"Mas isso também evidencia o fracasso do PSDB em formar uma nova geração de líderes", conclui a revista.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

São Paulo para todos

(texto publicado na Carta Maior

O significado da eleição em São Paulo

O campo político brasileiro está constituído e polarizado entre o PT e o PSDB, desde o governo FHC, como pólos que agrupam a esquerda e a direita realmente existentes. Essa configuração foi a segunda, desde o fim da ditadura, quando havia um mapa mais difuso, com o PMDB ocupando o centro do campo político, com sua aliança com o PFL, que havia comandado a transição conservadora que tivemos, tendo o PDS mais à direita e o PT, o PDT, o PC do B, mais à esquerda.

Essa configuração foi sobre determinada pelo governo Sarney, surgido da aliança PMDB-PFL, passando pelo Colégio Eleitoral – que trocou Ulysses Guimarães por Tancredo Neves – e pela contingência da morte deste. Esse campo político foi sendo esvaziado pela impotência do PMDB e seu desgaste por pagar o preço de um governo em que não era hegemônico.
O novo campo político passou por uma transição, marcada pela chegada da onda neoliberal através da candidatura e do governo Collor. Ao final desse projeto, prematuramente cortado pelo impeachment, se desenhou a configuração atual do campo político, com o deslocamento do PMDB e a assunção da aliança PSDB-PFL como novo eixo da direita, assumindo a continuidade reformulada do projeto neoliberal. Desde a passagem ao segundo turno do Lula e a disputa acirrada com o Collor em 1989, o PT passou a polarizar pela esquerda o campo político.

Neoliberalismo e resistência ao neoliberalismo marcaram ideologicamente o novo campo político – e o definem até hoje. Ao encarnar o neoliberalismo aqui – depois que estava prestes a embarcar no governo Collor, quando do seu impeachment -, o PSDB assumiu o lugar de eixo político da direita brasileira, renovada, com o governo FHC e sua aliança com o então PFL. Como se viu pelas campanhas eleitorais posteriores, essa pecha nunca mais saiu dele – com as privatizações como sua marca essencial, mas acompanhada do Estado mínimo, da abertura acelerada do mercado interno, da precarização das relações de trabalho.

O PT, aliado à CUT, ao MST e ao conjunto dos partidos do campo da esquerda e aos movimentos sociais, esteve na resistência ao neoliberalismo, conseguindo frear a privatização já programada pelos tucanos da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica.

O triunfo do Lula fez com que seu governo aparecesse como o contraponto do modelo neoliberal encarnado pelos tucanos: prioridade das políticas sociais, fim da ALCA e prioridade da integração regional e dos intercâmbios Sul-Sul, Estado indutor do crescimento econômico e garantia das políticas sociais e não Estado mínimo que entregava a centralidade ao mercado.

Os PSDB se refugiou em São Paulo onde conseguiu manter sua hegemonia, controlando o governo do Estado e da cidade de São Paulo, por um conjunto de fatores, entre os quais não estão isentos erros do PT e da esquerda. O Estado foi guindado à posição de bastião da direita e do conservadorismo em escala nacional, pela associação com órgãos de imprensa – FSP, Estado, Editora Abril, Radio Jovem Pan, entre outros. Em mais de duas décadas, as únicas exceções foram os governos de Luiza Erundina e de Marta Suplicy, que não conseguiram reeleger-se.

A nova derrota tucana para a presidência da República não impediu que Alckmin se elegesse no primeiro turno para o governo do Estado. Porém a manobra serrista da aliança do Kassab contra Alckmin nas eleições anteriores para a prefeitura, terminaram trazendo problemas para as hostes tucanas, pelo mau governo do Kassab e pela ausência de nomes para disputar sua sucessão.

Depois da farsa da consulta interna – em um universo de filiados que foi se revelando totalmente fictício, até chegar ao numero irrisório de 8 mil, sem a certeza de quantos votariam –, os tucanos apelaram para o Serra como candidato (não importando como vão resolver a farsa da consulta interna). O que recoloca fortemente a polarização nacional no coração do núcleo de resistência tucana, agora com Lula diretamente envolvido – pelo candidato escolhido por ele e pela sua participação sem os limites da presidência da República.

O significado desse embate eleitoral é o de trazer para a cidade os grandes debates nacionais. A cidade e o Estado foram transformados profundamente conforme os critérios mercantis do neoliberalismo pelos governos tucanos. A esfera pública e, com ela, os direitos sociais, foram enfraquecida, em favor da esfera mercantil. O Estado e a cidade mais ricos do país – o segundo e o terceiro orçamentos do Brasil – não são, nem de longe, referência para o país em nenhum dos quesitos essenciais – condições de trabalho, educação, saúde, transporte, segurança, políticas culturais, habitação, políticas para a juventude, pra as mulheres, para as diversidades étnica, sexuais e culturais, para a democratização dos meios de comunicação.

Ao contrário, a cidade de São Paulo, com toda a riqueza não apenas econômica, mas social, cultural, tornou-se uma cidade cruel, pelas condições péssimas em que vive a maioria da população. As elites paulistanas, que lograram impor seus interesses através dos tucanos e da mídia, oprimem, exploram e discriminam a grande maioria da população, que não encontrou até aqui formas eficientes no plano político para reverter essa situação.

A cidade de São Paulo tornou-se o epicentro do racismo e da discriminação no país, contra os pobres, contra os nordestinos, contra os homosexuais, contra os jovens pobres, contra todos os oprimidos, os humilhados, os marginalizados. Mais do que qualquer cidade do país São Paulo precisa de um governo que priorize as políticas sociais e culturais, que a humanize, que difunda os sentimentos e as políticas de solidariedade. Que troque o atual sentimento de exclusão que prioriza as políticas tucanas pela ideia de que precisamos de uma SÃO PAULO PARA TODOS.Emir Sader.



 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Serra e a eleição para a prefeitura de São Paulo. Será??

Serra e as prévias do PSDB

Por Nilson
Na Folha.com
PSDB articula manobra para incluir Serra na disputa em SP
DO VALOR
O PSDB de São Paulo quer dar mais duas semanas para o ex-governador José Serra decidir se vai disputar a Prefeitura de São Paulo. Para isso, o comando municipal articula mudança nas regras das prévias partidárias para garantir a eventual entrada de Serra na campanha eleitoral.
Os diretórios municipal, estadual e nacional se reunirão depois do Carnaval para definir se haverá mudança na data de inscrição para as prévias, ampliando o prazo para até a véspera da consulta aos filiados, marcada para 4 de março.
De acordo com uma resolução deste ano do diretório municipal, o prazo para inscrição das prévias terminou ontem, 20 dias antes da consulta aos filiados.
Os secretários estaduais Bruno Covas, Andrea Matarazzo, José Anibal e o deputado federal Ricardo Tripoli se inscreveram, mas Serra não.
_______________
MAS...........
 

Militância do PSDB quer barrar Serra

Por KURK
Da Folha.com

Militantes do PSDB convocam ato contra 'golpe das prévias'

DANIELA LIMA
DE SÃO PAULO
Simpatizantes dos quatro pré-candidatos do PSDB à Prefeitura de São Paulo divulgaram na manhã desta quinta-feira (16) uma convocação para um "ato contra o golpe das prévias".
O texto é uma reação às notícias de que a cúpula do partido estuda uma fórmula de desarmar o processo interno caso o ex-governador José Serra decida entrar na disputa municipal.
Enviado por e-mail aos militantes tucanos, o texto pede que todos se reúnam hoje, no diretório estadual do partido, às 19h, para protestar contra o fim das prévias.
 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mídia tenta criar polarização eleitoral "na marra" em SP

Em meio às incertezas que ainda permeiam a disputa eleitoral na capital de São Paulo, um tendência já se demonstra bastante sólida: o empenho, nada disfarçado, por parte da grande mídia em ocultar candidaturas e favorecer à manutenção da polarização política na cidade.


Todas as últimas pesquisas têm demonstrado que o eleitor reconhece o surgimento de novas lideranças e não está disposto a ser levado de roldão a escolher, necessariamente, entre os nomes de PT, PSDB ou o indicado pelo prefeito, do PSD.

É lícito dizer que estas são as três principais forças políticas da disputa - pois estão à frente, respectivamente, dos executivos nacional, estadual e municipal. Não é legítimo, no entanto, falsear a conjuntura de maneira a restringir a cobertura pré-eleitoral a estas alternativas. Mas é o que tem acontecido, basicamente, até agora.

Vejamos. Os pré-candidatos dessas legendas não figuram entre os primeiros colocados em nenhuma sondagem feita até aqui - à exceção de quando José Serra é o nome tucano, algo que já foi por ele rechaçado um sem número de vezes.

Ao contrário, em todas as pesquisas - inclusive nas quais Serra aparece -, uma diversa gama de pré-candidatos alcança posições de destaque, todos de outros partidos.

Resultado das pesquisas não se reflete na cobertura

Celso Russomano lidera no último Datafolha de 2011 e neste primeiro de 2012, em diversos cenários. Vale lembrar que este trocou de partido (anteriormente era do PP) justamente porque lhe foi assegurada a possibilidade de candidatura no PRB. No entanto, Russomano tem sido escanteado na cobertura pré-eleitoral e sequer teve seu nome incluído no último IBOPE.

Netinho de Paula, pré-candidato pelo PCdoB, muito embora alcance patamares muito expressivos (entre 13% e 15%) e esteja sempre nas primeiras colocações em todas as pesquisas, tem espaço bastante restrito nas matérias que tratam dos cenários para a sucessão na capital. E trata-se de figura pública conhecida por mais 90% do eleitorado e que vem de uma recente candidatura ao Senado que lhe rendeu mais de 7 milhões de votos, sendo quase 2 milhões na cidade de São Paulo.

O mesmo tem ocorrido com Soninha Francine e Paulo Pereira da Silva, que se apresentam por PPS e PDT, respectivamente. Gabriel Chalita ainda aparece de quando em vez, sempre vinculado ao cobiçado tempo de TV de seu partido, o PMDB.

Fato é que o resultado das pesquisas não tem se refletido na cobertura. Logo, a média da opinião popular tem sido desrespeitada de maneira flagrante, uma vez que a escolha de mais da metade do eleitorado não encontra eco nos meios de comunicação - a soma dos resultados de Russomano, Netinho, Soninha e Paulinho, em todas as últimas sondagens, ultrapassa 50%.

Cenário com múltiplas possibilidades

Obviamente, muita coisa ainda pode acontecer até o início da campanha. Alianças podem ser costuradas e definições importantes ainda precisam acontecer, a exemplo da indicação do candidato do PSDB e o posicionamento final do prefeito Gilberto Kassab, por ora ensaiando aproximação com o PT.

No entanto, já existem dados concretos que diferenciam esta das eleições anteriores e abrem margem para que outros partidos, legitimamente, apresentem seus quadros para a disputa. A ausência de personagens políticos fortes e com desempenho eleitoral já testado - como Marta Suplicy, Paulo Maluf e, até o momento, José serra - possibilita a disputa de grande número de eleitores.

Portanto, ao contrário do que pretendem os advogados da polarização, o cenário está aberto e com múltiplas possibilidades de desfecho.

Por que não debater novos atores e ideias?


A pergunta que fica para quem observa os meses anteriores à definição dos times que entrarão em campo é: por que desconhecer a existência de novos agentes políticos e novas ideias para enfrentar os desafios da cidade?

O razoável seria fazer o caminho inverso - ou seja, explorar a conjuntura para debater alternativas - e não ignorar postulações legítimas e respaldadas, até o momento, pelas intenções de voto aferidas.

O PCdoB de São Paulo considera um ganho para a cidade este quadro de múltiplas possibilidades e o surgimento de lideranças com energias renovadas para enfrentar os dilemas paulistanos. Com a candidatura Netinho de Paula, o partido segue firme em seu propósito de contribuir para a construção de uma São Paulo mais justa e desenvolvida.

Espera-se que todas as candidaturas, daqui por diante, tenham espaço para se posicionar e debater democraticamente suas posições.

Da Sucursal de São Paulo -  Vermelho Notícias