quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Santayana: Dispensamos os avisos prepotentes da sra. Sánchez

publicado em 25 de fevereiro de 2013 às 16:25

Cuba, seu povo, seus sonhos
por Mauro Santayana, em seu blog
Podemos discordar do regime político de Cuba, que se mantém sob o domínio de um partido único. Mas é preciso seguir o conselho de Spinoza: não lisonjear, não detestar, mas entender. Entender, ou procurar entender. A história de Cuba – como, de resto, de quase todo o arquipélago do Caribe e a América Latina – tem sido a de saqueio dos bens naturais e do trabalho dos nativos, em benefício dos colonizadores europeus, substituídos depois pelos anglo-saxões.
E, nessa crônica, destaca-se a resistência e a luta pela soberania de seu povo não só contra os dominadores estrangeiros, mas, também, contra seus vassalos internos.
Já se tornou lugar comum lembrar que, sob os governos títeres, Havana se tornara o maior e mais procurado bordel americano. A legislação, feita a propósito, era mais leniente, não só com o lenocínio, e também com o jogo, e os mais audazes gangsters de Chicago e de Nova Iorque tinham ali os seus negócios e seus retiros de lazer. E mais: as mestiças cubanas, com sua beleza e natural sensualidade, eram a atração irresistível para os entediados homens de negócios dos Estados Unidos.
A Revolução Cubana foi, em sua origem, o que os marxistas identificam como movimento pequeno burguês. Fidel e seus companheiros, no assalto ao Quartel Moncada – em 1953, já há quase 60 anos – pretendiam apenas derrocar o governo ditatorial de Fulgêncio Batista, que mantinha o país sob cruel regime policial, torturava os prisioneiros e submetia a imprensa à censura férrea. A corrupção grassava no Estado, dos contínuos aos ministros. O enriquecimento de Batista, de seus familiares e amigos, era do conhecimento da classe média, que deu apoio à tentativa insurrecional de Fidel, derrotada então, para converter-se em vitoria menos de 6 anos depois. Os ricos eram todos associados à exploração, direta ou indireta, da prostituição, disfarçada no turismo, e do trabalho brutal dos trabalhadores na indústria açucareira.
Foi a arrogância americana, na defesa de suas empresas petrolíferas, que se negaram a aceitar as novas regras, que empurrou o advogado Fidel Castro e seus companheiros, nos dois primeiros anos da vitória do movimento, ao ensaio de socialismo. A partir de então, só restava à Ilha encampar as refinarias e aliar-se à União Soviética.
Os americanos, sob o festejado Kennedy – que o reexame da História não deixa tão honrado assim – insistiram nos erros. A tentativa de invasão de Cuba, pela Baía dos Porcos, com o fiasco conhecido, tornou a Ilha ainda mais dependente de Moscou, que se aproveitou do episódio para livrar-se de uma bateria americana de foguetes com cargas atômicas instalada na Turquia, ao colocar seus mísseis a 100 milhas da Flórida, no território cubano.
A solução do conflito, que chegou a assustar o mundo com uma guerra atômica, foi negociada pelo hábil Mikoyan. Kruschev retirou os mísseis de Cuba e os Estados Unidos desmantelaram sua bateria turca, ao mesmo tempo em que assumiram o compromisso de não invadir Cuba – mas mantiveram o bloqueio econômico e político contra Havana.
Enfim, ganharam Moscou e Washington, com a proteção recíproca de seus espaços soberanos – e Cuba pagou a fatura com o embargo.
O malogro do socialismo cubano nasceu desse imbróglio de origem. Tal como ocorrera com a Rússia Imperial e com a China, em movimentos contemporâneos, o marxismo serviu como doutrina de empréstimo a uma revolução nacional. O nacionalismo esteve no âmago dos revolucionários cubanos, tal como estivera entre os social-democratas russos, chefiados por Lenine e os companheiros de Mao.
Os cubanos iniciaram reformas econômicas recentes, premidos, entre outras razões, pelo fim do sistema socialista. Ao mesmo tempo tomaram medidas liberalizantes, permitindo as viagens ao exterior de quem cumprir as normas habituais. É assim que visita o país a dissidente Yoani Sánchez (que mantém seu blog na internet de oposição ao governo cubano).
Ocorre que ela não é tão perseguida em Havana como proclama e proclamam seus admiradores. Tanto assim é que, em momento delicado para a Ilha, quando só pessoas de confiança do regime viajavam para o Exterior, ela viveu 2 anos na Suíça, e voltou tranquilamente para Havana.
É sabido que ela mantém encontros habituais com o escritório que representa os interesses norte-americanos em Cuba, como revelou o WikiLeaks.
Há mais. Ela proclama uma audiência que não tem, como assegura o sistema de registro mais confiável, o da Alexa.com. (citado por Altamiro Borges em seu site) em que ela se encontra no 99.944º lugar na audiência mundial, enquanto o modesto jornal O Povo, de Fortaleza, se encontra na 14.043ª posição, ou seja, dispõe de sete vezes mais seguidores do que Yoani.
Ela ainda afirma que tem 10 milhões de acessos por mês, o que contraria a lógica de sua posição no ranking citado. O site de maior tráfego nos Estados Unidos é o do New York Times, com 17 milhões de acessos mensais.
Apesar de tudo isso, deixemos essa senhora defender o seu negócio na internet. É seu direito dizer o que quiser, mas não podemos tolerar que exija do Brasil defender os direitos humanos, tal como ela os vê, em Cuba ou alhures.
Um dos princípios históricos do Brasil é o da não interferência nos assuntos internos dos outros países. O problema de Cuba é dos cubanos, que irão resolvê-lo no dia em que não estiverem mais obrigados a se defender da intervenção dos estrangeiros, que vêm sofrendo desde que os espanhóis, ainda no século 16, ali se instalaram. Foram substituídos pelos Estados Unidos, depois da guerra vitoriosa de Washington contra o frágil governo da Regente Maria Cristina da Espanha. Enfim, o generoso povo cubano, tão parecido ao nosso, não teve, ainda, a oportunidade de realizar o seu próprio destino, sem as pressões dos colonizadores e seus sucessores.
Dispensamos os conselhos da Sra. Sánchez. Aqui tratamos, prioritariamente, dos direitos humanos dos brasileiros, que são os de viver em paz, em paz educar-se, e em paz trabalhar, e esses são os direitos de todos os povos do mundo. Ela, não sendo cidadã de nosso país, não deve, nem pode, exigir nada de nosso governo ou de nosso povo. Dispensamos seus avisos mal-educados e prepotentes, e esperamos que seja festejada pela direita de todos os países que visitará, à custa de seus patrocinadores (como o Instituto Millenium), iludidos pelo seu falso prestígio entre os cubanos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Uma leitura com lupa da penúltima Veja

Por Aldo Cardoso

Nassif,

Lhe envio o que considero ser uma leitura com lupa da penúltima VEJA:

Do blog da revista Espaço Acadêmico

“Veja” contra os infiéis

ELOÉSIO PAULO*
Freud pode ter cometido muitos erros, mas seus grandes acertos vão garantir-lhe sempre um lugar de grande pensador. Um desses acertos é a postulação de que os atos falhos revelam verdades que talvez preferíssemos manter ocultas. A revista “Veja”, expoente maior do PIG (Partido da Imprensa Golpista), cometeu um desses lapsos na sua matéria de capa intitulada “As soluções instantâneas capazes de fazer o Brasil virar um foguete”.
A reportagem é dividida em 11 temas que vão da economia à educação, da previdência social às obras de infraestrutura. Cada um deles é dividido em quatro tópicos: “Que problema resolveria”, “Efeito positivo imediato”, “Quem é contra” e “Como convencer os incrédulos”. Pronto, aqui está o ato falho: quem discordar da revista e de seus ilustres entrevistados é “incrédulo”, não uma pessoa que pense criticamente, pois as “soluções radicais e eficientes” que eles propõem seriam baseadas em “estudos independentes, abrangentes, irrefutáveis (…) que podem ser encomendados ao Banco Mundial”. É o que diz Edmar Bacha, que tem o inegável mérito de ter sido um dos formuladores do Plano Real, mérito que, no entanto, está longe de transformar sua fala em revelação da Palavra do Senhor.
Evidentemente os que não crerem que o Banco Mundial é independente e irrefutável fazem parte dos infiéis a serem convertidos. E nem é necessário dizer que os entrevistados formam um coro muito afinado entoando a velha melodia liberal, aquela mesma que, abençoada pelo Banco Mundial, recentemente levou à quebra da Europa e à crise norte-americana, com a qual Obama imprimiu 600 bilhões de dólares pressas, pressionando para baixo, no mundo inteiro, o valor da moeda mais sem lastro que já existiu em qualquer galáxia. É que desde Nixon, sabem?, o lastro do dólar é unicamente militar, o que acaba dando alguma razão às atitudes de ditadores paranóicos como Castro e Chávez.
Ouvindo a voz divina no monte Sinai, a “Veja” produziu um quase-decálogo. Talvez para evitar essa comparação, os tópicos da matéria são 11. Sim, porque nem tudo é ato falho na revista: não chamemos assim a foto de Aécio Neves na página 36, maior que a da presidente Dilma, esta com o rosto acabrunhado e cara de piedade, enquanto o pré-candidato do PSDB é retratado sorridente, de modo a transmitir confiança e larga visão do futuro. A velha lição de Goebbels… Falamos da mesma revista que, nos idos de 1988, publicou na capa o então candidato Collor carregado em triunfo por populares alagoanos, com o título de “O caçador de marajás”, e há poucos anos, também na capa, caracterizou João Pedro Stédile, do MST, como o Diabo.
A desfaçatez de “Veja” é particularmente escandalosa nas soluções infalíveis dadas para a educação. Uma senhora chamada Maria Helena Guimarães Castro, que ostenta o glorioso título de ex-secretária da Educação de São Paulo – e, como se sabe, a educação pública paulista tornou-se uma verdadeira maravilha em sua gestão –, propõe concentrar o poder nas mãos dos diretores de escolas, que seriam diretamente responsabilizáveis por resultados negativos do aprendizado. Nenhuma palavra sobre a qualificação dos professores. Sobretudo, nenhuma palavra sobre salários decentes, apesar de todos saberem que na Finlândia e no Canadá, países sempre citados como exemplo de educação eficiente, a carreira de professor ser uma das mais disputadas, e evidentemente não por aqueles lugares terem sido abençoados com um número maior de jovens vocacionados ao martírio: professores, lá, ganham bem, são respeitados pela sociedade e têm uma carreira na qual é possível crescer como profissionais e como seres humanos.
É claro que figuram na reportagem propostas boas, como a dos “castigos” para políticos, que se tornariam inelegíveis se determinadas metas econômicas e sociais não fossem cumpridas. Mas “Veja” se esquece de que, na democracia brasileira, nenhuma solução “radical e eficiente” é possível sem passar pelo Congresso, que costuma não ser nada radical (felizmente) e nem um pouco (ó, lástima!) eficiente. Talvez a revista tenha saudade da ditadura, por sinal apontada por Raul Velloso, mais um economista, como a idade de ouro dos investimentos no setor de transportes: naquele tempo era possível fazer as coisas de uma canetada, e exatamente por isso a rodovia Transamazônica, até hoje sem asfalto, é um ótimo exemplo de eficiência administrativa. Além disso, todos sabem que na ditadura não havia roubalheira, não é mesmo?
O brilhante democrata Armínio Fraga, tão importante na história política do Brasil, propõe a solução mais criativa: as mães poderiam votar, nas eleições, tantas vezes quantos filhos menores de 16 anos tivessem. O argumento é que só as mulheres teriam uma visão de futuro, dada a sua responsabilidade pela felicidade dos filhos. No mundo de Armínio não existem, supostamente, mães que jogam filhos recém-nascidos no bueiro, nem pais que dedicam a vida à felicidade das crianças que puseram no mundo. Esse é o mundo da economia fundamentalista; nele tudo é muito claro e previsível. É pena que a realidade seja tão diferente, e que mais uma vez, para fazer vingar a regra tão visionária imaginada pelo ex-presidente no Banco Central, fosse necessário aprovar uma lei no Congresso Nacional, onde o consenso é tão difícil e onde as barganhas passam necessariamente por ilustres políticos muito queridos de “Veja”.
Enfim, a revista nos dá um exemplo magnífico do jornalismo tal como se pratica hoje no Brasil. Manda às favas qualquer pretensão de imparcialidade, assume-se como partido político informal, demonstra abertamente que a comunicação de massa é um negócio e nada mais. Seria, por sinal, bem instrutivo verificar quantas das cabeças coroadas, entre as que opinam na matéria em questão, têm ou tiveram alguma ligação com o governo Fernando Henrique ou outras administrações do PSDB. De cabeça é possível citar quatro: Gustavo Franco (cuja gestão no Banco Central foi um desastre) e os citados Bacha, Armínio Fraga e senhora Guimarães Castro.
É um belo serviço esse que “Veja” presta à sociedade brasileira. Na maioria impraticáveis numa democracia, as sugestões apontadas, e especialmente o método usado para coligi-las, evidenciam o quanto o jornalismo está longe de ser o que as pessoas comuns imaginam. Apesar da urticária que a revista semanal dos Civita tem ao PT, em momentos assim ela se ombreia com o partido de Lula, o qual talvez tenha sepultado para sempre, no Brasil, a infeliz ideia de que um partido pode ser uma congregação monolítica de pessoas honestas e bem-intencionadas, capaz, por isso mesmo, de deter o monopólio da Verdade.
P.S.: Numa incrível demonstração de sua parcialidade, a Veja estampou em sua próxima edição, de 16/01, nada menos que dez cartas sobre as soluções mágicas. Nove delas elogiando e concordando, uma apenas – e muito timidamente – discordando da reportagem.

* ELOÉSIO PAULO é professor da Universidade Federal de Alfenas (MG) e autor do livro Os 10 pecados de Paulo Coelho (Editora Horizonte)

Anonymous fará 'Operação Abaixo Rede Globo' dia 23


Adalberto Ribeiro
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Do blog Os Amigos do presidente Lula

Anonymous fará 'Operação Abaixo Rede Globo' dia 23 Reproduzimos a nota do coletivo ciberativista Anonymous, chamando para um "esculacho" na Rede Globo, no dia 23/02: 


Procure o evento da sua cidade confirme sua participação:https://www.facebook.com/events/177275789063187Informações sobre a Rede Globo
http://www.anonymousbrasil.com/?p=5038Recomendamos assistir os vídeos:https://www.youtube.com/watch?v=O7ENcMpcz1o
http://www.youtube.com/watch?v=R8p4eW1gGKI
http://www.youtube.com/watch?v=5iQXqUdTYIo
http://www.youtube.com/watch?v=VrpurEkmJkU
http://www.youtube.com/watch?v=ObW0kYAXh-8
http://www.youtube.com/watch?v=NrBZyKYebJc
http://www.youtube.com/watch?v=049U7TjOjSA
http://www.youtube.com/watch?v=GwHrQBIoFIgO golpe do roberto marinho pra desvalorizar as ações da nec e ganhar assim R$30 milhões
http://www.youtube.com/watch?v=rmKDR-LftG4Rede Globo expulsa no protesto dos Bombeiros RJ
http://www.youtube.com/watch?v=zpTChGDVHW8O MST aos olhos da Rede Globo
http://www.youtube.com/watch?v=D651ZSECHu0Ei Globo, Vai toma no C#
http://www.youtube.com/watch?v=7Vi8Zqr7-k8Jornal “O Globo” distorce fala de Lula e recebe critica de Ricardo Boechat
http://www.youtube.com/watch?v=KvIcddEn7NgJô Soares desabafa contra a Globo – Troféu Imprensa 87
http://www.youtube.com/watch?v=frP0TLlLnrATexto do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=oLIAh8jdlVE&feature=player_embedded
 Saudações ao povo brasileiro.
Estamos aqui para mostrar que vocês estão sendo enganados, manipulados, tratados como fantoches, foram submetidos à alienação, a imposição de uma mídia que só visa influenciar vocês, estamos aqui para abrir os seus olhos, mostrar como a Globo tem agido há anos, manipulando tudo o que tem chegado até vocês. A final todos tem direito à uma mídia sem máscaras, uma mídia que não seja parcial, seja justa. Nós não podemos deixar que ocorram casos como o do Serra nas ultimas eleições. A Globo chegou a dizer que uma pedra atingiu o candidato Serra na cabeça, mas na verdade ele tinha sido atingido por uma bolinha de papel. Este caso mostrou como ela manipula a verdade por trás dos verdadeiros fatos.
Essa gigante está sempre inundando a cabeça das pessoas com futilidades e coisas inúteis, agindo como um filtro entre os reais acontecimentos e o que é passado para a população, mostrando somente o que ela quer que o povo veja. E assim ela segue com essa atitude inescrupulosa. Este vídeo serve como aviso e é para mostrar a vocês somente um pouco de como ela age, um pouco do que ela faz com vocês todos os dias, nas suas casas, no seu trabalho, na sua vida, penetrando na sua mente e implantando toda essa cultura inútil não deixe que ela pense por você, que ela te influencie, que ela dite padrões de como você deve agir, que ela diga o que você tem que comprar, o que você deve comer, o que você deve vestir.Esta Operação será realizada no dia 23/02/13 e nós estamos convocando a todos para lutarem do nosso lado contra essa manipulação descarada da rede globo, vamos dar um grito de basta não aceitaremos mais o lixo cultural que eles nos empurram, vamos questionar suas notícias, vamos cortar a alienação pela raiz. Vamos todos no dia 23/02/13 para a porta de suas sedes e afiliadas no Brasil gritar contra a alienação na qual eles prendem nosso povo. Vamos espalhar esta notícia, criem vídeos, criem eventos em suas cidades e chamem a todos para dar um fim neste controle exagerado da rede globo. Vocês estão sendo convidados a nos ajudar, venham conosco mostrar a eles, o que eles não veem, o que eles não percebem, o que a Globo faz com a nossa gente.> Nós somos Anonymous.
> Nós somos Legião.
> Nós não perdoamos.
> Nós não esquecemos.
> Esperem por nós

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Marcus Orione: Modelo paulista, simulacro de inclusão social

publicado em 12 de janeiro de 2013 às 17:48 no Viomundo
Tendências/Debates: As cotas nas universidades estaduais, sugestão da SGeral/MST
MARCUS ORIONE
O modelo paulista de cotas universitárias é bom?
NÃO
Fernando Henrique Cardoso afirmou, recentemente, que o PSDB precisa ouvir o povo.
O PT fez, em parte, exatamente isso. Após o Bolsa Família, lançou um grande programa de cotas raciais e sociais para as universidades federais.
O seu projeto de democracia social está, no entanto, limitado por alianças com setores reacionários, o que acarreta prejuízos aos trabalhadores –em coisas como o apoio aos acordos coletivos com diminuição de direitos trabalhistas ou as desonerações das contribuições previdenciárias das empresas sobre a folha de salário.
Quanto às cotas, devem ser aplaudidas, por atenderem ao clamor dos excluídos.
Na mesma trilha, o governo paulista do PSDB anunciou, pela imprensa, o programa de cotas para as suas impenetráveis, ao povo, universidades estaduais.
De forma elitizada, a partir de sua noção de mérito, diz que os negros e pobres somente podem fazer o curso eleito depois de serem considerados, por um sistema chamado de “college” (até o nome é esnobe), suficientemente bons para merecer o que almejam.
Colhe uma observação sobre o que a elite paulista entende por mérito. Em geral, considera merecedores os provenientes de seu seio: jovens brancos, que cursaram os melhores colégios privados.
Certamente que, entre os pobres e os negros, há pessoas mais aptas do que as que se enquadram nesse molde de merecimento. Alijados, com destaque para a questão racial, não têm acesso aos meios adequados para provar suas qualidades.
Se pensarmos com honestidade a meritocracia, ainda que em termos liberais, os mais capazes, excluídos em decorrência de sua condição econômica ou racial, devem ser contemplados com mecanismos que os coloquem verdadeiramente em igualdade na disputa. É a velha máxima jurídica de se tratar os desiguais na medida da sua desigualdade como forma de se alcançar a justiça.
Vista sob outra ótica, a meritocracia deve contemplar o que é melhor para a universidade, enquanto local de produção de conhecimento que interessa à sociedade. Quanto mais plural for o espaço universitário, maior será a possibilidade de se atingir tal meta.
No que concerne às cotas do governo paulista, não atendem a esses postulados e às vozes provenientes das ruas.
Após rumores na imprensa de qual seria o modelo adotado, a sociedade civil organizada se posicionou contrariamente por meio de manifesto da frente em favor das cotas de São Paulo. O documento, que se encontra disponível na internet, foi apresentado ao governo estadual, sendo que conta com a assinatura de mais de cem entidades e de vários professores das universidades estaduais paulistas, dentre outros. Ali se encontram a insatisfação com a proposta e a solução do problema, indicadas pelos movimentos e atores sociais.
É interessante constatar ainda o desprezo à autonomia universitária. Ao anunciar pela imprensa modelo já acabado, o governo acredita que certamente será aprovado pelas instâncias universitárias. Admitida tal premissa, percebe-se a fragilidade dessa autonomia, já que submetida à vontade do Executivo –como já se deu, por exemplo, quando o atual reitor da USP, escolhido pelo governador, sequer encabeçava a lista tríplice dos indicados.
Dando as costas, sobretudo, ao povo de São Paulo, o governo paulista manteve a proposta nos moldes elitistas em que foi inicialmente anunciada. Não deu ouvidos ao povo, concebendo simulacro de inclusão social –expressão usada por um dos reitores das estaduais em referência às cotas do governo federal.
MARCUS ORIONE, 48, doutor e livre-docente, é professor do Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP
Leia também:

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Íntegra do discurso de Lula em Washington aos trabalhadores dos EUA


As críticas do senador Aécio à Petrobras e uma resposta


publicado em 4 de fevereiro de 2013 às 14:14

O abismo de Aécio
(04/02/2013)
do Minas Sem Censura
Nosso “aparte” semanal ao senador Neves incide sobre sua pregação quase religiosa do fracasso do Brasil sob a presidência de Lula e Dilma.
Desta vez ele escreve sobre a perda de posição da Petrobrás, de maior petrolífera da América Latina para a colombiana Ecopetrol. Sua fonte é uma matéria do Financial Times, uma das fontes mais “respeitadas no mundo, na área financeira”, segundo ele.
A partir dessa informação, ele agrega, como argumento de autoridade e doutrina para a gestão pública e estatal, a análise feita por um obscuro “Instituto Acende Brasil”, em texto intitulado “Gestão Estatal: Despolitização e Meritocracia”, para o setor elétrico.
Vamos aos pedaços.
Em primeiro lugar, o citado artigo do Financial Times traz muito mais informações do que aquela pinçada pelo senador tucano. O índice usado para o artigo do jornal inglês foi a capitalização da Ecopetrol em 2012. Mas, no próprio texto vem a relativização do resultado, tanto por especialistas, quanto por gestores da estatal colombiana. Aliás, a matéria informa também que a Ecopetrol é 80% estatal. Detalhe omitido pelo discurso apologético ao gerencialismo privado. Algumas informações são relevantes para entender a atipicidade do crescimento da empresa colombiana, segundo o próprio jornal britânico:
a) o mercado de ações na Colômbia é muito pequeno e a Ecopetrol tornou-se uma espécie de porto seguro para todos os tipos de investidores do país;
b) os fundos de pensão colombianos sofrem forte restrição estatal, para especular no estrangeiro e, portanto, convergem seus recursos para a Ecopetrol, como forma de valorização de seu patrimônio;
c) fortes aportes estatais desde 2007 garantiram um regular fluxo de investimentos na empresa;
d) há consultores que desconfiam de sobrevalorização contábil de setores da própria empresa.
Finalmente, o próprio presidente da Ecopetrol, Javiér Gutiérrez, é comedido e não comemora o novo ranqueamento: “Não se pode realmente comparar, porque a Petrobrás é um gigante em muitas frentes. (…) A capitalização de mercado é simplesmente um reflexo da confiança que o mercado tem na Colômbia, em geral, e em particular a Ecopetrol, mas o mercado tem altos e baixos.”
Ou seja, Aécio pinçou uma informação de um texto, omitiu todo o resto e sustentou sua análise pessimista sobre a Petrobrás, baseado somente em suas posições ideológicas privatistas.
Ora, a Ecopetrol é exatamente o exemplo inverso do que ele defende: é mais “estatal” que a Petrobrás, opera num mercado de ações fraco (atraindo investimentos como um refúgio) e se beneficia com fundos de pensão daquele país, fortemente constrangidos a nela investir.
Tais “detalhes” não poderiam ser omitidos na análise de quem pretende ser presidente do Brasil. Seria desonestidade intelectual, se não conhecêssemos a superficialidade com que o senador trata esses temas. Leia abaixo a matéria original do Financial Times com os dados ignorados pelo senador.
Em segundo lugar, o tal “Acende Brasil” é uma instituição que expressa as opiniões e interesses dos acionistas privados nas estatais elétricas. Logo, seu discurso sobre meritocracia tem um olhar para os dividendos a serem pagos aos grandes acionistas e não à qualidade e economicidade dos serviços prestados ao povo.
Conclusão: Aécio até se esforça para se credenciar como alternativa da direita privatista e neoliberal do país; mas, convenhamos, com o seu “Control C, Control V” seletivo fica cada vez mais difícil, até para as tais elites dessa direita, acreditar na aposta de que ele possa liderar algum projeto de oposição.
*****
Ecopetrol overtakes Petrobras by market cap
By Ed Crooks and Pan Kwan Yuk in New York and Andres Schipani in Cartagena
do Financial Times
Colombia’s national oil group Ecopetrol has grown to become the largest listed company in Latin America, ahead of Brazil’s Petrobras, in one of the most dramatic moves in the global energy industry of the past year.
Colombia’s strong resource base and business-friendly policies have made it a favoured location for the international oil industry, and Ecopetrol, which is 80 per cent owned by the government, accounts for about four-fifths of the country’s production.
However, some investors and analysts believe the rise of more than 50 per cent in its shares over the past 15 months is not justified by the fundamentals of the business.
Ecopetrol’s market capitalisation of $129.5bn at Friday’s close was greater than Petrobras’s $126.8bn, even though the Brazilian company’s production is about three times greater.
Javier Gutiérrez, Ecopetrol’s chief executive, himself sounded cautious about the company’s valuation.
“One cannot really compare because Petrobras is a giant on many fronts,” he told the Financial Times.
“The market capitalisation is simply a reflection of the confidence the market has in Colombia in general, and Ecopetrol in particular, but the market has ups and downs.”
In spite of excitement over the huge oil discoveries off the coast of Brazil, Petrobras’s shares have lost 45 per cent of their value over the past three years, hit by disappointing financial results and concerns about the huge investment needed to develop those fields.
It has also faced persistent political intervention, including fuel-price regulation and action to claim additional tax payments.
Robin West of PFC Energy, the consultancy, argues that Colombia’s market-friendly policies have helped deliver a strong rebound in oil production since 2007, and Ecopetrol is well positioned to benefit from future growth.
However, other analysts and investors argue that investment flows are the most important factor behind Ecopetrol’s recent share price performance.
One private equity manager argued that restrictions on Colombian pension funds’ foreign investments were driving investment in Ecopetrol.
“The funds are getting more and more inflows every year and they need to invest this money,” he said.
“The local stock market is relatively small. Ecopetrol is the biggest stock on it so that is why you are seeing so much demand for the shares.”
Alexander Muromcew, emerging market equity portfolio manager at financial services group TIAA-CREF, said he believed funds flowing between Petrobras and Ecopetrol may have lifted the Colombian company’s shares.
“In our view, Ecopetrol’s gains are not supported by the company’s fundamentals,” he said. “While Ecopetrol was a good growth story in 2012, its recent earnings have been disappointing. The bloom may be coming off the rose on this one.”
Diego Usme, an analyst with Ultrabursátiles, a brokerage in Bogotá, said he considered the shares overvalued compared with other similar companies, and compared with its discounted cash flows.
One of the reasons, he said, was that “many investors, regular people, consider Ecopetrol as a sort of refuge; a safe bet”.
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04/02/2013 – 03h30
Ladeira abaixo
por Aécio Neves, na Folha.com
Além do aumento do preço da gasolina, anunciado pelo governo federal, a Petrobras voltou a entrar em evidência, semana passada, ao perder o posto de maior empresa da América Latina.
O jornal “Financial Times”, um dos mais respeitados no mundo na área financeira, colocou a colombiana Ecopetrol no topo do ranking das empresas de maior valor de mercado. As ações da Petrobras perderam 45% do valor ao longo dos últimos três anos, de acordo com a publicação britânica.
No decorrer de 2012, com perplexidade, o Brasil foi tomando conhecimento da existência das graves dificuldades na gestão da estatal, com aumento das importações, problemas de caixa, desvalorização de seus papéis no mercado, dentre outros.
Houve uma troca brusca no comando da empresa, para tentar colocá-la nos trilhos novamente.
Há um estudo recente que traz uma síntese digna de nota sobre os males capazes de corroer a vida de uma companhia pública. Intitulado “Gestão Estatal: Despolitização e Meritocracia”, o trabalho foi realizado pelo Instituto Acende Brasil para o setor elétrico, mas suas conclusões são válidas para a Petrobras e outras estatais mal gerenciadas, de uma maneira geral.
Dentre os entraves descritos na literatura econômica tratados no estudo, destaca-se a administração inepta: os dirigentes são nomeados pela sua lealdade aos governantes, desconsiderando-se as qualificações requeridas para o cargo.
As empresas sofrem também com o uso político que se faz delas. A falta de disciplina orçamentária pesa muito. Por terem como acionista majoritário o governo, muitas estatais vivem na expectativa de que eventuais deficits serão necessariamente cobertos por aportes oficiais. O processo decisório burocrático, típico da má administração pública, acaba sendo a cultura dominante, prejudicando a agilidade necessária.
O estudo cita uma estratégia para se bloquear o uso político das estatais, com uma “blindagem” contra as pressões externas. São medidas como recrutamento profissional e competitivo de diretores, uso de indicadores e metas, transparência nos resultados, prestação periódica de contas e aplicação de incentivos e penalidades por desempenho.
O governo federal está na contramão desses preceitos que poderiam oxigenar –e muito– a economia brasileira. De um lado, ocuparam-se as estatais existentes como se patrimônio do PT fossem. De outro, aumenta-se o número delas –levantamento divulgado ano passado mostra que o PT criou mais estatais que todos os governos pós-militares.
Parafraseando um dilema de outrora, a saúva do aparelhamento partidário pode acabar com o Brasil.