segunda-feira, 9 de julho de 2012

Neolacerdeismo e economia

(Ilustração capa: Cézanne)
Do Cafezinho - 06/07/2012
Miguel do RosárioTemos dois artigos hoje no jornal escritos sob o mesmo espírito. Ziquinha e seu Oscar, de Chico Alencar, e Fantasmas no Caminho, de Fernando Gabeira encaixam-se melodiosamente na estratégia da mídia de criminalizar e denegrir a política. Neste sentido, são petardos conservadores. Ambas são levianos. Abordam temas profundos sem apresentar dados ou argumentos consistentes.
Gabeira inicia o seu texto com fundo musical de filme de terror. O cara realmente entrou pro lado mal da força. Fala que esteve em São Paulo, numa determinada loja, às 14 horas, e ela estava vazia. Daí, numa pirueta mortal, ele faz a ilação descarada de que vivemos uma crise anunciada, uma bolha de crédito que vai explodir a qualquer momento.
Um autêntico urubu.
Tenho pensado muito sobre isso. Uma vez, no Óleo do Diabo, recortei um trecho de Keynes, que adverte precisamente sobre o risco econômico de uma mídia empenhada em combater um governo progressista. Para isso, não hesitará em influenciar negativamente a tomada de decisões da classe empresarial no país, com vistas a produzir um ambiente de mal estar e crise.
Ora, acontece que o desenvolvimento industrial atualmente é uma questão sobretudo de atitude. Se todo mundo ficar se lamuriando, reclamando dos impostos, da infra-estrutura, então não sairemos nunca do subdesenvolvimento. O industrial brasileiro não pode esperar o governo resolver todas a confusões tributárias pra começar a trabalhar. Tem que botar a mão na massa agora. Burocracia é complicada no mundo inteiro.
A mídia comece a ser bem sucedida em sua estratégia de fazer profecias autorrealizáveis. É uma torcida tão engajada por números negativos na economia, que os empresários se retraem, atemorizados, e aí os números efetivamente se tornam negativos.
O pessimismo em relação à economia brasileira pode ser uma opção estética ou ideológica respeitável, mas considerado friamente é uma estupidez. O Brasil tem uma população enorme, dentro da melhor faixa etária possível, recursos naturais abundantes, crédito lá fora, democracia funcionando direitinho; os dados macro-econômicos são pujantes e tem melhorado ano a ano. Um amigo que trabalha na prefeitura do Rio me lembrou outro dia que o orçamento municipal cresceu nos últimos anos de uns 6 a 8 bilhões para 24 bilhões de reais em 2012.
Sobre a indústria, temos que pensar o seguinte: ainda que haja quedas pontuais em alguns setores, o Brasil está assegurando a infra-estrutura básica: na energia, na siderurgia, na construção-civil, na produção de carros, motos e tratores. Falta agora estabelecer uma indústria ferroviária, o que será uma consequência a médio-longo prazo da construção do trem bala – que os mesmos urubus não querem fazer.
Temos água potável, petróleo, terras, minérios, além de siderurgias, refinarias e fábricas de autopeças. Que país, além dos EUA, possui potencial tão espetacular, sendo que os EUA vivem o final de um impressionante ciclo de crescimento?
As análises econômicas não podem se amarrar a formas de pensar binárias, simplistas, que enxergam apenas um dado (o PIB, por exemplo) e não o conjunto da economia brasileira.
Por isso eu acho a choradeira política de Gabeira e Alencar uma reação infantil. Seus argumentos não se firmam em bases consistentes. Um deles encontra uma loja vazia em São Paulo, às 14 horas, e usa o fato como base para vaticinar desgraças. O outro inventa um personagem fictício para falar mal da política brasileira.
Ora, não é preciso inventar um “ziquinha” para falar mal da política. Mas critique de frente, com a própria boca, e não pela boca de um boneco inventado. Agora só falta a essa. O político não tem voto, não tem apoio de outros partidos, nem de movimento social, nem de sindicato, ou seja, não tem apoio de ninguém, então inventa um “ziquinha”, um homem “bem popular” na cidade, para corroborar suas ideias…
Chico Alencar comete um erro crasso, muito comum entre esquerdistas de botique: subestimar a inteligência do povo. Na verdade, é pior do que subestimar, parece que eles querem manter o povo na ingenuidade, e assim posarem de esquerdistas puros, eleitos com o voto da classe média mediatizada. O preço é ficar bem na Globo!
E assim o sujeito diz que “frequenta o movimento popular” e afirma que eles (o movimento popular) não entendem, por exemplo, o pragmatismo na política.
Eu não acredito na ingenuidade do povo. E se o “movimento popular” apresenta uma visão idealista ou ingênua de mundo, deve-se procurar esclarecê-lo acerca das estratégias. O movimento social brasileiro tem que ficar mais inteligente, astuto, vivo e determinado, ao invés de se tornar mais ingênuo, idealista e burro.
E a esquerda nunca pode esquecer a dimensão da urgência, que também requer flexibilidade política e disposição aliancista.
A urgência do povo, que ainda agoniza em hospitais lotados e infectos, e cujos filhos estudam em escolas de má qualidade, é absoluta: quer promover já mudanças efetivas, e se consolidem no longo prazo, que não seja apenas um “vôo de galinha”.
A democracia brasileira está viva. É capitalista, sim, envolve campanhas milionárias onde os interesses econômicos se conflitam, mas oferece também abundante recurso público e gratuito (via horário eleitoral e fundos partidários) para se fazer a luta política, o que é um aspecto socialista.
Segundo Robert Alan Dahl, um dos mais importantes cientistas políticos contemporâneos, as democracias modernas são uma mescla de capitalismo e socialismo.
Em todos esses países, há representantes e correntes de opinião divergentes entre os dois eixos básicos da política humana, ainda identificados como esquerda e direita: um mais voltado à promoção da igualdade e justiça social; outro voltado à valorização da criatividade e do empreendedorismo individuais; isso pra só falar dos aspectos positivos, claro. O progressismo democrático resulta de uma combinação equilibrada desses dois espíritos.
Os faniquitos de Chico Alencar e Gabeira não contribuem em nada para a valorização da política, não por causa do seu pessimismo, mas por sua inconsistência. Já que eles gostam tanto de falar em ética, digamos que o pessimismo de Gabeira e Chico não é ético. Não é um pessimismo viril e autêntico de um filósofo, ou de um cidadão qualquer que tenha uma visão de mundo inteligente e sombria. O pessimismo deles é superficial, partidário, adocicado, medroso. Tratam sua própria falta de perspectivas como se fosse um problema nacional.
Os estudos mais embasados da realidade política brasileira não mostram nenhuma “decadência” moral, ideológica ou política. Os partidos fazem alianças sim, mas se considerarmos o país como um todo, a maioria delas são alianças consistentes com os projetos nacionais. PSDB, DEM e PPS estão juntinhos no país inteiro. PT, PCdoB, PSB, estão mais unidos agora do em qualquer outro momento, apesar do estardalhaço com que a mídia trata problemas ocorridos em 2 ou 3 cidades. Sendo que em Recife, o PSB não tem culpa de absolutamente nada. O PT implodiu sozinho. A venda de tempo de tv feita por alguns partidos nanicos são fenômenos marginais; mas a negociação política em torno do tempo de tv dos partidos se dá em torno de interesses políticos e partidários que, mal ou bem, refletem anseios sociais e econômicos concretos.
Analisando o histórico das alianças dos últimos anos e a evolução dos representantes políticos, não há base para falar em decadência. Além do mais, o percentual de votantes no total da sociedade atingiu a plenitude somente nos últimos 10 anos, de maneira que só agora temos um parlamento realmente representativo do povo brasileiro. Um parlamento cheio de vícios, assim como o povo, mas não é científico dizer que é pior que os anteriores.
A tecnologia e a vontade popular tem tornado o ambiente político, institucional e partidário brasileiro mais transparentes. Há muito vício e corrupção, mas nunca tivemos tantas ferramentas para combatê-los como agora, em que todas as despesas, convênios e contratos terão que ser publicados na internet.
A verdade é que raramente os intelectuais, midiáticos ou não, entendem a política. Para eles, os políticos serão sempre seres impuros. Os intelectuais, ensina Espinoza, têm invariavelmente um visão irreal da política.
Em relação às alianças, temos o mesmo problema. Há um viés antidemocrático e reacionário no purismo. O que enriquece a democracia não é justamente a gama enorme de cores que ela oferece? Os políticos representam interesses econômicos. Um político que só represente a si mesmo não tem mais futuro no país. E se ele representa um setor econômico, então a sua aliança, à esquerda e à direita, é um fenômeno democrático; não necessariamente positivo, mas ainda sim democrático.
Quanto à ideologia propriamente dita, os partidos, os políticos e os povos, ou seja, a vida real é muito mais complexa, rica e interessante do que o mundinho das teorias. Tudo bem aceitar que existe diferença entre esquerda e direita, mas pretender que essas definições sejam uma questão fechada, ou pior, arrogar-se como único ou verdadeiro representante de uma ideologia ou de uma classe, não me parece sensato.
Por isso dou razão ao Congresso em ter derrubado a regra autoritária do STE de verticalizar a política de alianças, proibindo que partidos divergentes a nível nacional se aliassem a nível local. Seria uma violência à liberdade partidária e à democracia. Se um partido quer se desprender de outro, é ótimo que possa fazê-lo de maneira menos traumática, reduzindo o número se alianças locais. Da mesma forma, se um partido quer se aproximar de um antigo adversário, pode começar fazendo alianças locais. Cria-se um ambiente de liberdade que azeita as engrenagens ideológicas que criam e quebram alianças.
Quanto ao estado de espírito que eu mencionava no início do post, penso o seguinte: para desenvolver nossa democracia, assim como nossa indústria, temos que ser otimistas, empreendedores e criativos, o que implica em fechar o ouvido à mediocridade midiática e investir no futuro. Quem viver, verá.

O golpismo e suas lições. Carta Capital e Veja: uma comparação simples mas bastante esclarecedora.


Roberto Amaral
CartaCapital

Qualquer analista da política sul-americana concordará que uma das características distintivas dos processos brasileiro e hispano-americano é, no caso de nossos vizinhos, sua rápida revolução, contrastando com o vagar das transformações históricas brasileiras.

Fomos a única monarquia americana, o último país a desfazer-se — e assim ainda muito mal — do escravismo. Aqui a República, fruto de um golpe de Estado, já nasceu decrépita, envilecida por uma oligarquia rural arcaica que a monopolizou por 40 anos, período em que jamais houve o encontro da democracia com a representação. A ‘revolução’ de 30, proposta para promover esse encontro, terminou como uma ditadura ) civil (15 anos) sustentada pelas armas.

Aqui, as ditaduras foram longevas e lentas, e os processos de redemocratização foram conquistados palmo a palmo. Agora mesmo, passados tantos anos do fim da queda da última ditadura, a discussão contemporânea é se podemos processar os agentes do terrorismo de Estado, enquanto nossos vizinhos já têm os seus na cadeia. Por enquanto só nos é dado (se tanto) conhecer a verdade negada à História, e pelo menos enterrar nossos mortos, chamados de ‘desaparecidos’, o neologismo aviltante grafado pela ditadura.

Se o processo brasileiro é mais lento, parece ser menos propício a sobressaltos, tendendo a uma evolução sem riscos de interrupções abruptas. Sem querer lembrar um passado que teima em ficar presente, nossa evolução se dá de forma gradual, lenta, mas firme. Nessa hipótese, o gradualismo, passando pela transação e pela conciliação, ainda que agravando as dores e excitando as ansiedades, ensejaria uma mais fecunda semeadura do processo democrático.

Talvez seja pueril minha leitura, mas suponho poder afirmar que, finalmente, construímos a mais forte estrutura político-institucional democrática da República, apesar do esforço sempiterno da grande imprensa no seu objetivo de desmoralizar a política, sem a qual, todavia, não há democracia de qualquer espécie. E ela mesma sabe disso, pois foi desmoralizando a política e seus agentes, os partidos e os políticos, que nossos jornalões abriram caminho para as rupturas constitucionais, desde as quarteladas do início do século ao golpe de 1964.

O fato objetivo de hoje é que estamos prestes a festejar 30 anos de vida democrática ininterrupta, e, se é possível arriscar predições, em condições de afirmar que o cenário que se descortina a olho nu é de tranquilidade institucional, e, seja-me permitido o otimismo, de avanço social. Nesses anos pós-ditadura militar, reconstruímos a ordem constitucional e vivenciamos com sucesso seis eleições presidenciais.

Realizamos a proeza de eleger duas vezes um operário presidente da República, e, para sucedê-lo, uma notável mulher que chega à política depois do batismo na luta contra a ditadura, cujos porões conheceu, na tortura infamante e na cadeia. Atrás desse operário e dessa presidenta havia e há, nas campanhas eleitorais e no governo, um amplo apoio de massas assentado em uma coalizão de partidos sob a hegemonia da centro-esquerda.

Essas considerações mais ou menos impressionistas me ocorrem como reflexão em face da crise paraguaia, quando um golpe-de-Estado-parlamentar interrompeu o mandato constitucional e legítimo do Presidente Fernando Lugo.

Em poucas horas a administração popular do presidente paraguaio foi demolida por uma razia parlamentar, sem que à truculência da classe dominante reacionária se opusesse a força das grandes massas assaltadas.

O fenômeno ao qual nos estamos referindo não se circunscreve ao nosso vizinho.

Os golpes antes intentados na Venezuela, no Equador e na Bolívia, onde até a secessão foi cogitada, são a resposta da direita sul-americana, feudal e anti-nacional, em face de governos conquistados na proa de históricos processos de emergência das massas, pela vez primeira, nesses países, dissociados das elites e de suas classes dominantes, comprometidas com o atraso no qual se cevam.

O golpe consumado em Honduras, ao final consolidado pela pusilanimidade estadunidense, parece ter sido apenas um laboratório do qual o Paraguai é um experimento. Outros golpes estarão nas mesas de ensaio?

A frustração daqueles golpes (Equador, Venezuela, Bolívia) nos impediu de ver a permanência de sua ameaça, pois a direita em nosso continente (lembremos sempre o já sabido) jamais esteve comprometida com a democracia.

Em comum nesses países, a pobreza da organização social, que não se expressa mediante organizações partidárias fortes e inseridas na vida política, donde a fragilidade das administrações populares, sem base de sustentação institucional, e sem condições de mobilização e resistência diante da ofensiva de seus adversários.

Não basta ao bom Príncipe ganhar o poder (no caso concreto, mais exatamente o governo), pois o desafio é conservá-lo.

Há, porém, uma severa distinção a destacar entre a política brasileira contemporânea e a de nossos vizinhos, e ela reside no fato de aqui a esquerda haver aprendido que, para governar, ela precisa de alianças para além de seu campo, de par com a conservação da capacidade de mobilização popular (relembro a resistência de Lula às tentativas de golpe de 2005). A solidão de Lugo em seu Parlamento sem aliados contrasta com o apoio partidário de que a presidenta Dilma Rousseff dispõe nas duas casas do Congresso brasileiro.
Será esta outra lição?

Leia mais em: O Esquerdopata
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No Paraguai, Veja está com Franco e não abre

“Presidente Federico Franco, é o entrevistado das páginas amarelas; diz que a deposição de Lugo foi constitucional e que os militares “foram fiéis à pátria” não se prestando à suposta tentativa de golpe arquitetada por Hugo Chávez; em editorial, a revista da Abril assumiu sua posição: é a favor do golpe
Federico Franco, presidente do Paraguai desde a deposição de Fernando Lugo, surge doce, cândido e com ar de bom moço na foto que ilustra a entrevista de páginas amarelas da revista Veja deste fim de semana. Nela, Franco nega que tenha havido golpe de Estado no Paraguai, muito embora tudo tenha sido decidido em menos de 48 horas, sem que seu antecessor, Fernando Lugo, tivesse tido a oportunidade de apresentar sua defesa. “Houve um processo de impeachment que está previsto na Constituição, com respeito absoluto à democracia e aos direitos humanos”, disse Franco ao repórter Hugo Marques, que foi enviado a Assunção.
Na entrevista, em que Franco não foi questionado sobre o rito sumário da deposição de Lugo, o presidente paraguaio se coloca como um amigo e aliado do Brasil, citando a parceria em Itaipu, os 500 mil brasiguaios que vivem do outro lado da fronteira e os laços de amizade histórica que aproxima os dois países. “Tenho esperança de que o Itamaraty, que sempre teve uma conduta retilínea e exemplar, possa reavaliar sua posição”, diz Franco, falando sobre a expulsão do Paraguai do Mercosul. “Tudo nos une. Nada nos separa”.
Golpe, na visão do presidente paraguaio, foi a suposta tentativa da Venezuela, de Hugo Chávez, de incitar uma resistência militar em favor de Fernando Lugo. “Os generais foram fiéis à pátria”, disse Franco, citando a suposta ingerência de Chávez em assuntos internos do Paraguai.”
A favor do golpe
Além de entrevista Franco, a revista Veja demarcou sua posição sobre a crise do Mercosul, num editorial assinado pelo diretor Eurípedes Alcântara. O texto, sob a foto dos presidentes dos países sul-americanos, foi intitulado “A aliança para o atraso”, numa clara referência à “Aliança para o progresso”, um programa que, entre 1961 e 1970 buscou aproximar os Estados Unidos da América do Sul – foi justamente neste período que se implantaram as sementes das ditaduras no continente.
No editorial, Veja fez troça da posição da diplomacia brasileira na crise paraguaia. “Um desses episódios foi a bizarra reação brasileira ao processo constitucional de impeachment que tirou da presidência do Paraguai o esquerdista Fernando Lugo. A diplomacia brasileira foi, para ficarmos com a hipótese mais benigna, mera espectadora da inaceitável tentativa do venezuelano Hugo Chávez de fomentar um golpe militar em Assunção e, assim, evitar a saída de Lugo do poder”, escreveu Eurípedes.
Veja assumiu seu lado: é a favor do golpe de Franco, a quem considera um democrata. E já que perguntar não ofende, como será que se comportaria se algo semelhante ocorresse no Brasil?”

Em nome do tucanato, Álvaro Dias avalisa o golpe e quer barrar Caracas no Mercosul

O novo governo paraguaio pode ficar tranqüilo: o senador Álvaro Dias garantiu ao presidente Franco o apoio incondicional do PSDB à nova ordem estabelecida em Assunção. Com essa solidariedade, o chefe de governo do país vizinho está apto a reverter a situação de repúdio continental, vencer a parada no Mercosul e roncar grosso – como, aliás, está começando a fazer – contra o Brasil, a Argentina e o Uruguai”.Escreveu Mauro Santayana em seu site....
 
E Álvaro Dias, apoiado pelo PSDB,ganhou o título de embaixador dos golpistas
 
O senador brasileiro Álvaro Dias (PSDB-PR) reuniu-se ontem como presidente do Paraguai, Federico Franco, criticando a decisão do governo Dilma Rousseff de "isolar" o país vizinho. Dias afirmou ainda que o PSDB analisará a possibilidade de entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a entrada da Venezuela no Mercosul.
 
A decisão final do partido será anunciada na terça-feira.
 
O Congresso paraguaio não aprovou a entrada de Caracas no bloco, mas, como Assunção está suspensa do Mercosul, os outros três membros entenderam que era possível incorporar a Venezuela.
 
Também ontem, o presidente da comissão da Defesa da Câmara de Deputados do Paraguai, José López Chávez, anunciou que manteve conversas com generais dos EUA para negociar a instalação de uma base militar no Chaco

Supremos momentos; Tucano tentou orientar Gurgel contra Agnelo e campanha do Haddad

Têmis, a deusa mitológica da Justiça, sempre desfrutou de grande prestígio. Dante lembrou-se dela no Purgatório. Ovídio, na Metamorfose, contou em poema épico a solução do oráculo para Pirra e Deucalião povoarem o planeta devastado pelo Dilúvio Universal. Assim, os dois saíram a atirar, sem olhar para trás, pedras que se transformavam, ao tocar o solo, em mulheres e homens, conforme lançadas pelo casal.
 
A venda nos olhos de Têmis foi colocada por artistas alemães da Idade Média, como lembra o jurista Damásio de Jesus e para simbolizar a imparcialidade. No Brasil, seria melhor termos uma Têmis de olhos bem abertos e com representantes no Supremo Tribunal Federal (STF), com mandato improrrogável de cinco anos. Como ironizou Mario Quintana, o poeta das coisas simples: “A Justiça é cega e isso serve para explicar muita coisa”.
 
A propósito, o STF, nos últimos 40 anos, condenou à pena de prisão fechada apenas um deputado, e ele era do baixo clero: Natan Donatan (PMDB-RO). Em 2 de agosto, começará o julgamento do processo criminal que ficou conhecido por mensalão, com 38 réus, 234 volumes, 495 anexos e 50.119 páginas. Têmis estará lá, entronizada que foi na parte externa da sede do Pretório, com venda nos olhos e de costas para os 11 julgadores.
 
O nome “mensalão” completou sete anos de idade e restou cunhado pelo então deputado e delator Roberto Jefferson. Refere-se, conforme o Ministério Público Federal em denúncia apresentada e recebida pelo STF, a um esquema de compra, habitual e em dinheiro, de apoio de parlamentares e a envolver crimes de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e corrupção ativa e passiva.
 
Jefferson, um dos réus, admitiu ter recebido 4,5 milhões de reais. Até hoje, ele não declinou, de modo a conferir impunidade, os nomes dos parlamentares do seu partido político e para os quais repassou o dinheiro. Talvez pelo silêncio com relação aos seus, Jefferson, um varão de Plutarco às avessas, mantém-se como presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). A propósito, ele contou ter embolsado vivos 4 milhões de reais e o restante mandou seu motorista buscar no restaurante do Banco Rural.
 
O ministro Ayres Britto, presidente da Corte excelsa, quebrou lanças para tentar julgar o caso antes de se aposentar em 18 de novembro próximo. No momento, os ministros do STF gozam férias e Brito tentou suspendê-las para poder antecipar o julgamento. Apesar do recesso e movido pela preocupação de uma quase certa falta de tempo para se colher o voto do ministro Cezar Peluso, que se aposenta compulsoriamente em 3 de setembro, o presidente Britto tenta mudar o cronograma já divulgado. Ele trabalha, junto aos seus pares, para marcar três sessões semanais e apressar a solução final.
 
De olho num desgaste de adversários em período eleitoral, muitos aplaudem a pressa de Britto. Lógico, se esquecem da lentidão do processo chamado “mensalão tucano”. Na verdade, e a Têmis bem sabe, o julgamento açodado compromete o processo justo. A pressa jamais pode ser o objetivo principal em um julgamento.
 
No caso do “mensalão”, os ministros realizaram, sem ouvir os advogados constituídos pelos réus, uma divisão de tempo para a sustentação oral em plenário da Corte e o acusador ganhou prazo maior. Dessa maneira, os ministros transformaram o poder discricionário em puro arbítrio.
 
Diante desse quadro e com dois ministros impedidos por flagrante parcialidade (Gilmar Mendes e Dias Toffoli), surgirão incidentes processuais que poderão furar o cronograma. E até impossibilitar, pelo decurso do tempo, o voto de Peluso, ainda que se cogite de antecipar o voto, depois dos lançados pelo relator e o revisor.
 
Nada justifica tal apressamento, e aqui cabe um data venia em homenagem a Ayres Britto. Em clima impróprio por pressões e cúmulos de interesses variados, o julgamento poderá transmudar-se de técnico para político. O STF, diversas vezes, optou por decisões políticas. Por exemplo, ao decidir pela legitimidade da denominada lei da anistia, aprovada por Parlamento biônico e cunhada pelos militares para garantir a impunidade em face de consumados crimes de lesa-humanidade, os ministros, por maioria e conduzidos pelo voto de Eros Grau, deram uma decisão política, além de canhestra.
 
Numa apertada síntese, deveria ser esquecida a pressa e se focar no fazer Justiça no melhor dos climas. Peluso, que é homem honrado e que nunca tirou coelho de cartola, deveria pendurar a toga na volta do recesso pela razão de não poder, colhido pela aposentadoria, acompanhar o voto dos demais.
Até o final do julgamento, o julgador pode se retratar diante dos argumentos apresentados nos votos dos demais. Se Peluso votar e cair fora, será vencido, e aqui cabe outro data venia, pela soberba. Com dez ministros (contando Mendes e Toffoli) e empate, vai valer o in dubio pro reo, pois todos são presumidamente inocentes.
 
Wálter Maierovitch,CartaCapital
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Tucano tentou orientar Gurgel contra Agnelo
Tucano tentou orientar Gurgel contra Agnelo

Documento da CPI revela que o deputado Fernando Francischini (PSDB/PR) articulou montagem de dossiê contra o governador Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, que seria entregue ao procurador-geral, Roberto Gurgel; da trama, participaram ainda arapongas de Carlos Cachoeira e jornalistas de Brasília; isenção política de Gurgel é colocada em xeque
O site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, publicou, neste domingo, um documento ainda inédito da CPI do caso Cachoeira, que cita o procurador-geral da República, Roberto Gurgel ((leia aqui).
São conversas que envolvem o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) e o araponga Idalberto Matias, o Dadá, além de personagens conhecidos da política brasiliense, como o ex-senador Alberto Fraga, do DEM, e os jornalistas Edson Sombra e Mino Pedrosa. Ambos, críticos ferozes da gestão de Agnelo Queiroz, do PT, no governo do Distrito Federal. Já se sabia que Francischini pensava em mudar seu domicílio eleitoral do Paraná para Brasília, onde concorreria ao GDF em 2014 – a revelação foi feita, aqui, no 247. A novidade é que, pela primeira vez, há grampos que citam o nome do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
 
Nos diálogos, interlocutores de Dadá articulam para que Gurgel apresente denúncia contra Agnelo Queiroz. O trabalho do grupo envolvia, ainda, a publicação de notícias em blogs políticos de Brasília contra o governador.
Num email interceptado pela Polícia Federal, Alberto Fraga sugere a Edson Sombra que fale com Mino Pedrosa para maneirar as denúncias contra Agnelo, para não prejudicar o trabalho do procurador-geral. “Você tem que falar com o Etelmino para ele ir com calma. Pois todo esse alvoroço pode até atrapalhar o trabalho que o Gurgel está fazendo junto com o Francischini”.
 
No início do ano, o deputado tucano denunciou, na revista Veja, a existência de uma central de grampos, no governo do Distrito Federal, contra adversários políticos de Agnelo Queiroz. Ele estaria entre os alvos, assim como os jornalistas Edson Sombra e Mino Pedrosa. Em abril, Francischini disse até que pediria a prisão do governador do Distrito Federal. O que o documento publicado neste domingo revela, no entanto, é bem diferente. Era Francischini quem tramava com Dadá, Carlos Cachoeira, Alberto Fraga e blogueiros de Brasília a queda do governador. O que ainda não se sabe é qual era o grau de envolvimento do procurador Gurgel na trama. Leia trechos dos documentos aqui .

sábado, 7 de julho de 2012

Os mensalões, um comparativo

Por coincidência, justamente quando o julgamento do mais famoso “mensalão”, que alguns chamam “do PT”, foi marcado, a Procuradoria-Geral da República encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sua denúncia contra os acusados de outro, o “mensalão do DEM” do Distrito Federal.
Trata-se mesmo de um acaso, pois a única coisa que os dois compartilham é o nome. Equivocado por completo para caracterizar o primeiro e inadequado para o segundo.
 
Naquele “do PT”, nada foi provado que sugerisse haver “mensalão”, na acepção que a palavra adquiriu em nosso vocabulário político: o pagamento de (gordas, como indica o aumentativo) propinas mensais regulares a parlamentares para votar com o governo. No outro, essa é uma das partes menos importante da história.
 
Alguns acham legítimo – e até bonito – empregar a expressão como sinônimo genérico de “escândalo” ou “corrupção”, mas isso só distorce o entendimento. O que se ganha ao usar mal o português? No máximo, contundência na guerra ideológica. Chamar alguma coisa de “mensalão” (ou adotar neologismos como “mensaleiro”) tornou-se uma forma de ofender.
Fora o nome errado igual, os dois são diferentes.
 
Ninguém olha o “mensalão” de Brasília como se tivesse significado especial. É somente, o que não quer dizer que seja pouco, um caso de agentes políticos e funcionários públicos, associados a representantes de empresas privadas, suspeitos de irregularidades.
 
Por isso, se o STJ acolher a denúncia, o processo terá tramitação normal. Sem cobranças para que ande celeremente. Sem que seja pintado com cores mais fortes que aquelas que já possui. Sem que se crie em seu torno um clima de “julgamento do século” ou sequer do ano.
É provável que aconteça com ele o mesmo que com outro mais antigo, o “mensalão do PSDB”. Esse, que alguns dizem ser o “pai de todos”, veio a público no mesmo período daquele “do PT”, mas avança em câmera lenta. Está ainda na fase de instrução, sem qualquer perspectiva de julgamento.
Por que o que afeta o PT é mais importante?
A resposta é óbvia: porque atinge o PT. Se os “mensalões” da oposição são tratados como secundários e se outros são irrelevantes (como os que a toda hora são noticiados em estados e municípios), deveria existir no do PT algo que justifique tratamento diferente.
 
Há quem responda com uma frase feita, tão difundida, quanto vaga: seria o “maior escândalo da história política brasileira”. Repetida como um mantra pelos adversários do PT, não é substanciada por nenhuma evidência, mas circula como se fosse verdade comprovada.
 
“Maior” em que sentido? Os recursos públicos movimentados seriam maiores? Mais gente estaria envolvida?
É difícil para quem lê as alegações finais do Ministério Público Federal (MPF) compreender o montante que em sua opinião teria sido desviado e como. O documento é vago e impreciso em algo tão fundamental.
 
Essa indefinição pode ser, no entanto, positiva: deixa a imaginação livre. Qualquer um pode inventar o valor que quiser.
 
O “mensalão do DEM”, ao contrário, tem tamanho especificado: 110 milhões de reais. Nele, o MPF não se confundiu com as contas.
Se o critério para considerar maior o petista for a quantidade de envolvidos, temos um curioso empate: dos 40 acusados originais, número buscado pelo MPF apenas por seu simbolismo, restam 37, tantos quanto os denunciados no escândalo de Brasília.
 
E há diferenças notáveis. No “mensalão do DEM”, os agentes públicos foram citados por desviar dinheiro para enriquecimento pessoal, o que, em linguagem popular, significa roubar. No “do PT”, nenhum.
De um lado, valores certos, acusados em número real, motivações inaceitáveis. Do outro, o oposto.
 
Quando o procurador-geral declarou que “a instrução comprovou que foi engendrado um plano criminoso para a compra de votos dentro do Congresso Nacional”, esqueceu que nem sequer uma linha de suas alegações o demonstrou. Arrolou 12 deputados (quatro do PT), que equivalem a 2% da Câmara, número insuficiente para sequer presumir que houvesse “um esquema de cooptação de apoio político”, a menos que inteiramente inepto.
 
No caso de Brasília, nada está fantasiado, é tudo visível, o que não significa que tenha sido provado de forma juridicamente correta.
 
No fundo, essa é a questão e a grande diferença entre os dois. Quando a hora chegar, o “mensalão do DEM” deverá, ao que tudo indica, ser analisado de maneira técnica. Se o “do PT” o fosse, pouco da acusação se sustentaria.
Tomara que os ministros do STF consigam independência para julgá-lo de maneira isenta, livres das pressões dos que exigem veredictos condenatórios.
 
Marcos Coimbra

A Globo mente.

#GloboFail: Replay do UFC narrado “ao vivo” por Galvão Bueno vira piada no twitter
Ontem de madrugada ao abrir o twitter vi quase toda a minha Time Line comemorando a vitória de Anderson Silva, mas a TV Globo ainda anunciava a transmissão da luta para daqui a pouco.
 
Só depois de quase 1 hora Galvão Bueno iniciou a transmissão do replay sem que fosse registrado que a luta já havia se encerrado. Ao contrário, o narrador teve o desplante de mandar um “voltamos ao vivo”, como se tudo acontecesse em tempo real.
Acompanhar a trollagem pelo twitter passou a ser muito mais interessante do que assistir a luta. Internautas utilizaram o #GloboFail e o #aovivonaglobo para ironizar a picaretagem. Fatos históricos passaram a ser citados como se estivessem sendo transmitidos ao vivo na TV. Entre eles, a chegada do homem à lua e a queda do muro de Berlim.
 
A piada mais recorrente, porém, era de que o brasileiro Anderson Silva já estava em casa assistindo “ao vivo” a transmissão de sua vitória com a narração de Galvão Bueno.

O episódio seria apenas cômico se não fosse ilustrativo do nível em que chegou a TV brasileira. A Globo usa recorrentemente de mentiras para ludibriar seus telespectadores e o faz achando que ainda estamos nos anos 80, 90, quando a internet era coisa de cientistas.
 
Mas o mundo mudou bastante no que diz respeito ao acesso à informação.
 
Ao abrir o twitter hoje pela manhã vi que no TT Brasil o termo que liderava era o #ChupaSonnen, nome do americano falastrão derrotado por Anderson Silva. E o segundo era #GloboFail. Isso no momento em que acontecia a transmissão ao vivo da prova de F1, em Silverstone.
 
Ou seja, ao fim e ao cabo um evento bobo como o UFC acaba sendo importante para ajudar a desmascarar a forma como essa emissora lida com seus telespectadores.
 
Mas há algo que precisa ser dito. Se a Globo é picareta, Galvão Bueno consegue ser ainda pior. Soltar um “voltamos ao vivo” em transmissão de replay é ir além. Se ficasse quieto o narrador ainda poderia alegar que fez seu trabalho e que a emissora era a responsável pela tentativa de ilusionismo comunicativo. Mas que nada, ele quis ser sócio da farsa.

Assista ao vídeo de um internauta que gravou a luta antes de ela ir ao ar, "ao vivo", pela Globo:

CPI já fisgou um tucano. Virão outros.

Publicado em 09/07/2012
Esta CPI do Robert(o) Civita já prestou um serviço inestimável.
O programa Entrevista Record Atualidade, que vai ao ar nesta segunda-feira na RecordNews às 22h15, logo após o programa do Heródoto Barbeiro, exibe entrevistas com os deputados Onyx Lorenzoni, do DEM-RS, e Cândido Vacarezza, do PT-SP, membros destacados da CPI do Robert(o) Civita.

Os dois concordam em pontos cruciais.

A CPI já deu resultados e vai continuar a dar.

Os próximos de depoimentos serão muito úteis.

O de Fernando Cavendish, dono da Delta, poderá revelar, segundo Lorenzoni, até que ponto o Governo Federal se deixou envolver pelas atividades ilegais da Delta, como o Estado de Goiás.

Lorenzoni lamenta que o Brasil não tenha seguido sugestão do Senador Pedro Simon que, a certa altura, quis fazer a CPI dos Empreiteiros – para interromper a sequência de CPIs que investigam corruptos e inocentam corruptores.

Vacarezza diz que não vai “blindar” o prefeito petista de Palmas, Tocantins.

E ele e Lorenzoni estão ansiosos pelo depoimento de Paulo Preto, que não foi arrecadador de campanha do Padim Pade Cerra, como esclareceu o William Bonner, num patético desmentido no jornal nacional.

Vacarezza lamenta que a CPI tenha decidido ouvir Paulo Preto, uma vez que ele foge do foco da CPI do Robert(o) Civita: o crime organizado em torno do Carlinhos Cachoeira, de que Policarpo Junior, ilustre diretor da Veja em Brasília, segundo Collor, era o “mastermind”.

Na opinião de Vacarezza, a CPI foi criada para ir pra cima do Carlinhos Cachoeira.

Mas, já que abriu o leque, ele está muito animado com o depoimento de Paulo Preto.

Que, se não foi “arrecadador”, fez empreitagens no Governo Cerra com a Delta, na marginal (sic) de São Paulo.

Vacarezza acha muito interessante que o PiG (*) queira fechar a CPI do Robert(o) Civita, na esperança de desacreditá-la.

O ansioso blogueiro concorda.

Esta CPI do Robert(o) Civita já prestou um serviço inestimável.

Mostrou, por exemplo, segundo o Demóstenes, que “o Gilmar mandou subir”.

Segundo a TV Record, foi possível melar o mensalão.

Descobrir que foram os tucanos que montaram a trampa dos aloprados para esconder as ambulâncias super-faturadas do Cerra e do Barjas Negri.

Que o brindeiro Gurgel talvez seja mais do que brindeiro: mas um prevaricador, segundo a denúncia de Fernando Collor, reafirmada por documentos da própria CPI.

(Apesar de repórter da Globo em Brasília pôr a mão no fogo por ele, em gesto jamais visto na Televisão Ocidental.)

A CPI do Robert(o) Civita vai fechar a Veja e, com ela a Abril.

A Veja se aproxima de seu Juízo Final.

E, como revelou o Leandro Fortes na Carta Capital, a Globo também pescou nas águas turvas do Cachoeira.

A ponto de ser obrigada a demitir insigne jornalista.

O Conversa Afiada reproduz abaixo documento que um deputado da CPI recebeu de sua assessoria.

Trata exatamente disso: de como a CPI do Robert(o) é óóóóóótima !

Não é à toa que o PiG (*) quer desmoraliza-la: um tucano ilustre já esta no papo.

Deputado,

Até o presente momento, a CPMI aprovou os seguintes requerimentos:

Quebras de Sigilo Pessoas Jurídicas 57
Quebras de Sigilo Pessoas Físicas 28
Convocações 110

A Polícia Federal havia quebrado os sigilos de 11, dessas 28 pessoas físicas, e 8, das 57 pessoas jurídicas.

A CPMI revelou as relações do governo Marconi Perillo com Carlos Cachoeira. A CPMI provou que:

1. Perillo vendeu a casa a Cachoeira em fevereiro;
2. A esposa de Cachoeira (Andressa Mendonça) contratou um arquiteto para reformar a casa em março (gastou mais de R$ 500 mil);
3. Cachoeira mandou rasgar o contrato com Perillo para que ele não aparecesse;
4. Tentou passar a casa para o nome de Deca (André Teixeira Jorge, auxiliar de cachoeira).
5. Solicitou que Wladmir Garcez vendesse a casa para Walter Paulo em julho.
6. Vendeu a casa a Walter Paulo por R$ 2,1 milhões.

Ainda sobre Perillo, a CPMI demonstrou que a cota de nomeação referida pela PF se confirma. Edvaldo Cardoso, presidente do Detran, é um dos integrantes dessa cota. Varias pessoas de segundo escalão foram indicadas por Cachoeira.

Lúcio Fiuza (Secretario Particular de Perillo), Eliane Pinheiro (chefe de gabinete do Governador Perillo), Jayme Rincon (tesoureiro do PSDB e presidente da Agetop), Ronald Bicca (Procurador Geral do Estado), entre outros secretários de Estado, têm relação direta com Carlos Cachoeira.

A CPMI apurou que a empresa fantasma de Cachoeira, Alberto e Pantoja, pagou dividas de campanha de Perillo para com o jornalista Luiz Carlos Bordoni e pesquisas de opinião de junto ao instituto Serpes (solicitada via Edvaldo Cardoso). Revelou ainda que outra empresa de Cachoeira, a Adercio e Rafael (atual G&C Construçoes), pagou dividas de campanha de Perillo para com Bordoni (segunda parcela).

Ou seja, já está provado que Perillo recebeu dinheiro do crime organizado.

Sobre o DF, a CPMI investigou e demonstrou que Carlos Cachoeira tentou, mas nao conseguiu corromper o governo. O foco foi a bilhetagem de ônibus.
A cpmi quebrou o sigilo bancário de 57 empresas, para buscar o CAMINHO DO DINHEIRO. A cpmi está no encalço de 13 empresas ligadas à evasão de divisas. Estas empresas estão sediadas no Uruguai, em Curaçao e nas Ilhas Virgens Britânicas. Essa será uma das principais colaborações da comissão.



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Haddad lança campanha: "Não temos medo do povo"

6 DE JULHO DE 2012 - 19H12 

O candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, deu o pontapé inicial de sua campanha nesta sexta (6), com uma caminhada pelas ruas do centro, acompanhada por cerca de 5 mil pessoas. Ao lado de sua vice, Nádia Campeão (PCdoB), do vereador Netinho de Paula (PCdoB), do Senador Eduardo Suplicy (PT) e de dirigentes dos partidos de sua coligação, Haddad  concluiu seu primeiro evento eleitoral com um ato político repleto de críticas ao adversário, o tucano José Serra.


 haddad
Haddad discurso para povo / Foto: Terra
No discurso, Haddad condenou a atitude de Serra, que decidiu iniciar a campanha em um "recinto fechado", segundo ele para evitar o contato com a população. "Nós não vamos para recinto fechado. Nós vamos para a rua falar com o povo para ganhar essa eleição. Nós não temos medo do povo. Nós queremos o povo conosco", discursou o candidato. Haddad referiu-se ao fato de Serra optar por fazer uma reunião na sede do PSDB paulistano.

De um carro de som, Haddad falou ao povo e aproveitou para pedir a presença permanente de Netinho ao seu lado. "Quero você junto da gente o tempo todo", disse. O candidato citou as administrações petistas de Luiza Erundina e Marta Suplicy e disse que, além do apoio delas, contará com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O candidato convocou a militância às ruas. "Não vamos deixar a rua até a vitória", encerrou.

Depois de falar para a população, Haddad conversou com os jornalistas. O candidato comentou o balanço de metas da prefeitura de São Paulo, que divulgou a quantidade de promessas cumpridas pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP). De acordo com ele, Kassab merece nota 3,6.

"Na minha opinião, ele já se atribui nota 3,6 porque, no balanço de cumprimento de metas, ele disse que cumpriu 36% das promessas que fez. A cidade já fez um balanço dessa administração agora é olhar pra frente. Penso que quatro em cinco paulistanos querem uma mudança de rumo", disse.

Serra
Já o lançamento da campanha de Serra – um evento na sede do PSDB para a própria militância tucana - durou pouco mais de uma hora e não contou com a presença do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Gilberto Kassab, seus principais aliados. Em seu discurso, o candidato teve que fazer um chamado à unidade dentro do próprio ninho tucano e afirmou que fará “uma campanha limpa, de propostas”. 

Dando continuidade à sua estratégia de nacionalizar a disputa, ele afirmou que a disputa paulistana será determinante para o "futuro do Brasil". “Temos que fazer uma campanha unidos. Vocês sabem que políticos disputam até rolo de barbante usado. É normal. Fui oito anos deputado, oito anos senador, sempre lidei com o parlamento e é sempre assim. Agora, na hora da eleição, temos que estar unidos, saber quem é aliado e quem é adversário”, apelou.

Serra enfrenta resistências de apoio dentro do próprio PSDB. Setores do partido ligados ao secretário de Energia, José Aníbal, que disputou as prévias partidárias com Serra neste ano, permanecem distantes da campanha. No ato desta sexta, Aníbal não estava presente, assim como Bruno Covas e Ricardo Trípoli, também pré-candidatos da prévia tucana.

Acompanhe na Rádio Vermelho discurso emocionado do pré-candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad e da pré-candidata a vice-prefeita Nádia Campeão.

Rádio Vermelho - Campanha de Fernando Haddad e Nádia Campeão

terça-feira, 3 de julho de 2012

Pedido de perdão a um plenário vazio

Foram 20 minutos de discurso previamente preparado, 44 pedidos nominais intercalados de desculpa e de perdão, apenas quatro senadores no plenário, várias críticas à imprensa e à Polícia Federal e um relato dramático pincelado com frases de efeito. O senador Demóstenes Torres , acostumado a proferir, da tribuna do Senado, ataques duros contra parlamentares,-- e até mesmo contra o ex presidente Lula-- mostrou, na tarde de ontem, a face de um homem público engolido pelas próprias atitudes, completamente triturado. Numa tentativa desesperada de tentar sensibilizar seus pares e salvar o mandato, despiu-se de uma de suas maiores marcas: a vaidade. Afirmou que quem estava ali, de peito aberto para pedir perdão, era "um homem envergonhado, abatido, deprimido, cansado e esgotado". Seguiu à risca o script com tom emocional e revelou que sua rotina é passar as noites mal dormidas tentando encontrar "os cacos de sua biografia".
Os pedidos nominais de perdão foram direcionados aos senadores que o apartearam para registrar confiança e solidariedade durante o discurso proferido em 6 de março. Em nenhum momento, pediu desculpas aos mais de 2 milhões de eleitores e ao DEM, seu antigo partido.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), que o defendeu de maneira incisiva durante o primeiro discurso, foi um dos citados. Ele preferiu sair do plenário para não ouvir o que o parlamentar goiano tinha a dizer.
Apelo emocional
"Minha saga, a cada fim de noite mal dormida, é buscar em jornais, revistas, blogs e tevês os cacos de minha biografia"
"Nenhum cidadão merece tal castigo, até porque o desgaste ultrapassa a pessoa do massacrado e se estende à família, e não há situação mais angustiante do que olhar nos olhos dos filhos e, em vez do brilho habitual, ver nesse olhar a pergunta: quando essa atribulação vai acabar?" ...disse Demóstenes... Correio Braziliense

Alvaro Dias foi ao Paraguai fazer intercâmbio golpista

 
http://goo.gl/dKUxD
Um golpista apoiando outro e trocando experiências sobre golpes. Assim foi a visita do senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR) à Cidade del Leste, no Paraguai, onde trocou figurinhas com o presidenciável Zacarías Irún, do partido golpista Colorado (espécie de demotucanos de lá).


O tucano deu apoio explícito aos golpistas, declarando achar "normal" o golpe parlamentar do impeachment relâmpago realizado em 36 horas, sem sequer dar tempo de preparar a defesa, nem dar oportunidade da população tomar conhecimento do processo político desta importância, uma vez que afeta não só o presidente deposto, mas todos os eleitores paraguaios por ele representados.

Presunçoso, o tucano disse que "exigirá" do governo Dilma que retroceda na decisão de suspender o Paraguai do Mercosul. Aproveitou para dar entrevista ao jornal ABC Color do PIG paraguaio.


Leia também:
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